terça-feira, 31 de março de 2009

Então tá, então

"Hola meninas, tudo bem?
Meu nome é Iker Casillas e eu sou o goleiro da seleção da Espanha".
Tá bom pra vocês?
Nata, posso me aboletar na sua casa pra ver o chuchuzinho do Casillas jogar no Camp Nou?
besote a mis trocitos de pan

quinta-feira, 26 de março de 2009

Nunca mais será a mesma

Querida Natalinda,
Estava aqui pensando com meus botões. Paris nunca mais será a mesma. Já pensou a gente lá? Me dá dó de pensar nos franceses com aquela melancolia sartriana, perto da nossa brasilidade nagô, né? Eles andando pelos Jardins de Luxemburgo, fumando loucamente pensando: “ merde! je suis fatigué de survivre”. Enquanto nós cinco vamos estar maluquetes, loucas pra tomar uma tacinha e perambular pelas ruelas do 5 éme. Olha, já avisei o Chico Buarque que a gente vai. Mandei um e-mail, dizendo: “Chiquito, acredita que nós vamos pousar em Paris ? Pode tratar de levar a mulherada para experimentar aquele sorbet de citron que vc adora”. Ele ainda não respondeu, mas certamente vai levar a gente pra conhecer algum cantinho especial.
Mas Nata, me promete uma coisa? Vamos andar de metrô e cantar “Pigalle” ? E atirar pedrinhas no Canal Saint-Martin como Amélie Poulain? E parar para ver algum filme antigo naqueles cineminhas do século passado?
Sabe quem também se empolgou com a ideia? A Juliette Binoche. Menina, ela grudou em mim. Desde que eu fiz uma mini entrevista com ela por conta do ano da França no Brasil, ela não larga do meu pé! Já falei que a gente vai visitar ela, desde que ela conte algum segredo pra gente. Imagina que legal saber algum segredo da Juliette Binoche ? Vou perguntar pra ela se o Jonnhy Deep beija bem. Porque sou humana e mulher e tenho direito de saber isso.Mas até lá, vc me manda notícias da Índia? Me conta dos bicos dos corvos de Chennai e me ensina a fazer aquela dancinha que a Juliana Paes faz na novela?
Lobby so much.
à bientôt,
Mazi

terça-feira, 24 de março de 2009

MONOTEMA: agora é Paris até a viagem

Lês Champs! Que champs? Lês Champs Elysées!
... aí a gente ia adiando os programas turísticos mais óbvios. Optamos por conhecer dois museus diferentes, a passar o dia vagando por ruelas e livrarias da margem esquerda. A margem direita era muito luxuosa, mas muito fria tbm. Faltava gente, cantinhos, coisitas charmosas. Aí depois de alguns meses ali, bateu aquela coisa: ‘ puts, todo esse tempo aqui e nem fomos para margem direita, nem no arco do triunfo!’. Aproveitamos o impulso da culpa turística e o fato de que tinha uma expo interessante no Palácio de La Découverte, no comecinho da Champs Elysées. Fazia um frio glacial e nos debandamos pro lado de lá.
Quando saímos da exposição já estava escuro. Aí euzinha olhei para aquela avenida toda iluminada. Luzes crescentes até chegar ao arco do Triunfo. “Aham, tá, esse é o momento de fingir que vc é a Deneuve”, pensei eu. Aí pintou aquele sentimento que rola em algumas viagens. Alguma coisa - inexplicável - preencheu a Marilita de uma forma inexplicável também. Entramos numa loja chiquérrrrrrrrrrrrrrima de óculos escuros. Cada óculos, a bagatela de uma casa. Mas tudo bem: “hoje eu sou a Catherine Deneuve, vou provar todos”. Provamos todos os tamanhos, cores de lentes e fiz pose de atriz francesa naquele espelhão. Puro luxo na avenida mais visitada do mundo. Lógico que deu uma pane no sistema e no final da noite eu tinha certeza que eu era, SIM, a Deneuve e que eu podia, SIM, gastar 15 euros num bombom inteiro desenhado, feito filigrana. Afinal, euestouemparisepossotudoqueeuqueroeolhaesselugar! Loucura curada com pés cansados e vinho barato da casa - de volta à margem esquerda.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Mais Paris


Gente, não é a coisa mais BUNI ?

Gracias, pela dica, minha florzinha Ralston.

quarta-feira, 18 de março de 2009

terça-feira, 17 de março de 2009

A tal da sustentabilidade

-E o que vc precisa?
-De uma anestesia.
-Geral?
-Não, local mesmo?
-Onde?
-No coração.
-Qual deles?
-O doente.
-O esquerdo?
-Não, aquele ali, murchinho...
-Mas se tá murchinho, pra que anestesiar?
-Pra não sentir dor na remoção.
-Vc vai remover esse coração?
-Mas porque? ele tem tanta história, tanta lembrança, é muita coisa pra tirar daí
-Justamente. Porque agora vem um novinho. Mas limpinho do que fone de ipod novo. Parece que tem uma blindagem, uma membrana à prova de bala
-Ah é?
-E onde vc conseguiu esse?
-Hum. É raro, sabe? Esse eu ganhei, na verdade. Minha vó já tinha encomendado um pra mim.
-Ah pôxa, eu tbm quero um coração novo.
-É... não é pra qualquer um, não.
-Parece que a cirurgia de remoção dói muito. Mais do que parto.
-E daí, eu aguento a dor ?
-Aguenta? Até parece. Não existe dor maior do que abrir mão de um coraçãozinho marcado.
-Sério?
-É o que dizem por aí...
-Puxa... também queria uma renovação.
-Olha, parece que terapia dói bem menos, e vc aprende a reciclar o coração. E vc sabe, nesse mundo sustentável de hoje, não é bom desperdiçar coração por aí...

Paris

Quando fomos para Paris, já estava cansada de viajar. Cansada no bom sentido, claro. Já tínhamos completado 8 meses longe do Brasil, com mochila nas costas, calças rasgadas de tanto andar, a unha sem fazer, o cabelo sem cortar, alguns (bons) quilos acima do peso e uma saudade difícil de encaixar na rotina. Enfim, cansadas. Mas Paris não perdoou. Com carrosséis e os 140 tipos de queijo. Por mais que eu tentasse ficar em casa, não deu. E foram alguns meses assim - sem parar. Porque a cidade não termina. Eu mesminha - com todas as minhas neuroses de ‘tenho que aproveitar até a última gota’- não consegui fazer tudo que eu queria. Porque é muito gostinho de tarte au citron. 2 séculos para erguer a Notre Dame e o Le Monde estampando notícias das atrocidades mundiais. A rasgação de seda é tanta, que fica difícil não cair nos lugares comuns. Mas cada um tem a sua Paris. A minha é incrível: tem cheiro de pão, livraria da TASCHEN, pés cansados e um ar inebriante de vinho. Uma certa melancolia, talvez. O frio e o fio de sol naquele rio. As histórias são inúmeras: que Hitler não teve coragem de bombardear a cidade porque estupefacto com a beleza construída ; que Picasso e Modigliani já saíram na mão pelas ruas de montmartre; que o FRANCISCO Buarque de Hollanda mora ali, na île de Santi Louis e adora tomar café no de Flore. E maio de 68 e o romance todo atrapalhado e interessante de Sarte com a Beauvoir. Não tem fim. E só porque eu vou dar um pulinho lá e porque quero que minhas férias comecem antes... é aqui mesmo pessoal.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Rapidinhas do final de semana

1- Rodrigo Amarante é sexy.
2- “Móveis Coloniais de Acaju são o Beirut brasileiro” - frase do primo que diz tudo. Melhor show.
3- Amigos antigos ás vezes são chatos.
4 - “Wagner Moura não é fofo, é poderoso” - frase da Nilds que resume a dançadinha que levou a mulherada à loucura no show no sábado.
5- Roberto Bolaño rocks.
6 - Sobrinha bochechuda é algo que todo mundo merece ter.
7 - Revelação atrasada: tecla SAP para assistir filmes românticos no TNT.
8 - 25 mulheres levando um baile em termos de “como se dar bem num relacionamento” de uma Drag Queen muito simpática, em um chá de lingerie. Não, não é ficção, isso aconteceu e foi divertidíssimo.
9 - Ronaldão - não podia ficar de fora, né?

quarta-feira, 4 de março de 2009

Your turn

Vai coração mole. Esquece o vira-lata, canção desnaturada, ressaca de beijo e de perdão. Vai coração mole. Vira essa página, dispensa a camiseta rasgata, os berros chorosos, aquele batom no espelho. Anda, coraçãozinho mole. Aprende uma música doce e coloca no trem da vida todo veneno jorrado de graça. Coração burro, repetitivo. Tritura essas cartas, vai. Muda os filmes e deixa de lado presente por presente. Molenga, esse coração, mesmo. Tira de uma vez esse sapato do armário, o vaso com flores secas, o risco que ficou na parede com o porta retrato quebrado. Coração surdo. Se não pode gritar, limpa logo essa sujeira. Passa tinta verde por cima. Ou azul. Mas é você, coração mole, quem escolhe a cor. Dessa vez, é você.

Mumunhas

É que ele nunca se interessou pelo espetáculo das rupturas. E tem um jeito de quem mantém a fé em uma felicidade. É de uma graça inesgotável, meu querido. Fala manso, doce. Olhos verdes que crescem com a música das risadas que espalha. Ele não é escravo dessa tirania da diversão, porque possui qualidade de riso. E tece, todos os dias, os fios dourados dos meus sonhos.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Aviso aos visitantes anônimos

Neste blog a discussão e divergência de ideias é bem-vinda. Desde que os comentários sejam educados e devidamente assinados. Do contrário a Mazinha “pequena” aqui, vai apagar. Se assinados e assumidos, convenhamos - quem tem coragem de postar, tem que ter, no mínino, a descência de assinar - podemos conversar e fazer desse espaço um debate produtivo. Estamos conversados, meus pequenos covardes?

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Sobre dirigir sem carta

E então era para ser só um fim de semana em Iporanga. Já no final da tarde de domingão, a caminho de Sp, com um amigo que é considerado um ás no volante... Batíamos papo descontraído, ao som de Kaya na gandaia, coisa e tal...
Chapter I - a batida policial
-- Mas nada nunca aconteceu comigo sem carta de motorista, Marilia. Esse país é impunidade pura.
-- Eu sei, PP. Mas sei lá né?
Cinco minutos e um farol vermelho furado depois...
-- Ai Mazola, a polícia.
Tornando a longa história curta. Ele com a carta vencida em 2005. Eu com a carta vencida em 2007. 2 celulares sem bateria. Nenhum orelhão funcionando decentemente na cidade do Guarujá.
Chapter II - o guincho.
-- Fica aí que eu vou tentar ligar para alguém de algum lugar, me disse o PP.
De repente, enquanto aqueles dois policiais anotam todas as informações do carro... chega um guincho.
-- Será que a senhora pode retirar seus pertences do carro que nós vamos guinchar o veículo- me disse aquele cara fardado.
-- Mas como assim? O Sr. Policial vê que estou aqui esperando e não me diz nada, vai logo chamando um guincho...
Tornando o segundo capitulo curto... quando percebi que de nada adiantava dialogar com aqueles ignorantes sobre o papel público da polícia, sobre a falta de respeito deles comigo, já que eu tbm estava presente no carro e ninguém me informou de nada, eu comecei a chorar. É chorar mesmo... espernear. Olhava para o infinito... chorava, disse chorando que eu precisava trabalhar na segunda, que como eles tinham coragem de fazer aquilo, que era abuuuuusooooo de poder, PORQUE VCS ESTÃO FAZENDO ISSO COMIGO???? Até que o policial André se sensibilizou: " oh D. Marilia, não chora assim que eu fico com peso na consciência. Eu empresto meu celular se vc prometer que vai parar de chorar". Mas a sensibilidade deles não adiantou porque meu carro foi embora com o guincho e o guincheiro, já meio de ladinho e contradizendo os policiais, disse: retirar o carro... só amanhã de manhã. - acho sussa mesmo.
Chapter III - Uma noite no Guarujá
Dizem que o Guarujá já foi a menina dos olhos do litoral paulista. Mas é impossível acreditar. PESADELO. Poluído, perigoso e deprê. Isso sem contar os donos de "pousada" bêbados. Enquanto o PP negociava com o taxista o trâmite do dia seguinte, o dono da 'pousada' me dizia: "é, tenho que tomar umas pra conseguir dormir, entendeu?". Bem legal, mesmo, moço. Agora que eu vou me sentir segura nesse negócio que vc chama de 'pousada'.
Chapter IV - A liberação do carro.
Depois de apelar para o choro algumas vezes e conquistar a simpatia dos guincheiros e guardas do pátio de carros, percebemos que o buraco era muito mais embaixo. Não tava nada sussa, ali. Envolvia procuração, cartório, gente descer de SP para resgatar os dois perdidos num Guarujá sujo...
Bom - se o que não tem solução, solucionado está -Eu e PP ficamos em uma salinha, plantados do lado do orelhão, embaixo de um ventilador durante umas 5 horas. Foram mais ou menos 7 programas do tipo "globo esporte" diferentes, na TV da salinha. Algumas broncas vindas da metrópole: "como vc viaja sem carta e sem celular, Marilia? " e um ou outro alento vindo dos seres humanos que vagavam por ali e viam nossas carinhas desesperadas. Eu, depois de ver 8767565 vezes os mesmos lances do jogo Corinthians e SP, já estava decidindo se o Tulio e o André Dias tinham simulado a falta no jogo de domingo - meninas, olha a que nível de desespero eu cheguei. Já o PP começou até atender o telefone do Guincho com uma precisão e profissionalismo que nossos amigos guincheiros embriagados não tinham.
Chapter V - Ah... a fraternidade
Depois de meu irmão lindo resolver os problemas burocráticos e o Chuchuzinho do irmão do PP ir hasta el Guarujá nos salvar... ainda tivemos que depender da boa vontade daqueles que trabalham no serviço publico - vcs podem imaginar, né? Debaixo de um sol de rachar a moleira e agüentado a grosseria alheia. Mas conseguimos resolver o imbróglio.
Novela terminada, Luiz Melodia no carro e um silêncio de quem não tinha energia pra falar mais nada, chegamos em SP, as 4 da tarde.
Isso é para aprender a lição, viu crianças?
Ps: Beijo especial no Fe, meu irmão lindo que ajudou a gente com boa vontade e rapidez e no PP por me agüentar em momentos de mulherice e histeriquice aguda.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

- Mas assim, inconstante como?

Prometo que vou ficar quieta

Como posso falar disso tudo a você, menina solene, mimada pelo aborrecimento do universo, sem criar uma barreira de resistência enorme? Como te dizer que você, amiga, continua a responder à urgência da felicidade do mundo com uma ansiedade sem precedentes? Seu sorriso, minha querida, tem a candura generosa de quem olha para o outro e não reconhece o próprio assoalho de sentimentos destrutivos. E eu, amiga, amiga- mãe, amiga-onça, amiga-leoa - preciso de palavras novas. De uma língua muda, expressões que sejam escritas em silêncio e lidas com a intensidade de um coração rasurado. Palavras que te curem da cegueira - que não cerra os olhos, mas os deixam abertos para a dor. Ou palavras, que no mínimo, me tirem essa preocupação da cabeça. Antes você vertesse em lágrimas de raiva a ficar com essa expressão de quem faz da infelicidade, pouco a pouco, sua almofada. Minha querida, eu sei que cada um tem seus segredos e seus espinhos afetivos, mas me arrepia ver você se entregar à filosofia daqueles que são condenados à própria forca. Eterna caçadora de luz, você merece aquele tempo - coleção de instantes suspensos - com acordes de Chico Buarque e gostinho de amora roubada do vizinho.
Mas a gente mesmo, no comum, não sabe encontrar e muito menos ensinar esses caminhos de cachoeiras perdidas.
Um beijo carinhoso.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Dorival Caymmi


Dia dois de fevereiro

Dia de festa no mar

Eu quero ser o primeiro

Pra salvar Yemanjá

Eu mandei um bilhete pra ela

Pedindo para ela me ajudar

Ela então me respondeu

Que eu tivesse paciência de esperar

O presente que eu mandei pra ela

De cravos e rosas vingou

Chegou, chegou, chegou

Afinal que o dia dela chegou...

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

O que fazer depois de 5 horas na fila do consulado americano

Não pode ouvir música e nem falar no celular. Fica tudo lá fora. Dá pra ler, mas só até a segunda parte das chamadas - porque a lista começa a ficar aleatória, então vc não pode desgrudar o olho do painel de senhas. Mas o que dá pra fazer é ouvir as conversas alheias - do meu lado tava rolando a maior DR do milênio. Ela, as usual, tirando problema da onde não tinha. E ele, todo buni, mas omisso do problema. A seguir, trechos do diálogo:
Mulher: Eu disse pra ela que a gente ia dar um tempo
Homem: A gente? Vc que quer isso. Eu to bem em casa.
M: Eu? Na boa, a gente combinou, chegou a um consenso. Agora não vem me fazer de vilã da história.
H: Eu não estou te fazendo de vilã. Mas eu acho que vc tá sendo precipitada
M: Ahhhhh, agora eu to sendo precipitada???
H: Fala baixo. Tá todo mundo olhando
M: E qual é o problema? tem vergonha? Já não basta ficar seis horas aqui e não pode nem conversar? Olha, foi um acordo. Vc tbm achou melhor sair de casa e pensar em tudo que aconteceu.
H: Foi por causa daquele episódio?
M: Não. Quer dizer, vc chutou e eu fiz gol. Se fosse só aquilo, a gente podia superar juntos. Mas foi um monte de coisas e vc sabe.
H: é...
M: Por vc, continuaria lá em casa, nós dois infelizes. Homem é foda mesmo.
H: Não é isso. Mas acho que vc desiste fácil demais das coisas.
M: Tá. Melhor a gente parar por aqui.
senha apita 2465.
Agora eu me pergunto. Se ele vai sair de casa, que raios eles estavam indo tirar o visto dos EUA juntos? Tipo “a gente vai pra Miami e depois vc pode pegar suas caixas em casa”?
Quando vc acha que tá ficando louca, belive-me. Sempre existe alguém um pouquinho mais doido que vc.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

É... coisas de panda

A gente drena o sofrimento dos outros. Enche de sumo -nutrientes terrestres e armadilhas de compreensão. Tudo, para que alguns instantes tenham a sorte e a coragem de permanecerem suspensos no tempo. Sensação inebriante essa, de ressucitar os outros.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Chuvas de rosas e grinalda

Quando a Deia me pediu para escrever um texto sobre o casal, de súbito, uma explosão de idéias e referências inundaram minha cabeça. Afinal, eu acompanho os dois desde o comecinho, quando ainda éramos adolescentes recém-saídas do colégio Santa Cruz, rumo a um carnaval no litoral norte. A Déia sempre foi a nossa princesa. Cheia de charme e espirituosa. A gente já sabia que, como Fernando Sabino definiu, “o amor é um susto esplêndido”. O que não sabíamos, é que a nossa princesinha ia encontrar o tal “cara da vida”, no lugar mais improvável- em Maresias- naquela data improvável: o carnaval. E assim foram 7 anos. Diversos sustos esplêndidos, todos capturados pela delicadeza. 7 anos acompanhados de afetos, arquitetura de planos e de entendimento mútuo. Duas estrelas cadentes que foram pousar em Santiago do Chile. 7 anos, 2 cidades e florzinhas azuis em vasos prateados. “O cara da vida”, ela achou. Ele faz com que ela se arrume no carro porque tem pressa: “ele é muito pontual, parece um londrino”, diz ela, “ ... mas faz café-da-manhã para só para eu poder dormir mais 5 minutinhos”. E não poupa nas mumunhas de sempre lembrar das datas especiais com pitadas de romantismo. 7 anos e “nunca mais de 5 minutos brigados”, diz ele. Mesmo com ela reclamando da bagunça da casa “ ... é que ela é uma lindinha, companheira para tudo”. Anos que, agora são selados com buquê jogado pra cima e gosto de quero mais, pois como disse o mestre Guimarães Rosa: “Amor é sede depois de se ter bem bebido”.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

As promessas do OBAMÃO


Ele dá conta?

* Reduzir as emissões de carbono dos EUA em até 80% até 2050 e ter um papel mais forte e positivo na negociação do tratado global que irá dar continuidade ao Protocolo de Quioto - SIM. Talvez em 60% mas já tá valendo.
* Retirar todas as tropas do Iraque dentro de 16 meses e não manter nenhuma base permanente no país -Ah ... mamão com açúcar, vai...
* Estabelecer uma meta clara para eliminar todo o armamento nuclear do planeta -hum. essa é meio megalomaníaca- acho que não rola.
* Fechar o presídio de Guantanamo - DEMORÔ
* Dobrar o apoio financeiro para reduzir pela metade a extrema pobreza até 2050 e contribuir para a luta contra o HIV/AIDS, a tuberculose e a malária - Com a situação preta que tá lá... acho dificil pensar nos problemas dos outros...
* Abrir um diálogo diplomático com países como o Irã e a Síria para buscar uma solução pacífica para tensões políticas - Se o Bill Clinton fazia porque não o OBAMÃO?
* Desmilitarizar o serviço norte-americano de inteligência para evitar o tipo de manipulação que gerou a guerra no Iraque -hum. Acho que não depende só dele, né? São anos de censura e manipulation...
* Lançar um grande esforço diplomático para cessar a matança em Darfur - GO OBAMA, GO!
* Somente negociar novos tratados comerciais que contenham proteções trabalhistas e ambientais para os países envolvidos -DUVIDO.
* Investir USD $ 150 bilhões nos próximos 10 anos em energias renováveis e colocar 1 milhão de carros elétricos nas ruas até 2015-Acho bem capaz. Eles têm todas as condições.

Obama, sweety, estamos com vc.

BEBELITA

Estão todos convidados!

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009


Querida Natalinda,
Não deu nem tempo de matar toda a saudade. Sua passagem foi muita rápida, digna de diva de cinema. Até o Bellotão e a Malu Mader me perguntaram porque vc não foi na pré-estréia do filmeTitãs. Eu até tentei explicar, Nata, que vc tinha compromisso que tava toda tolada de coisas, mas não teve jeito, eles ficaram frustrados. Vâ se manda um e-mailzinho depois, tá? Vc sabe como eles dão valor pra essas coisas. Aliás, quem falou de vc hoje pra mim foi o Zé Padilha. É Nata, entrevistei ele hoje. Tava toda medrosa, rezando por um colinho jornalístico que me acalmasse e dissesse que sim, eu sou uma mini repórter, mas que eu tenho capacidade de fazer perguntas interessantes. E ele é super inteligente né, Natalinda? Me contou, entre as mil e uma curiosidades que te conheceu na favela da Maré. Ele estava fazendo uma pesquisa pra um documentário e vc tava lá, também mini repórter, ralando pra conseguir fazer uma matéria pra Piauí. Quando eu contei que vc tinha ido pra índia, que tava só formosura ... ele se empolgou. Me pediu pra te avisar que ele tá indo pra Berlim divulgar um documentário sobre fome, e se vc não quer encontrar ele lá, pra bater um papo. VAI NATA! Vai que rola alguma coisa no Tropa de Elite 2 , e vc vem pra cá ficar pertinho da gente!! Achei ele o máximo, diferentão mesmo. Ele lê livros de matemática, é flamenguista e fala pausadamente - coisa de gente que pensa, sabe?
Queria que vc tivesse aqui ainda pra gente dançar um pouco mais com o Wilson das Neves. Vai dizer, foi bom, não foi?
Beijos com amor e saudade.
Mazi

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Cumple de uma "mini - pessoa"

Eram quase 6 da manhã quando o dia começou a nascer em plena Plaza Catalunya. E a nós duas fomos subindo as Ramblas em silêncio, era o nosso último dia depois de 6 meses naquela cidade. As pombas, os fiozinhos de luz entre os prédios, tudo era mínimo perto do silêncio cúmplice. Repetido inúmeras vezes: na varanda catalã ao som de Ben Harper , na praia do Rosa assistindo 2004 ir embora, depois de ver “Abril despedaçado” , no pôr-do-sol sob a benção do Cristo Redentor, ou na pausa da Bethânia cantando “Debaixo d´ água tudo era mais bonito, mais azul, mas colorido... ”. Nós duas, peques. Ouvindo blackzinho, gritando “Celebrate we will”, no frio de Cáceres levantando a mão para o Lenine. Confissões e trocas entupidas de golden Grahams e Yaitas. Duas peques nervosas chorando nas tempestades em Camburi,nos filmes de quinta categoria, na peça da Kiru. Poucas brigas em contraposição às conversas que varam noites. Resgates e funças - vc indo me pegar no dia fatídico do cinema e eu te acudindo em noites mal dormidas. Nós duas, nilds. Combatendo a cabecinha ruim e os pensamentos famigerados. É que eu não aguento você, pequenita,perdida naquelas lojas gigantescas de decoração, toda empolgada com um abajur ou um azulejo marroquino. Agradeço sempre a sua paciência de jó: com o german boy, com as 400 mil pessoas que te consomem, com as coisas chatas da casa, comigo falando sem parar logo de manhã. Todas os monstrinhos loucos que entraram, bagunçaram e saíram das nossas vidas tiveram o que mereceram - o nosso perdão e a raiva eterna da melhor amiga. E esse jeito leve que a gente aprendeu de rir das coisas bobas: das fotos horrendas, dos episódios trancadas para fora (ou dentro) de casa, dos tombos carregando malas. Duas pandas peques em 8000 mil estradas com mochilas pesadas. Vc nilds, sempre com seus apetrechos: chave, sapato, bolsa 1, bolsa 2, sacola, presente, cartão, carrinho de supermercado, remédios mil. Nós duas, nenas, comemorando mais um cumple. Seu cumple, pequenita. Parabéns.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Quando Xangô se apaixonou por Oxum, ela o recusou; então ele tentou violentá-la. Foi impedido por Exu, que os separou, dizendo que eles só poderiam se unir se ela o aceitasse livremente. Zangado, Xangô trancou Oxum numa torre muito alta, dizendo que só a soltaria quando ela o aceitasse. Oxum chorou muito; então Exu passou e perguntou o que acontecera. Sabendo da história, foi correndo levar seu pedido de socorro a Olorum. Este soprou em Oxum um pó que a transformou em pomba; assim, ela pôde voar e sair da torre pela janela.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

2009

Picinguaba tem gosto de goiaba colhida do pé. Casa sem muro. Mar verdinho. E bromélias coloridas.
***
Picin Pôr-do-sol
*
Picin pandas
*
Picin Ceia
*
Picin primeira dama
*
Picin Bob
*
Picin eleitas
*
Picin cervejinha quente
*
Picin Gatas
*
Picin Marzão
*

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Sobre mulheres poderosas

Como eu imaginava, meu post sobre a Madonna gerou um nani de polêmicas. E até comentários (ups) mal -educados. Amores, sou uma panda manhosa. Sem agressões, tá?
Voltando a discussão, eu adorei o show da Madonna ontem. Foi ótimo, super espetáculo. Mas continuo firme nos meus argumentos. E para ilustrar o que eu - Florzinha de raposa- acho que é uma mulher poderosa DE VERDADE, fiz uma lista. Foi difícil eleger, mas aqui está.
Maga mestra
Difícil definir ela, né? Quem já leu, sabe. Não vou fazer maiores comentários.

Eva Yerbabuena
Uma Carmen pura. Musa do flamenco contemporâneo. Peque, linda e inteira. Os bracinhos no ar e a força dos tacones no chão é tão sinestésico que é impossível tirar os olhos dela.
Simone de Beauvoir
Ah gente, e depois as pessoas me falam que a Madonna é feminista? Faça-me o favor...
Não que eu tenha lido muito dela, mas só no tête-a-tête já deu pra sacar que ela pensava muiiiito além do seu tempo.

Marlene Dietrich
Quando assisti "O Anjo Azul" fiquei ultra impressionada com a capacidade de sedução dela. Sem fazer quase nada, ela era completamente cativante, sem um pingo de vulgaridade. Além disso, ela lutou contra o nazistas na segunda-guerra.

Marieta Severo
A mulher além de linda, culta e autêntica ... casou com Francisco.

Elis Regina
To em fase de amor com essa pandinha. Não aguento que ela com 1,40 dominava o palco daquela maneira. Voz poderosa, presença poderosa, inteira poderosa.

Maria Callas
Vi alguns vídeos dela recentemente com meu pai. Chorei de emoção. A coisa é tão viceral - não só a voz, mas a expressão do rosto, os gestos da mão, a graciosidade... de arrepiar.

Ayaan Hirsi Ali
Tinha que ter uma pitadinha engajada né? Essa escritora é jurada de morte porque luta contra as violências sofridas pelas mulheres mulçumanas. Tá tudo registrado no livro "A infiel".

Anouk Aimée
Pra mim ela é uma das mulheres mais lindas. E tem aquele ar de "atriz francesa", meio blasé, meio Paris, meio inteligente. Quando assisti " um homem e uma mulher", fiquei encantada com ela.
***
Perto dessa lista0, a Madonna com seu jeitinho "sweet", de meia -arrastão e falado "I love Brazil" me pareceu um pouquinho superficial. Mas é só um nani, tá?

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Para apimentar o blog

Booooooooooooooooode da Madonna. Assim ... nada pessoal, vou ao show hoje, me mato com as minhas amigas dançando "like a prayer". Mas com´ on! Que overdose! Nunca vi a cobertura de 11 shows da mesma mulher. Não agüento mais ler que Madonna escorregou, que ela usa 200 espumas de blush, que tem um avião, uma tonelada de assistentes, só fala com 13 pessoas e... CANTA EM PLAYBACK. Como assim? Toda aquela ginástica, aquele fôlego, aquele braço malhado de "Rocky 3" e cantar que é bom (ela é cantora, né?), ela não consegue, usa playback? Isso é o ápice. Fora, que me irrita essa coisa de que a Madonna é vanguarda, quebrou ícones, mudou paradigmas e blablablá. Ela é só mais uma loira do gênero sexy- vulgar americana. Tirou a roupa na década de 90 e hoje finge (desculpa, é fingimento) que é zen e pratica cabala. Ninguém que é zen faz as exigências bizarras dela ( a mulher veio com 3 sósias? Nem o Saddam Hussein tinha tantos ). Ninguém que é zen, alternativa e luta pela sustentabilidade do mundo, faz um show que gasta essa quantidade de energia. O mais incrível é notar a reação das pessoas quando vc faz essas críticas numa mesa de bar. Falar mal da Madonna é praticamente uma heresia. E todos os gêneros, viu? Até alguns “miles” acham que ela um fenômeno interessante. Eu particularmente acredito que a "Madge", rainha do pop, deusa das bibas, whatever é uma grande performer. Música boa pra animar festa. O resto é exagero de jornalista ( ok, mini momento ombudsman).

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Cadeira Vazia

Composição: Lupicínio Rodrigues e Alcides Gonçalves
Entra, meu amor, fica à vontade
E diz com sinceridade o que desejas de mim
Entra, podes entrar, a casa é tua
Já que cansaste de viver na rua
E os teus sonhos chegaram ao fim
Eu sofri demais quando partiste
Passei tantas horas triste
Que nem quero lembrar esse dia
Mas de uma coisa podes ter certeza
O teu lugar aqui na minha mesa
Tua cadeira ainda está vazia
Tu és a filha pródiga que volta
Procurando em minha porta
O que o mundo não te deu
E faz de conta que sou teu paizinho
Que tanto tempo aqui ficou sozinho
A esperar por um carinho teu
Voltaste, estás bem, estou contente
Mas me encontraste muito diferente
Vou te falar de todo coração
Eu não te darei carinho nem afeto
Mas pra te abrigar podes ocupar meu teto
Pra te alimentar, podes comer meu pão.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Top do ano

* Exposição da Beatriz Milhazes na Pinacoteca
* Wagner Moura
* Chilique de Penélope Cruz no Vicky Cristina Barcelona
* A volta da luzinha Ralston
* Saladinha no La Perô
* Show da Macy com guarda -chuva e vinho no parque Villa Lobos
* Terra Vermelha - o filme
* Bambas da New Order.
* Caloi e o jogo do Corinthians
* Wagner Moura
* Havanette argentino
* "CELEBRATE WE WILL" - Show do Dave Matthews
* A recuperação de Valentín
* Casa nova
* Elba Ramalho cantando "Palavra de mulher"
*Iraaaaaaaaaaaaaaaan
* CQC
* Ines Pedrosa na Flip
* Sambão da Rooselvet
* Wagner Moura
* A peça "A muher que ri"
* Cameron Diaz cantando The Killers
* Aula-show do Wisnik
* Seleção brasileira feminina de Voley
* Lemmon Tree - o filme
* Zapatero na Espanha
* Florzinhas no cabelo
* Capitu
* De verdade - Sandor Marái
* Festa de Oxum
* Perfil do Caseiro - João Moreira Salles na Piauí
* Wagner Moura
* Blogueiras : Ju Dantas, Marina Morena, Renata Megale.
* Café da manhã da Deli Paris
* Barraquinha africana da benedito Calixto.
* "Elephant gun" - Beirut
* MAFALDA

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Bonitão

Meninas, passeando pela editoria de esporte a gente se depara com essas coisas, né?
Prazer, Pep Guardiola, o treinador do Barcelona é essa coisinha lindinha.
Só pra começar bem a semana, tá?

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Os "Miles"

Dizem as sábias mulheres que inteligência é afrodisíaco. É verdade que nós, diáfanas, não resistimos a um homem que tem conhecimento. Aquele que sabe datas, nomes, entende de futebol à música clássica- com senso de humor. Aquele que, enfim, presta atenção nas coisas , nas pessoas e invariavelmente, em você. Ahhh... que maravilha é ir no cinema com alguém que sabe apreciar o negócio. E ganhar um livro de quem entende o que lê. Mas se existe um gênero de homem inteligente que peca na questão afrodisíaca é o “Miles”. Trata-se daquele homem - ou menino, depende do caso- que esbanja arrogância. Enche a boca para falar de “Miles Davis”, mas não presta atenção em nada do que vc fala. Porque, na opinião dele, você está ali para coadjuvar. Normalmente acha que sim, ele é O cara, O conhecimento personificado, A enciclopédia e claro, O gostoso. Há que tomar cuidado com esse tipo: os Miles não são tão óbvios de se identificar assim, ás vezes vc só vai perceber isso lá pelo 4ºencontro. Mas existem sinais muito claros e bem significativos:
- A obveidade - Os Miles, para começo de conversa, são muito pouco supreendentes. E, apesar da pose, têm um gosto muito restrito e fechado. Façam o teste, é impressionante. Em música, por exemplo, só existe Bob Dylan. Em poesia, Maiakóvski, em pintura, Pollock e em cinema, Godard. O resto, para eles, é perfumaria, futilidade ou ... cópia.
- Os manifestos - Miles a-d-o-r-a-m um “ismo”. Dadaísmo, Cubismo, Chavismo. Não importa, manifesto é com eles mesmo. O que está escrito, nem sempre eles sabem ou concordam, mas curtem essa coisa do Movimento, sacô?
- A luta de classes - A razão de tudo, para um Miles, é... a luta de classes. Sem entrar no mérito político, nem nada. Mas pô, que coisa chata. O cara não acredita em psicanálise porque a razão das doenças psiquicas é a luta de classes, não acredita em astrologia porque a razão dos fenômenos é a luta de classes, não tem espiritualidade nenhuma, porque a luta de classes que causa a nossa dependencia da regilião. Puts, que falta de romantismo. Ah sim, claro. Não há amor hoje em dia, por causa da luta de classes.
- Vanguardas - Adoram tudo que é vanguarda. Como não temos mais vanguardas como antigamente, eles usam de conceitos bizarros para justificarem os gostos bizarros. Se vc convesar com um Miles radical, ele vai dizer que Mamonas Assassinas e o programa do Pânico são extremamente vanguardistas e revolucionários em termos de estética - gente, dá pra levar a sério?
-Complexo de Jean- Paul Belmondo - O maior defeito do Miles, na minha opinião é o umbigo. Como eles acham que estão atuando em um filme do Truffaut, têm complexo de ator francês : acham bonito fumar cachimbo, olhando para o infinito, ouvindo Miles Davis e sempre sofrer de alguma melancolia existencial . E você fica ali, de coadjuvante da mini-deprê falseta dele.
- Risadas irônicas - mores, fujam. Isso traduz: vc é bonitinha, mas não passa de uma patricinha. Quer coisa mais irritante?
- As Miles - Perto de um Miles, sempre existe umA Miles. Alguma menina, ou mulher -depende do caso- que compactua com TUDINHO que ele diz. Não questiona, não discute, é uma Amélia enrustida. Porque apesar de aceitar ser sombra dele, não perde a pose de "sou estudante da usp e entendo de folclore brasileiro e de realidade social". Nada contra - é tudo uma questão de pespectiva.

***
Mas a verdade é que quando um Miles não é Miles de essência, é uma delícia. São homens inteligentes que sabem usar do conhecimento sem abusar de arrogância. Têm humor e uma malícia própria de quem gosta da vida, das pessoas e de aprender. Aí sim. Bota afrodisíaco nisso.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Cumple de Natalinda

Querida Natalinda,
Foram muitas manifestações de saudades em virtude do seu aniversário. O Amyr Kink mandou um bolo pra cá, achando que vc já tinha chegado. Domage... comemos aqui na redação mesmo. Já o Lenine me pediu seu endereço em Barcelona. Disse que queria te enviar uma orquídea especial. Um tipo que só nasce no dia 01 de dezembro, em altas montanhas pertinho do céu - o nome? labiatus floris raposis. Vc recebeu? Fiquei curiosa pra saber se ela tem tons azuis ou violetas.Depois vc me conta?
Mas não parou por aí, amiga. A Zlata estava doida pra te encontrar, disse que te deixou um recadinho no Facebook, mas vc não respondeu. Eu até falei pra ela que vc devia estar de ressaquilda. Muita sangria. Anyway, depois vai lá responder pra ela, tá?
O último dos moicanos, foi o Waltinho Moreira Salles. Ligou aqui na redação e eu emudeci completamente. Estava atrás de vc, pra participar de um filme, na verdade nem lembro direito o que ele falou, de tão inebriada que eu estava. Imagina, a doidinha da Isabela contou pra ele, numa mostra em Buenos Aires que nós duas éramos amigas. Pra tornar a longa história, curta, ele quer vc aqui em dezembro pra fazer o teste do filme dele. Eu falei: “Waltinho mi amor, calma, ela chega dia 22”. Ele ficou aliviadíssimo e até nos convidou para um chopp.
Linda, mas nenhum deles te desejou um feliz aniversário tão cheio de saudade do que eu.
Vem logo, vem.
beijos da Mazi

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Anos dourados

Talvez fosse uma própria petulância minha. Mas reencontrá-lo é sempre me certificar que alguma coisa quebrou para sempre. É bater de frente com aqueles episódios já desgarrados da história. Petulante, ele. Menino, homem. Homem, menino. Apontou meus defeitos com o dedo indicador, sem misericórdia. E tinha uma voz que fazia cócega. O primeiro amor a gente nunca esquece ? Não necessariamente. Mas como pondera Francisco : "é desconcertante rever um grande amor".
"Não posso ser negligente com o meu passado" - me disseram outro dia. E eu nunca seria negligente com aquele moleque frouxo encima de uma bicicleta. A voz perfumada e as palavras sempre resplandescentes. Eu, menina, dosando a intensidade do batom, aprendendo a dar nós em laços afetivos. Tudo agora, tem asas nele. Até a beleza magoada do olhar. Inquieto, perturbado. Eu perguntei: "tudo bem?" E ele respondeu: " Tudo intenso, como sempre". Ele ainda pousa os olhos com pedras e palavras. "Bom te ver", disse com um riso eufórico e nostálgico. E, embora ecoasse na minha cabeça: "como eu posso ter me desconectado dessa maneira de alguém que já me preencheu tanto ?", brilharam pequenas memórias: uma fita cassete esquecida no carro, cinemas às quartas-feiras, Caetano cantando Odara. Que o silêncio nunca foi a nossa qualidade, eu sempre soube. Ao contrário dos espaços infinitos e das brigas nas escadarias da vida. E passou. Ontem quando no telefonema descabido, a tal voz rouca sussurou "linda", não havia colorido ou trilha sonora. Nada de badalar dos sinos. Só a certeza e a segurança de que não existe mais espaço para canastrices ou exclamações. Porque a cólica cessou e os ressentimentos foram amaciados por rosas que nasceram. Parece dezembro de um ano dourado...

BRONCA

Ei psiu... será que você não tem vergonha, não? Eu desisto de entender esse tanto de coisa ruim, porque me escapa completamente. É um dia normal, nem bonito nem feio. Vou trabalhar nem triste nem alegre. Aí tem sempre algum infeliz que vem roubar seu rastrinho de luz. Mas pera aí... ninguém vai roubar meu rastrinho de luz nããããããão. Pôxa, é tão difícil de manter ele no dia-a-dia. Quem você pensa que é, para chegar e passar esse aspirador de positividade no meu pensamento? Não, porque se eu fosse cutucar, colocar os dedos nas feridas... tudo bem. Mas não é isso, é esse jeito tão negativo, essa carga pesada, esses adjetivos ofensivos. Não quero ninguém mexendo no meu rastrinho de luz. Acho isso injusto, inescrupuloso e egoísta. Achou pesado? ups. É graças a pessoas como você, que gente como eu aprende - na marra e à contragosto - a se defender. Ah é, né? “a contragosto” não tem crase, certo? Agora está tudo no português correto, e o coração arranhado. Tá satisfeito?

Bebelita

A foto, roubei da mamis: http://doidivana.wordpress.com/
A gente se encontrou totalmente sem querer. Ela chegou, toda charmosa, sempre: Bebel. Isso sem contar o nome de artista, Bebel de Barros. Coisa fina, a Bebelita. Foi paixao total, desde a primeira vez que ela falou pra mim- meio de lado- “vamos fumar um cigarrinho?”. Ela é tão ela mesma. É a musa da mercearia, o merenguinho dos escritores, é a minha mais nova irmã mais velha. Puxa minha orelha, me dá bronca como ninguém. Mas sabe ouvir meus choramingos, me dá colo e não cansa de me fornecer vitalidade. É a minha Bebelita amada. Essa escorpiana manhosa, que senta no bar, toma uma cervejinha, e vai dando uma animadinha daqui, sobe o sambinha no sangue e quando ela entra numa pista de dança... ah, meu amigo, ninguém tira ela de lá. A princesa do kung -fu, entende de culinária, conhece todos dos cantos e recantos daquela Vila Madalena - de depilação à loja de vestidos de casamentos. Conservadorinha, soooofro pra fazer ela conhecer lugares novos. Tá sempre naquele roteirinho básico. Mas é doce, me conhece e me sacou desde o começo. Ela sabe quando eu falo sério ou quando é só mumunhas de menina mimada. Minha Bebelita, atriz. Cheia de caras e bocas, ela abraça minhas amigas de verdade. Acha graça na vida, adora pechinchar roupas, sempre com as unhas vermelhas e os cabelos de Trigresa. Ela me chama de floricultura , me olha com amor e ainda tem uma mãe... que já virou minha.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Mumunhas

Arrefecendo as palavras, afrouxando os nós. Devagarinho a gente vai se libertando um do outro. Aos poucos, toda bobagem que vc me falar, não vai me atingir. Isso é libertador, é triste e é como um mandamento. Aquelas pinçadas no coração se tornam alentos, matéria prima para raiva que toma o lugar da culpa. Esse estranho medo de perder a luzinha, estilhaços das palavras mal colocadas. São passos de tango sem música. Escorregões em ladeiras molhadas. Ser quase sempre, é também um pouco não ser nada. Tudo isso é de uma beleza épica e cansativa. Duas notas acima do tom e dois degraus abaixo do céu.

Aniversário da Megale

Eu também não sei dizer qual foi o momento que a gente passou de colegas de classe "ela é filha do meu oftamologista" à primas de verdade. Mas foi e é muito importante. Hoje e sempre. Eu, quando era pequena, também tinha muito medo de chuva, Re. E pra ser sincera tenho até hoje, quando é muito forte. O barulhão, aquele clarão no céu. Mas com o tempo foi passando e eu até aprendi a ver alguma beleza nessa coisa assustadora. Acho que a gente muda, as vezes. Lembro de tudo, prima. Dos lançamentos com as pandocas. Da gente cantando juntas aos berros no carro: "quero que vc me pegue, me abrace, me beije, me ameeeee...". Quando eu bebinha, capotei na sua cama e vc tirou minhas botas. E quando vc me adota pra passar o final de semana com a sua familia italiana. Os primos, as primas. Lembro da gente deitadas naquela praça em Paraty e de vc indo no eventomaismaladouniverso do meu trabalho. É tão de verdade , tudo isso. Nós duas, depois de assistir sex and the city, tendo ataques de consumismo no shopping Villa Lobos. Todas as vezes que vc segurou a minha mão, e todas que a contra-gosto, vc me deixou segurar a sua. E as nossa briguinhas de ciúme. Não suporto essas suas amigas chatolas e nem os 800 mil casamentos que te impedem de ir pra praia com a gente. Vc tem ciúme das homenagem que eu faço no meu blog-bobo. Eu amo os emitocons que vc tem para cada momento exato e as expressões que vc inventa: "gente, segura um pouquinho" virou mania nacional. Lembro do seu choro quando o valentín fugiu num ataque de adolescente rebelde. E o jeito carinhoso que vc lida com o papas. Só vc entende minhas mumunhas - sabe a melodia delas. E essa coisa que vc irradia, como se fosse um imã, que aproxima pessoas iluminadas. Já reparou quanta gente legal orbita em torno de vc? Caminhadas na praça da bennet, braços pra cima no samba do Municipal. Eu puxando a sua orelha porque vc dá importância pra quem te faz mal. E vc, colorida ganhando abraços do Caetano Veloso.
Eu amo vc, prima.
E te quero na minha vida sempre.
Um beijo cheio de carinho no seu aniversário.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Schopenhauer- o retorno



... e ele está fazendo a maior birra porque não vamos passar o reveillón juntos. Schopenhauer volta a terrinha do samba e do pandeiro no dia 14. Vai chegar daquele jeito, todo Betinho, com o violão debaixo do braço, fazendo chaaaaaaaaaaaaaarme na hora de tocar, e todo mundo vai se derramar em superlativos: “vaaaaaaaaai Betinho, vc toca tão bem”, “eu quero gilberto gil”, “eu quero canto de ossanha”. Betinho Schopenhauer-blanco y negro- esta canción,vai chegar hablando espanholito, querendo atualizar a agendinha. Cervejinha daqui, dedilhado dali. Dorminhoco e carinhoso, o Betinho. E a gente canta junto com ele: No mar...

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

é... ela é.

Um pouco sobre Chico Buarque

Instigada pela pergunta da minha amada Ju, fiquei pensando no Francisco. Aliás, eu sempre penso no Francisco. Alías, quem não pensa no Francisco? Ju me pergunta: “Como ele faz isso, Mazi?” fui em busca de respostas - busca inútil, claro. Porque aí a gente começa a fuçar nos versos. E não dá pra explicar, não mesmo.
Porque é assim gente, toda mulher que se preze, sabe que grandes momentos, exigem ele - o único - o Francisco. Tá feliz? Joga o Chicão lá: “Seus filhos erravam cegos pelo continente” e samba na cozinha. Tá na fossa, pas de problem... Chico tem a resposta: “olhos no olhos, quero ver o que vc faz...” Enfim, foi pensando nisso que elaborei a "playlistFranciscoMazi" for all moments, estão todas aí. Não necessariamente nessa ordem. Amo.
- A história de Lilly brown - Essa é para momento de charmito- a música é toda caras e bocas. É para quando vc quer fazer graça pra ele, pro buni que ainda não é nada. A música é puro ombrinhos , sorrindo e dizendo: “ me desmilinguindo toda ao som do blues”.
-Futuros Amantes - Ahhh Francisco. Gente, ele sabe. Essa é para o momento “segura um pouquinho”. Ele consegue acalmar a gente, porque toda mulher é ansiosa, fazer o quê? Até que Francisco chega e fala: "Não se afobe, não/Que nada é pra já/Amores serão sempre amáveis/ Futuros amantes, quiçá".
-Mil perdões -“ te perdôo por fazeres mil perguntas, que em vida que andam juntas, ninguém faz”. Já diria Vovó Arlete - Não erra na mão, filho. Errou na mão, perdeu. Letra dolorida e verdadeira, perfeita pra momentos, que vc quer jogar a culpa pela janela e rodarexuberantemeperderdeti: “te perdôo por te trair”...
- Com açúcar, com afeto - Essa é perfeita pro momento Amélia-master. É quando vc já enfiou o pé na jaca mesmo, tá com o cara que é cafa, tá super no clima: “Só o que eu quero no mundo é dormir e acordar com meu moreno e o resto que se exploda", vc nem liga pra o que as suas amigas te falam e canta, sem um pingo de vergonha na cara: “Quando a noite enfim lhe cansa, você vem feito criança, pra chorar o meu perdão, qual o quê?” .
- Atrás da porta - ok, fooooooooooooooooooooooooossa pura. Deixa ela ocupar mesmo, canta sozinha, amiga. No carro, em casa, se for a gravação da Elis, então... deixa sair: “E me arrastei e te arranhei. E me agarrei nos teus cabelos/Nos teu peito, teu pijama./Nos teus pés ao pé da cama. Sem carinho, sem coberta. No tapete atrás da porta.Te adorando pelo avesso. Pra mostrar que ainda sou tua”.
-Trocando em miúdos- é isso aê meu filho... vai embora mas deixa o Pixinguinha aqui! Essa é incrível, mas é boa pra enxugar as lagrimitas, minhas queridas, Chico não nos abandona, ó lá:"Eu bato o portão sem fazer alarde/Eu levo a carteira de identidade/Uma saideira, muita saudade/E a leve impressão de que já vou tarde".
-Palavra da Mulher - Ahhhhhhhhhhhh agora, aguenta a louca. Não atiçou? Seduziu, provocou? Agora meu bem, aguenta a mulher apaixonada. É, ela sim... que existe dentro de todas nós, mas a gente abafa, pelo bem estar da civilização, para não paracer uma desiquilibrada... mas quando ela vêm, não há o que segure a doidona:"Vou chegar/A qualquer hora ao meu lugar/E se uma outra pretendia um dia te roubar/Dispensa essa vadia/Eu vou voltar".
-O meu amor- Essa música é incrível. Mas não é para qualquer momento, nem para qualquer amor. Não é tooooodo homem que tem esse appel não. Hum, e o Chico sabe que essa coisa de arrepio, calafrio é para quem entende do assunto. E me respondam, quando a gente esbarra com um desses, quem quer dividir: "O meu amor tem um jeito manso que é só seu/Que rouba os meus sentidos, viola os meus ouvidos/Com tantos segredos lindos e indecentes/Depois brinca comigo, ri do meu umbigo/E me crava os dentes"
-Deixa a menina sambar - é né gente. TODO MUNDO sabe o que é isso. Você tá lá, num dia inspirada, louca pra dar umas borboleteadas e de repente o que vc avista no gatinho? O bico, a cara amarrada, a trombinha básica. Gracias Francisco por brigar com eles: “se ficar enrustido, com essa cara de marido a moça é capaz de se arrepender”.
-Joana Francesa- “ Quem me enfeitiçou/O mar, marée, bateau/Tu as le parfumDe la cachaça e de suor/Geme de preguiça e de calor/Já é madrugada/Acorda, acorda, acorda, acorda, acorda".
Dispensa comentários, né?

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Gota d´água

Eu adoro essa peça. Por mil motivos. Primeiro porque vi uma montagem maravilhosa. Depois, porque tudo que é inspirado nessas paradas gregas... são a mais pura verdade. Tava já com esse diálogo há um tempo no computador. Como sempre, Natalinda teve uma transmissão de pensamento comigo e me mandou esses dias. Haja estômago e coração pra agüentar esse Francisco. Ele fala de dor, de rejeição e de lira.

Joana diz:
Pois bem, você
Vai escutar as contas que eu vou lhe fazer
Te conheci
Moleque, frouxo, perna bamba
Barba rala, calça, bolso sem fundo.
Não sabia nada de mulher nem de samba
E tinha um puta de um medo de olhar pro mundo.
As marcas de homem, uma a uma Jasão,
Tu tirou todas de mim.
O primeiro prato,
O primeiro aplauso, a primeira inspiração.
A primeira gravata, o primeiro sapato
De duas cores, lembra?
O primeiro cigarro,
A primeira bebedeira, o primeiro filho,
O primeiro violão, o primeiro sarro,
O primeiro refrão, o primeiro estribilho
Te dei cada sinal do meu temperamento,
Te dei matéria pro teu tutano
E mesmo nessa ambição, neste momento,
Se volta contra mim, eu te dei, por engano.
Fui eu Jasão, você não se encontrou na rua
Você andava tonto quando te encontrei
Fabriquei energia que não era tua
Pra iluminar uma estrada que eu te apontei
E foi assim que eu vi nascer do nada
Uma alma ansiosa, faminta, boliçosa
Uma alma de homem.
Equanto eu, enciumada.
Dessa explosão, ao mesmo tempo, eu vaidosa,
Orgulhosa de ti Jasão, era feliz.
Eu era feliz, Jasão, feliz e iludida,
Porque não imaginava
Quando fiz dos meus dez anos uma sobrevida
Pra completar a vida que você não tinha
É que estava disperdiçando meu alento,
Estava vestindo um boneco de farinha
Assim que bateu o primeiro pé de vento,
Assim que despontou um segundo horizonte,
Lá se foi meu homem -- orgulho, minha obra
Completa, lá se foi pro acervo do Creonte.

E fala de uma intensidade que destrói qualquer soprinho de sentimento...

Jasão responde:
Você é viagem
Sem volta, Joana.
Agora eu vou te contar
Pra você, sem rancor, sem sacanagem,
Porque é que eu tinha que te abandonar.
Você tem uma ânsia, um apetite
Que me esgota.
Ninguém pode viver
Tendo que se empenhar até o limite
De suas forças: sempre pra fazer
Qualquer coisa.
É no amor, no trabalho,
É na conversa, você me exigia
Inteiro, intenso pra tudo caralho.
Tinha que olhar pro céu pra dar bom dia,
Tinha que incendiar cada abraço.
Tinha que calcular cada pequeno
Detalhe, cada gesto, cada passo,
Que um cafézinho pode ser veneno
E um copo de água, um copo de águarrás.
Só que Joana, a vida também é jogo,
É samba, é piada, é risada, é paz.
Para você não, Joana, você é fogo.
Está sempre atiçando essa fogueira,
Está sempre debruçada na quina da ribanceira
Sempre na véspera do fim do mundo
Pra você não há pausa, nada é lento,
Pra você tudo é hoje, agora ,já
Tudo é tudo, não há esquecimento
Não há descanso, nem a morte não há.
Pra você não existe dia santo.
E cada segundo parece eterno
Foi por isso que eu te amei tanto,
Porque Joana, você é um inferno.

Nossa né, gente? Que amor dolorido, vamo combiná!
:)

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Melhor do que reencontrar alguém, é reconhecer. Sabe, sei lá, as vezes vc conhece um pessoa em um contexto estranho que não tem espaço, ainda, para aquele encontro. Aí tempos depois, vcs se reencontram e se reconhecem. Start over again. E aí... aí é uma delícia. Com essas duas irmãs foi assim. Demorou o perfil delas mas veio. Duas mulheronas de parar o trânsito, que entraram de novo na minha vida, num balão colorido - vôo rasante. O melhor é quando a gente percebe o momento exato que fica amiga de alguém. O meu momento com a Clara foi quando depois de ouvir minhas mazelas de mulherzinha num jantar desses de aniversário, ela me viu, cair nos braços do erro - toda mulher tem o seu “erro”, e a Clarinha -embrulha, me mandou um daqueles olhares cúmplices, sabe? Do tipo “vai viver, Má. Depois a gente pensa nas consequências”. Isso foi lindo e é o tipo da coisa que vc não tem com as amigas antigas - só com as “re-conhecidas”. A Maricota também. Foi comingo que ela pegou a estrada pela primeira vez e foi com ela, na Barra do Una, que tomamos uma garrafa de vinho cada uma, sem notar que o passar da noite inteira e o dia amanhecendo. A gente dança Madonna na sala, sorri pra luz da Luciana e divide os mesmos problemas das amigas antigas - isso, gente, só com amiga “re-conhecida”. Mas ela fisgou mesmo, o lugar na curvinha do coração, quando percebeu um momentinho desconfortável pra mim. E, sem dizer nada, foi me dar um abraço. Vcs sabem, abraços certos em momentos certos, para uma panda, é tiro certeiro. Adoro o carinho que as duas têm uma pela outra. E o jeito que elas olham o mundo- sem inveja de nada. Adoro que a Mari me chama de “zó” e entra nas brincadeiras, com muito pra trocar - coisa de amiga “re-conhecida”. Me dá ternura quando eu a Clara cobiçamos mutuamente as bijuterias uma da outra: a gente ainda precisa fazer um escambo de cacarecos - o mundo de objetos de uma amiga “re-conhecida” é infinito e interessante. Adoro que elas são doces na medida certa, sem um pingo de cinismo. E elas sabem... a gente se reconheceu - agora não desgruda mais.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

TERESOCA

Lembro como se fosse hoje, o dia em que eu vi um brilhinho especial nos olhos do meu irmão. Eu estava aboletada do quarto dele,porque queria ver algum desses especiais de adolescente da globo enquanto meus pais liam na sala. O Fe, como sempre, me deixou ficar ali empolgadissima, enquanto ele falava ao telefone. De repente eu flagrei o brilhinho, era inégavel -era bilho de amor. Eu tinha só 12 anos, mas já entendia de lirismo. Quando ele desligou o telefone, deixou escapar um : “conheci uma menina muito legal, Má. Linda e inteligente”. Eu sorri e só fui conhecer a Cacá, na “festa-baile” do meu aniversário de 13 anos. Ela chegou meio tímida, enfrentou a tríade-parada-dura ( 2 cunhadas ciumentas e uma sogra), me trouxe flores e me abraçou por inteiro. Assim começou o namoro que entre indas e vindas, choros e beijos apaixonados durou quase 9 anos. Ela encomendou para ele, num aniversário, uma serenata dos Trovadores Urbanos e mandou um vaso enorme de girassóis. Ele saiu de madrugada só para matar um besouro gigaaaaaaaaaaante na casa dela. A família viveu emoção por emoção: O ano que ela foi para França e o ano depois, em que ele foi para a Itália. A cada despedida, muito choro e expectativas . Ele sempre caxias e justo, ela sempre espontânea e escrachada: “ Seu irmão é muito velho, não gosta de sair”, dizia ela. “ Meu, acredita que a Cacá quer fazer o aniversário dela num karaokê?”, rebatia ele. Sempre juntos, rindo um para o outro, com aquela leveza invejável. Ele - culto e politizado , ela- noveleira e chegada em um sambinha.Ela me contou, alguns anos depois, que eles se conheceram em uma festa da “psico da puc”, quando ela estava meio bebinha, dançando sozinha na pista. Ele diz que ela não estava nada bebinha e que “se apaixonou por mim, logo de cara”. Foi depois de tanto pintar e bordar que eles, no melhor estilo Chico Buarque : “vamos nos casar na igreja, chega de barraco, chega de piti”, jogaram flores para o alto e se acabaram de dançar na pista há 3 anos, numa festa linda de casamento. Ele beijou a aliança dela e disse que era para ela “se comportar direitinho”. Ela claro, recitou uma música do Roberto Carlos e chorou até não poder mais. E hoje, depois de 11 anos juntos, nasceu a coisinha mais fofa e deliciosa da face da terra... a Teresa.
...vai dizer, não coloca qualquer filme de amor no chinelo?
:)
... He rocks

and she knows...

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Panda em dia de fórmula 1

Tem alguns momentos da vida que quem é panda se reconhece e não consegue negar. Se você é uma menina normal, vida tranquila, sem grandes obsessões (tirando chocolate, é claro), e só porque se interessa pelas coisas que em pauta, resove assistir uma corrida de fórmula 1 ... ok, nada demais, vc é normal. Se você estava disposta a assistir a largada e depois ir até a piscina onde estavam os seus amigos: “ouvindo o Robertão e falando de realcionamentos” - ok, você ainda é normal. Mas se no meio do caminho, vc se envolve com a coisa intensamente. Se sensibiliza com o fato de Felipe Massa ter que chegar em primeiro e o outro em sexto e pensa: “mas pô - se ele tá em segundo no campeonato, não basta ganhar ?” e então entre um cochilo e outro ouvindo aquela narração INSUPORTÁVEL do Galvão Bueno, vc decide que vai assitir até o fim, porque afinal de contas, vc é panda e o Felipe Maaaaaaaassa precisa da sua energia -comece a desconfiar. Algo de muito fofo, ocupa seu coração. Se vc chorou quando o Felipe - pessoa que não te despertava, até então, NENHUM sentimento - secou os olhos, bateu no peito e colocou aquele boné - sim, sim, vc é panda. Se você acha aquela mulher do Hamilton - de quinta categoria - não há como negar.
Felipe querido, as pandas estão com vc, tá?
bjobjo

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

dos finais de semana

e um vaga-lume
lanterneiro que riscou
um psiu de luz ( do Guimarães, óbvio)

... psiu daqui e dali. Na Barra do Una. Um coral de 4 azeitoninhas reunidas, cantando alto: “Cause I´m leaving on a jet plane, I don´t know when I´ll be back again...”. E rindo do Kevin Costner no “dançando com lobos” e andando em praia de tombo, dividindo sonhos terrestres. São 4 vaga-lumes atrapalhadinhos, não têm hora de brilhar, nem de apagar a luz. Mas gostam de biscoito de banana com canela. E permanecem com olhos abertos mesmo com o maior sono do mundo. Lindas essas meninas que falam sobre cores de almofada e mergulham e mares bravos, cheios de ondas. São fiozinhos saindo da terra, em busca de algum psiu de luz.

carta de Mãe XVI

Filhinha aprenda a se blindar contra seus inimigos:
“Braços abertos
Coração ferido
Que o sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo
Se interponha entre eu e o perigo”

Outra:
“São Miguel Arcanjo que venceu o dragão do Mal
Proteja e defenda o meu corpo e a minha alma de todos os perigos
Com sua espada de Luz . Amen” [essa eu rezo todas as noites antes de dormir;

E a mais famosa é a Oração a São Bento:
“A cruz de Cristo seja minha Luz
Não seja o dragão o meu guia
Afasta-te Satanás.
Não me ofereças coisas vãs.
É mal o que tu me ofereces.
Bebe tu mesmo o teu veneno” [é a que a vovó rezava]

São todas orações muito poderosas.Escolha a que mais tocar seu coração e reze,sempre,que se encontrar
em perigo. Ponha fé nas palavras — elas são poderosas.

Alguém vai dizer que não?
AMEN.