segunda-feira, 27 de outubro de 2008

dos finais de semana

e um vaga-lume
lanterneiro que riscou
um psiu de luz ( do Guimarães, óbvio)

... psiu daqui e dali. Na Barra do Una. Um coral de 4 azeitoninhas reunidas, cantando alto: “Cause I´m leaving on a jet plane, I don´t know when I´ll be back again...”. E rindo do Kevin Costner no “dançando com lobos” e andando em praia de tombo, dividindo sonhos terrestres. São 4 vaga-lumes atrapalhadinhos, não têm hora de brilhar, nem de apagar a luz. Mas gostam de biscoito de banana com canela. E permanecem com olhos abertos mesmo com o maior sono do mundo. Lindas essas meninas que falam sobre cores de almofada e mergulham e mares bravos, cheios de ondas. São fiozinhos saindo da terra, em busca de algum psiu de luz.

carta de Mãe XVI

Filhinha aprenda a se blindar contra seus inimigos:
“Braços abertos
Coração ferido
Que o sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo
Se interponha entre eu e o perigo”

Outra:
“São Miguel Arcanjo que venceu o dragão do Mal
Proteja e defenda o meu corpo e a minha alma de todos os perigos
Com sua espada de Luz . Amen” [essa eu rezo todas as noites antes de dormir;

E a mais famosa é a Oração a São Bento:
“A cruz de Cristo seja minha Luz
Não seja o dragão o meu guia
Afasta-te Satanás.
Não me ofereças coisas vãs.
É mal o que tu me ofereces.
Bebe tu mesmo o teu veneno” [é a que a vovó rezava]

São todas orações muito poderosas.Escolha a que mais tocar seu coração e reze,sempre,que se encontrar
em perigo. Ponha fé nas palavras — elas são poderosas.

Alguém vai dizer que não?
AMEN.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

mumunhas

Entre panos e cores, você aparece de novo. Faz uma brincadeira, abraça aquele abraço que tira meus pés do chão. Eu caço só o rastrinhos dos olhos verdes. E quero roubar seus óculos para você nunca mais olhar ninguém desse jeito que você olha pra mim. E você aperta minha mão. Ah... esse coração sitiado, cheio de grades por todos os cantos. Afeto escorrendo pelos buraquinhos, escapados nas frestrinhas de luz. Como é possível se sentir tão segura perto de alguém? A gente não se aguenta ... será que você pode rir mais um pouquinho? Esse riso feliz, virado pra alegria do mundo? É que você sorri prometendo tudo- embrulhado em ouro. Vamos partilhar o fogo e colher gravetos. Vamos subir em silêncio até o céu e pintá-lo de vermelho? I was born to love magic. Você, passageiro - usocapião :) de pensamentos lindos. Pega aquela florzinha amarela ali, vai...

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Sobre a namorada dos amigos homens

Então, mas difícil que lidar com os amigos homens. É ter que lidar com as namoradas dos amigos homens. Uh -lá-lá. É ... porque nem sempre os ciúmes são declarados, as vezes elas têm ciúme das suas amigas e não de vc e acabam misturando todas as bolas. Podem até ser queridas, mas não sabem manifestar... Então eu fiz um pequeno guia, para as que sofrem do mesmo mal que eu: Adoram seus amigos e têm dificuldade de encaixar da maneira certa, essas meninas que não tem culpa de nada, na sua vida.
- A namo novata: coitada. Seu amigo não dá muita bola ( porque está inseguro). Ela, chega em uma patota (que não a dela), lotada de meninas que dominam o ambiente e marcam o território. Acaba por ficar tímida e ganhar a compaixão dos meninos da patota, causando então uma revolta geral na ala feminina. sintoma nas amigas mulheres: DÓ
- A inteligente: essa é bem esperta, vive na base do “ se não pode vencê-los junte-se a eles”. Em vez de bater de frente com as amigas mulheres, trata elas muito bem, é simpática, sabe perceber quando a hora não é dela, ademais, é querida, tem senso de humor e não deixa transparecer o ciúme exageradamente. sintoma nas amigas mulheres: DESCONFIANÇA
- A dissimulada: essa é fogo. É... ela trata mal o seu amigo na frente de todos, depois arma barracos de ciúme. O coitado sempre sem reação. Ela faz imposições, priva ele de estar com o grupo que, evidentemente, a detesta e ainda por cima... se faz de vítima. Sintoma nas amigas mulheres: RAIVA
- A doentinha: hum. essa é díficil. É do tipo que está sempre com uma tossezinha, uma dorzinha de cabeça, um machucadinho no pé. Seu amigo, coitado, passa de namorado à enfermeiro: “foi mal, galera mas não vou faser a trilha porque a fulana não tá muito legal”. sintomas nas amigas mulheres: BODE
- A ciumenta: Ah... meio mais do mesmo, né? Esse gênero cria casos, proíbe seu amigo de falar com amigas mulheres, é controladora e não suporta que antes dela, já tenha existido outras mulheres na vida dele. sintoma nas amigas mulheres: HIHI VINGANÇA
- A quietinha: Ah... tem sempre um amigo que inventa de namorar uma pseudo- freira. E olha que eu mesma sou bem santinha. Mas essas, não comem, não bebem, palavrão-deusmelivre, não entendem de cinema, não gostam de pisar na terra, tem medo de água gelada. Sintoma nas amigas mulheres: SONO
- A clássica: eu sempre respeito as tradições, portanto para falar das clássicas, é necessário dizer que tenho por elas, grande respeito. Ser a namo de um amigo clássica constitui em : ser ciumenta, birrenta, ter personalidade, saber usar o poder, ser discreta e inteligente. Sintoma nas amigas mulheres: MEDO
- A ideal : aha. Não é qualquer uma e não é comum. Mas eu já encontrei algumas que hoje moram no coração. A namo ideal é aquela que despretensiosamente chega e vira sua amiga também. Não é espaçosa, mas tem tanta graça e é tão segura de si, que acaba por conquistar o afeto da smigas mulheres sem forçar nada, de uma maneira muito natural. Além de tudo, ri das histórias do passado sem mágoas ou ressentimentos. Sintoma nas amigas mulheres: PARCERIA

Ai que saudades eu tenho da Bahia

Aí ele amarrou uma pulseirinha do Senhor do Bonfim no pulso dela: ‘faz três desejos, mas não pode contar para ninguém senão não realiza tá?”. Ela obedeceu. Fechou os olhos e pensou bem forte. Ali no fundo, som de capoeira e cheirinho de Maresia. Plin plin. Se realizaram os pedidos? Ninguém sabe...

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Olha ele aí

Agora ninguém segura esse baixinho- ele caiu na rede. Vai viciar todo mundo nas expressõezinhas e vícios de linguagem. É um pega pra capá - é verdade. Mas não dá pra largar. Eita amor que é pior que vício: a gente briga muito. Mas não adianta, eu não largo dele. Pode o mundo estar acabando, seqüestros, crise dos bancos centrais... porque me emociona toda vez que eu leio as matérias dele e vejo que tem a personalidade dele. Amo quando ele ri das obveidades da vida. Mesmo com as alfinetadinhas que doem como caquinhos de vidro no fim de festa, ele mora no coração. E quando penso que vou dar um gelo nele, não consigo. Não consigo porque ele tem um risinho entrecortado que eu adoro. Ele canta músicas bregas de um jeitinho de verdade que é só dele. Ele dança comigo na na pista quando todo mundo tá parado. E saber ser adorável. Bem vindo pildo: blogdoxote.blogspot.com

quinta-feira, 16 de outubro de 2008


Querida Natalinda,
E não é que eu entrevistei o Lenine? Sim. Foi ali num hotelzinho na Alameda Lorena. Ele chegou uma hora atrasado, todo esbaforido me perguntou: “Vc se importa de eu comer durante a entrevista?”´Dãr. Óbvio que não, aliás isso é um prato cheio pro meu abre: “será que ele é vegetariano? será que toma suco, refrigerante ou whisky?” Rá - nada. Tomou água e comeu carne vermelha - como eu amo pessoas que não são óbvias, Nata! Começamos a falar de música, carreira e manias. Ele me disse que é casado há 30 anos, encheu a boca para falar dos filhos... e depois falamos de orquideas. Ele é um “orquidoido”, como ele mesmo diz, me explicou todo o ciclo e a beleza dessa espécie de flor de uma maneira tão interessante que acabei ficando meio “orquidoidinha” também - saí de lá, louca pra comprar uma amarelinha e deixar lá em casa. Enfim, falando de orquideas, ele me contou que conheceu vc ali, num orquidário em Recife, certa ocasião que vc tava de férias com a Isabela: “ Ela era tão impressionante que eu achei fosse uma orquidea ali no meio de tantas outras”. Eu falei que sim, sim vc era uma florzinha de raposa e pasme! Ele me contou que conhece flores de raposa e que elas são quase tão raras quanto às “labiatas” que é o nome do disco dele. A entrevista foi demais Nata. Aquele olhões verdes e o sorriso afável fazem juz ao compositor do olho de peixe. Lembra daquela aula do waltinho? que ele colocou pra gente o cd do Lenine e a gente ficou arrepiada ouvido: “eu tava na beira da praia ouvindo as pancadas das ondas do mar?” Eu ouvi esse cd até riscar. Depois perguntei pra ele se o lirismo amoroso era uma fonte de inspiração: ele sorriu, suspirou, olhou no meu olho e disse: “ no fim, sempre é a mulher, eu não seria nada sem a minha”. Eu sorri, cúmplice. Conversamos por mais algumas meias-horas. Ele me avisou que vai fazer um show em Cáceres, na Extremadura, e que é pra vc procurar ele lá. Eu disse que repassava o recado desde que eu pudesse ir também. Rimos muito. No fim eu só pensava: “meu deus... que pessoa LEVE” e enquanto eu divagava ele me disse, todo buni: “Vc tem conhecimento, mas não é pretensiosa”. Pode? Fui dormir feliz e no meu sonho ainda embalava ... “pois no dia em que oce foi embora/ Eu fiquei sozinho olhando o sol morrer/Por entre as ruínas de santa cruz ... ”

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

tipo direto da Índia


Depois da semana em que gravamos naquela vila rural chamada Auroville, voltamos a medonha Chennai. Medonha pelos corvos de bico negro que reluz como onix puro, e olhinhos injetados que pousam ao meu lado na maior cara-de-pau. Em muitas horas me sinto sobrando por aqui com os meus nojinhos e medinhos. Estamos hospedadas no flat da produtora Prasad Studios, é um condominio de predios com verde e piscina, um oasis no meio da caotica metropole. Mas todo e qualquer estranheza é abafado pelo perfume de lírio que escapa dos cabelos das indianas. É tão bom. Ontem mesmo topei com um indiano no elevador que levava numa sacolinha de plastico um ramo de flores: “é pra sua esposa né?” - tentei articular, mas ele desceu rápido no terceiro andar e subi ao sétimo, envolta no ar de lirio que se formou ali. E me lembrei de vc querida. Da tentativa de convencer as meninas a usar flor na festa do chute o balde, lembra? Da florzinha que vc usa no ar-condicionado do carro, e de todo o perfume e doçura que vc exala por onde passa, sempre.Te mando muito amor...pelo computador.Beijos com saudades Nataly

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Sobre a amizade entre homens e mulheres

É sempre um assunto polêmico esse da amizade entre homens e mulheres. Há quem acredite que não existe, ou quem não consegue ser amiga de homem. Sei lá o que se passa na cabeça de cada um. Mas eu sempre tive muitos e bons amigos. São anos de experiência, mil e um tropeços, 499 conflitos, mas existe. É só uma questão de querer - amizade only- de ambas partes. Quando eu digo só amizade, não quer dizer que nunca tenha passado pela cabeça de algum dos dois viver algo a mais - isso sim, é quase impossível. Mas o importante é manter o respeito e o afeto. E uma vez conquistada, a amizade de um homem, pode ser até mais fiel do que de uma mulher. Aí vai um mapa para quem quer se aventurar nessa deliciosa história de ter amigos homens.
O querido - ele é presente, companheiro e carismático. Agüenta a gente em momentos de stress, tpm, compreendem tudo do universo feminino, sabem dar colo em dias que a auto-estima está no chão. E... normalmente são gays.
O ciumento - Rárá. Os amigos ciumentos são assim: querem que você seja feliz, realizada, que se divirta... mas não deixam nenhum homem chegar perto de você. Em um ambiente de azaração colam no teu pescoço de uma maneira que todos os outros homens do recinto acham que vc é comprometida. Mas lógico, é só ciúme de amigo, sem malícia. tsc tsc.
O interessante - ele é super seu amigo, sabe trocar idéias, entende de culinária, conhece ritmos musicais inimagináveis, tem bom papo, senso de humor, adora as suas histórias, é lindo de morrer e completamente apaixonado pela namorada - que óbvio - é chata, mal-humorada e nãotemnadaavercomelepeloamordedeus!
O interesseiro - esse é super interessado - nas suas amigas. Ele simplesmente ADORA sair com você, te ver, conversar - desde que você seja uma padaria de amigas bonitas e tenha uma para oferecer a cada 45 minutos. Ah... claro, não se esqueça: ele pensa naquele ditado de que vacas malhadas não andam com pardas - então não perde a chance de tirar uma casquinha de vc também - tudo na maior amizade,claro.
O confuso - esse tipo é incrível. Vive em conflito: na vida profissional, pessoal. Não tem hora, está sempre em dúvida das coisas, é a incoerência personificada. Mil dramas, bagunças até ... com vc. Que passa do título de melhor amiga- tipo “mãe” à salvação e “ a mulher da minha vida”, em questão de minutos. Mesmo que sejam comprometidos, mesmo que estejam apaixonados, depois de uns copinhos de cerveja lá vem com o jeitinho carinhoso e o discurso “nunca te disse... mas vc é muito especial”.
O namorado da amiga- esses são ÓTEMOS. Os legais, claro. Porque tem sempre aquela amiga que namora um mala. Mas geralmente eles querem conquistar as amigas então tratam bem, são queridos, apresentam os amigos com a esperança de rolar mais um casal na patota e ainda por cima têm paciência de escutar mulherices.
O amigo do namorado - à parte dos que competem com vc, é um gênero muito bom. Normalmente são engraçados, cheios de histórias para contar, adoram dividir momentos de afinidade, adotam a gente em momentos de tensão e passam a te considerar como uma irmã, além de tudo, nos protegem.
O bipolar - Então... complicado. Esse amigo é aquele que você não gosta, é pesado, mas por qualquer razão inexplicavel, a gente não desiste deles. É do tipo que um dia te trata como uma princesa, no outro não olha na sua cara. É perfeitamente capaz de te ouvir, te procurar e um belo dia ser grosseiro porque o time de futebol perdeu. Adquirem intimidade muito rapidamente e não têm nenhum peso na consciência de sumir do mapa de uma hora para outra.
O ressentido - Esse é o mais difícil. Fruto de uma paixão que não deu certo(na visão dele) ele não se acostuma com a idéia de ser só seu amigo, então passa a te tratar mal, vive dando alfinetadas e soltando espinhos. Mas quando precisa de um favorzinho, não têm a menor vergonha de abusar da intimidade conquistada em outrora e sapateam na culpa que a gente sente por ter rejeitado eles.
O de verdade - bom demais. Esse tipo é aquele que era um paquera, virou um casinho e a afinidade era tanta que vcs resolveram ser amigos. Ele te conhece bem, sabe das suas manias e defeitos,é um conselheiro de mão cheia e... te adora. É o melhor tipo de amigo- têm a cisma e a atração resolvidos e te consideram uma amiga de verdade e não uma ficada em potencial e além de tudo, fazem questão de namorar pessoas queridas.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Efeitos de mercearia

... e aí que eu não ia beber muito, ia voltar cedo para casa porque era só uma reuniãozinha de meninas no bar. Papo vai, papo vem, uma se empolga, a outra conta que pegou o ex no flagra e ainda riscou o carro da dita cuja, aí desce mais uma gelada França!, e vem caipirinha, vai cachacinha. Uma chora as pitangas, a outra conta que está saindo com um cara, ou melhor, um menino 4 anos mais novo. Fala bem, fala mal - risadas estridentes. E maaaaaaais cerveja. Vai dando aquela animadinha (né Bebs?), sabe? O sambinha começa a ecoar na cabeça “ não deixe o samba morrer...”, o tom de voz cobeça a subir, as meninas se abraçam. Até que, uma- querida-papaanjo-ciumenta solta um: “vamos para a festa, meninas? vai ter música boa”. Ok, vcs sabem o que é um galinheiro? Agora imagina um galinheiro gracioso e levemente embriagado: isso era a nossa mesa no mercearia. Vai uma, duas, três... mil meninas patinando, rumo à tal da festa. Detalhe: em um lugar que a gente frequentava quando nem tínhamos carta de motorista - mas afinal, quem se importa com isso quando o mundo é cor-de-rosa e carvão e tudo que se quer e "rastar o pé" em uma pixtinha? Animadinha vai, animadinha vem. Conhece um, dispensa o outro, baila um pouquinho, segura um pouquinho e... 4:30 alguém desmaia na cama com a cabeça latejando, ufa! Lá no fundinho ainda dá pra ouvir: “acabou chorare ficou tudo lindo...”

Ralstonites

Ela está linda como sempre. Ainda conserva aquela risada genuína e um jeitinho de brincar com a vida que eu adoro. O abraço toma a forma do corpo e ela corresponde sempre aos sinais de afeto. Foram 2 anos longe dessa Iansã e ontem ela voltou. Como todo mundo que chega de uma viagem longa , guarda uma certa curiosidade e cansaço no olhar. Eu sei bem como é isso, fim de viagem, a gente fica cansada... quer chegar em casa, matar a saudade das ternurinhas... aí chega aqui, olha para aquela marginal, sente o peso da “vida real” e dá uma mini-pane no sistema. Mas isso passa ( viu Cá?), amém. E ... ela tá assim, meio aérea -um pouco aqui e um pouco ainda lá. Eu não. Eu to ótima - porque ela voltou. E feliz que a gente vai ficar 40 mil horas contando tudo, vamos assistir filmes do Woody Allen e falar sobre os mistérios da terra. Ela vai me ensinar expressões em catalão e vai respirar fundo quando colocar os pés no mar. É a minha maluquinha beleza mais querida. O vício mais doce. Bien -venida mi trocito de pan.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Pequenita sagrada


Essa peque, acreditem, foi nomeada uma "deusa viva". Quando vi essa foto , não aguentei. Matine Shakya tem 3 aninhos e passou por procedimentos naturais - não me perguntem quais - no Nepal, antes de ser a escolhida para substituir a atual Kumari real de 12 anos. Parece que como está chegando na puberdade, é considerada “impura para o cargo”. Com os olhos desse tamanho, essa peque-deusa vai longe, no maior estilo "Yashodhara", princesa, guerreira, ermitã.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008


Buenos Aires tem cheiro de baunilha. Luzes sépia e vento na medida certa- não faz fechar os olhos, mas movimenta os corações. Foram 2 dias. Um “recital” do Dave Matthews, um “asado” en el norte e todos hablando la lengua mas dulce. Nosso pibe, Maxi já tava esperava a gente no aeroporto todo cavalheiro - como um bom argentino que é. Logo ligou o som e disse felizinho : “ Chicas, a mi me encanta Natiruts”. Sorrimos. Foi o primeiro dos 89897897897 sorrisos da nossa nani-viagem.
***
Nós duas de novo. Nenas para cima e para baixo, igualzinho há quatro anos. Estiradas em gramadões com aquele solzinho enviado por Deus; entrando e saindo de tiendas, entupidas de helado de doce-de-leite e “patinado” no nosso cas-te-lla-no. A tomar una cerveza e dar risada das coisas que eles dizem. “Si... pero los brasileños no son facheros como nosotros - hay que se estrechar lazos Brasil y Argentina”. Sim, Maxi, sim. Chamuchando siempre.
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O mais lindo é ver as diferenças de linguagem - amo. Nacho disse que acha que os brasileiros são mais inteligentes porque usamos o verbo “experimentar” ao invés de “probar” - “Pues claro, Marilia - o sea- cuando se experimenta, se vive con todos los sentidos”. Embrulha. Sim, Nacho, mas vocês usam “que buena onda” enquanto a gente só tem um “legal” sem graça.

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Aí rola aquele momento que é o mais especial das viagens - o minuto exato em que a cabeça levanta vôo, sem nenhuma censura... se va hasta el infinito com a imaginação, só pensando coisas lindas e absurdas: “Nossa, eu muito moraria aqui nessa casinha na beira do rio da prata e tomaria ‘mate’ e dançaria quartetos e acariciaria esse cabelinho compridinho deles e deixaria todo o meu mundo pra trás”. ups - ok, digressão de los piensamientos, suspiro do mundo, epifania, alumbramentos - lo que sea.

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Como estávamos com o nosso pibe argetininho, vimos uma Buenos Aires muito pouco óbvia: familias argentinas no rio, comendo cachorro quente e passeando por ruelinhas com ar de primavera - llenas de azaléias floridas. Eles continuam lindos, elegantes e sedutores. Elas agora não têm mais cabelos modernos - deixam até a cintura, contemplam um olhar de independência e são, juro, pandas. Pandocas total. Não vimos nenhuma argentina de mala-leche.

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Eles falam do Boca como os nossos falam do Corinthians. Na bombonera tinha um cartaz gigante com as cores do time, escrito: “Colores de la passion” - quase um “ eu nunca vou te abandonar porque eu te amo”. Afetivos e convictos, esses argentinos :“ Ves, Marilia acá hay muchas canciones para Maradona” Foram 45 minutos falando da vida do homem, como o físico dele é incrível - praticamente um mutante e pasmem! como ele é bom pai: “ a las hijas les quiere mucho, hace de todo por ellas” - quase me sensibilizei - disse quase porque não, o Maradona ainda não é alguém que me toca profundamente.

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Quem me toca é o Bioy Casares e o jeito que eles olham quando a gente passa na rua. A curiosidade que elas têm de saber de nós brasileñas e uma certa melancolia na voz quando eles falam da crise financeira : “Pero Brasil está mucho mejor” - naaaaaao, a gente nunca vai estar porque não temos nem 1/5 dessa força deles.

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E metade ficou lá. Num barquinho distante, no rio da prata. Com ventinho gelado e cheiro de baunilha

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Buenos Aires

... e de vento em vento, de galho em galho...

terça-feira, 30 de setembro de 2008

... vai ver que a gente sempre foi um pouco parecido. Os dois. Dados a desfrutar da vida, a aproveitar cada nota musical, bater palmas e fazer passinhos improvisados. É, vai ver que foi esse jeito de improvisar a alegria vida. Os dois. Sei lá, talvez um tivesse que ser mais contido, menos apto a saborear as coisas. Alguém teria que ser mais introspectivo, calmo. Sabe aquela história de que em um casal, tem que existir um equilibrio? Sempre tem um bobo feliz e o outro rabugentinho. A gente é fruta do mesmo pé. Duas mangas doces, penduradas em galhos finos. Eu canto e você canta mais alto. Se eu viajo para fugir, você vai ainda mais longe- horizonte sem fim. É que os dois gostam de cachoeira, de sorrir sem limites. É. Vai ver que esse jeito de grudar uma gelatina colorida para dar um arzinho vermelho na luz... estraga tudo. Faltou alguém pra dizer que as vezes não é hora de sair, de chorar alto ou de experimentar doce-de-leite. Os dois. Sempre queridos por todo mundo. Abertos, solidários, carinhosos... não teria jeito. Ora, tem que existir alguém de mal-humor, que segura a onda do outro.Nós dois. Lado a lado no mesmo compasso, mesma batida e canção. Afinal, quem ia mostrar pra gente que a vida é dar conta das coisas ruins? Que não dá pra remendar sentimentos porque isso não é bossa, é coisa séria. "you´re gonna rule the world, don´t you know?". É muito gosto pelos sentidos, muito bliss espalhado em pistas de danças sujas e mesas de bar inebriantes.
Agora depois disso tudo, me diz: como é que eu encaixo você na minha vida? Se eu não posso cantar juntinho aquele dueto do Chico e da Gal ? "Vamos pra Bahia, dengo. Vamos ver o sol nascer, vamos sair na bateria, deixe de chilique, deixe de siricutico". Se eu tenho que te olhar de longe e perceber que a gente tá no mesmo lugar, com os dois pés fincados na lua .... e mesmo assim não dá pra ficar perto - porque a terra é nossa vizinha. Como eu encaixo você na minha vida agora, se eu não posso te falar manso... mumunhas. Como continuar os dois no mesmo galho se a gente não pode dividir o mesmo vento?

segunda-feira, 29 de setembro de 2008
















Querida Natalinda,
Estou morta de saudades. Do tipo que dói no coração. E parece que não sou só eu. Esse final de semana fui encumbida de ir cobrir o Dave Matthews - é aquele mesmo... “crash” - plantar árvores na Av. Nove de Julho. Eu já tava toda pronta pro show dele a noite, um festival sustentável lá na Chácara do Jockey, com vários artistas. Mas lá foi a Marilinha, nani-repórter, plantar árvores. Ele chegou sozinho, fez graça, cheio de brincadeirinhas, plantou e partiu pra entrevistinha. “Gente, que homem grande”, pensei eu. Meio nervosinha. Nata, o que se pergunta para o Dave Matthews ? Ainda mais quando a pauta é uma coisa tão óbvia quando sustentabilidade e meio ambiente. Mas ele, todo galenteador fez de tudo para me deixar beeeeeeeeeeeeeeeem a vontade. A começar, por falar de vc, é claro. “Well, I came here hoping that I could find a beautiful actress I met in Barcelona”. Eu fiz uma carinha bem panda e falei “Oh... Nataly? She is in India”. Obviamente ele riu, me perguntou sem parar o que vc estava fazendo aí, se estava sozinha, acompanhada, etc. Depois me contou que vocês se conheceram em um show que ele fez em San Sebastian. Você estava fazendo matéria para um site espanhol. “ I look at her and just felt nice”. Não me contive, sei que nessas horas a gente tem que ser discreta, mas não rolou. Comecei a me abrir para o Dave. Disse que estava morrendo de saudade e meu olho encheu de lágrimas... ele, homem -grande, se sensibilizou e me abraçou e abraçou e abraçou... até que quase não me deixou embora! Antes de entrar na van me miró en los ojos e disse: “ See you next time”. Depois disso, foi só magia lá no gramadão do Jockey. Ele arrasou no palco fazendo passinhos com os pés e falando português. Eu fiquei ali pertinho, mas quando vi que o céu tava abrindo e que a primavera chegou... te mandei uma mensagem telepática. Vc recebeu?

;)

Beijo com amor da Mazi.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Lá de casa

Eles são casados há 39 anos. Segundo minha mãe conta ( meu pai nega), eles estavam terminados fazia um ano quando meu pai apareceu com o melhor amigo na casa dela: “Ele não teve coragem de ir sozinho né, Marilia?”. Convidou a minha mãe para passar o reveillón em Santos. Ela fez charme e disse que só ia com aliança de noivado no dedo. Ele acatou e assim foi. O resto é aquela história básica: 3 filhos, uma casa na praia e 400 viagens para todos os cantos. Eles se cutucam o tempo todo : ela apressa ele porque fica pronta 40 minutos antes de sair para o concerto. Ele, ainda sentado no computador, nem tomou banho 15 minutos antes do espetáculo começar e se irrita quando ela fala lá da sala: “já to prontaaaa!!”. Ela palpita nos caminhos que ele faz e, em contrapartirda, ele não assume quando está completamente perdido. Os dois assistem filmes na TV. Ela dorme... e pede pra ele contar tudo que aconteceu. E ele paciente, conta. Ela, a palestina. Ele, israel. Se chamam pelos diminutivos e comem chocolate a noite. Ela gosta de comprar muiiiiiitas besteirinhas - caderninho, brinquinho, caixinha, remedinho, medalinha. Ele compra pouco mas só coisas de valor - obras de arte, jóia e filmes antigos. Meu pãpi e minha momi. Ela só no lirismo - lê Clarice Lispector e ouve Edith Piaf. Ele é mais menino - lê livros da história da segunda guerra, Borges e se emociona com os clássicos. “ Ai, eu não gosto da Marisa Monte” ela diz enciumada. “ Eu acho ela uma diva” - ele, com ar de admiração. Mas os dois se sacodem juntos quando toca Chico: “ tinha cá pra mim que agora sim eu vivia enfim, um grande amor... mentira”. Ela reclama do trânsito e ele segura na mão dela pra acalmar. “ Isaaquinho, me leva no Juquehy pra tomar um café expresso?”, “ Isaaquinho, escala aquela árvore e pega aquela flor amarela?”; “Aninha, a mala não cabe aí né? Vc não tem noção de espaço”, “Aninha, lógico que a comida vai dar, são 8 pessoas e não 40”. Ela tem toda a paciência com a neurose de Woody Allen dele: “Eita cabecinha complicada, essa do seu pai”. Ele agüenta a incoerência e mineirice dela: “Repara só na mamãe como fica atrapalhada quando tem que decidir alguma coisa”. Mas eles mimam um ao outro, se aceitam e tiram sarro um do outro o tempo todo. São 39 anos - convenhamos- uma mega lição de amor.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Santacruzetes


Ok. então juntamos as 12 meninas do Santa-Cruz e nos inscrevemos na festa dos esportes de ex-alunos. O pretexto? Nada além de uma divertida partida de futebol. Futebol? É... o aquele jogo que todo mundo acha interessantésimo. Com direto a camisatinha baby-look, logomarca, grito de guerra e muita risada. A Flávia, única que tem algum conhecimento da pelota, disse atenta: “Meninas não cruzem a bola na frente do nosso gol, ok?”. Eu tentei seguir o conselho, mas minha atuação em campo durou uns 8 minutos e me rendeu um ralado no joelho e um semi strip-tease involuntário. Mas fala aí, festa de esportes de ex-alunos do colégio tem que tem algum mico senão não tem graça, né? O meu foi até pequeno comparado ao mico dos outros, os ex-alunos com a familia completa, comendo espetinho e bebendo cerveja. Mas a verdade é que andar naquele jardim e olhar pros janelões cheios de beija-flor, me deu a sensação de que nenhum tempo passou. Parece ontem o dia em que as minhas preocupações era tirar C de química e trocar doçuras no intervalo com cheiro de bala de maça verde. Tudo do bem. Nani nostalgia fechada com um chopp delícia no Senzala com a prima, gente do Santa e memórias mil. Mas futebol... nunca mais.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

No pulso esquerdo o bang-bang
Em suas veias corre
Muito pouco sangue
Mas seu coração
Balança um samba de tamborim
Emite acordes dissonantes
Pelos cinco mil alto-falantes
Senhoras e senhores
Ele põe os olhos grandes
Sobre mim...

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Conversas de Mercearia I

- Marilia, mas desde que eu te vi sentada lá na outra ponta da mesa, senti que eu tinha que falar com vc. ( olhar assustadoramente sedutor)
- É mesmo ? (cara de espanto)
- É, mas então me conta um pouco de vc, como vc é?
- Eu... eu sou assim: amo Chico Buarque, brigadeiro e brincos bonitos.
- Sei. No mínimo é corinthiana?
- Não. Quer dizer... agora sou. Ah sei lá. Mas o que tem a ver o corinthians com brincos e Chico Buarque?
- Ah... tipo, vc curte brigadeiro. Mulher que gosta de brigadeiro é corinthiana.
- Oi? (cara de espanto 2). Ué, não existem são-paulinas que gostam de brigadeiro? 90% das mulheres são chocólotras e logo, tem gosto por brigadeiro, isso não se restringe às poucas que torcem para o corinthians.
- O que eu quis dizer é que se vc gosta de Chico Buarque, brigadeiros e brincos vc é uma pessoa que gosta do popular e, portanto, deve ser corinthiana.
- Popular?
- É. Gosta de coisas fáceis. E não é do tipo que só te agrada uma fruta rara do nordeste.
- Vc tá dizendo que eu sou comum, né?( tom de voz bravo)
- to dizendo que vc é linda.
- (silêncio sem gracinha) Mas afinal, vc é corinthiano?
- Puts. Não. Nem curto futebol.
Querida Natalinda,
Ontem fui junto com a Sonia entrevistar o Babenco. Ele mora em uma casa ali bem pertinho dos meus pais, cheias de obra de arte, tudo de muito bom gosto. Acho que eu tinha um pouco de medo dele, mas óbvio que ele foi meigo. A lareira estava ligada ( tá um frio bizarro aqui, Nata) e ele disse: “ Entrem que aqui está quentinho”. Papo vai e papo vem, ele mostrou um livro que eu fiquei apaixonada, “Sonhos de Fellini”, cheio de textos e desenhos do próprio Fellini, tudo muito maluco, mas lúdico, lindo. Aí falamos de cinema brasileiro e ele disse: “ Sabe que estão fazendo um filme na Índia agora que promete muito?”. A Sonia ficou super curiosa... e ele continuou: “ ... até chamaram uma atriz magnifíca que eu tive a oportunidade de conhecer quando filmei O Passado. Nataly Cabanas. Dizem que ela tinha desistido da carreira, mas eu sabia que no fundo ela tinha talento pra essas coisas, nós diretores, sempre sabemos”. Eu ri meio sem graça e disse logo que era sua amiga: “ Ah... Babenco, eu e a Natalinda somos praticamente irmãs. Ela tá lá toda incrível viajando pela índia, aprendendo muito e se divertindo também”. Ele veio com aquele sotaque argentino e falou todo convicto “ Viu Sonia, essa é uma da nova geração que promete”. Ele ficou tão empolgado que ofereceu até um vinho. O papo tava tão bom que eu quase aceitei. Mas depois achei que não seria conviniente. Falamos de cinema e de ser artista e ele contou que começou a carreira tirando fotos de polaroid pela noite. Aí lembrei daquela nossa foto clássica no Platimbanda quando vc foi pro Rio, lembra? Aperto de saudade. Beijo no coração. Mazi
Ps: quase esqueço de te dizer. Ele disse que te quer no próximo filme. Eu falei que passava o recado desde que pudesse bisbilhotar as fimagens. :)

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Tipo blog de moda


Natalinda está na Índia, filmando um longa-metragem. Sim, nós temos amigas que fazem longas-metragem e ainda são só sucesso. Vai dizer, ela não arrasou nesse visual Sári? Enquanto por aqui a gente se contorce de saudade. Natalinda, quero saber dos seus Pá Amb Tomacas da vida e dos tropeços de motoca. Conta tudo, sopra as ternurinhas pro lado de cá vai...

Beijo- azeitona- saudade

Mazi

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Mumunhas

É que você ouve o que eu digo com uma curisidade pura. Quer saber de verdade o que passa pela minha cabecinha. Isso é tão lindo. E raro, eu sei -- quase ninguém tá interessado nas minhas coisas prosaicas.

***
... e então quando fui te resgatar lá longe você disse que não deveria ter aparecido. Porque eu não merecia. Voilá. Mas abraçou e ficou ali, pseudo-resistente.Teve aquele outro dia também, que você me cutucou tanto com alfinetadas ácidas que eu, perdida, perguntei: “Qual é o seu problema?”. E vc me respondeu, olhando pra baixo, envergonhado: “ ciúme, né?” Outras mumunhas mais... Obrigada, sempre. Por me fazer dar risada e por me contagiar com a sua leveza única e deliciosa. Porque adoro que você segura na minha mão sem medo nenhum. E fala mal de Bossa Nova sem a menor vergonha. É impressionante como a gente tem mais cuidade com aquilo que não é nosso. Lá longe a gente escuta, juntos, a pausa da batida no coração. Baião de dois. Obrigada.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008


“Veja você, arco-íris já mudou e cor...” cantam alto, gostam de bala mentos e de se perder em livrarias. Duas moreninhas, filhas de oxum. Uma taurina carinhosa e uma geminiana perdida. Andando a praia da baleia, juntas. Batucada de bamba, cadência bonita do samba. Ninguém leva elas a sério por causa da voz de meninotinhas e as florzinhas no cabelo. Mas tudo bem, elas não se importam, cantam aos berros no carro: “Foi a tesoura do desejo, desejo mesmo de mudar!”. 800 horas de trânsito na Rio Santos e um cochilo bom depois do almoço. Doces as duas são. E agressivas quando pisam no calinho delas: “Que pasó Tami? Vou bater!!!”. E se mexem só no sapatinho. Ás vezes, com lagrimitas en los ojos negros e sempre entedimento mútuo. Uma gosta de Cortázar, a outra de Borges. Ambas se encantam com o poetinha: “ vivo um pouco cansado, cansado da vida”. E põe força na voz, junto com Gal: “Não se assuste pessoa, se eu lhe disser que a vida é boa”. E sopram ternuras terrestres nos ouvidos das pessoas queridas. Gracias por todo Támita de mi corazón.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Frases pescadas da fila do show do Mundo Livre no Studio Sp

- Tipo assim cara, casamento é uma instituição que eu não acredito muito, saca?
- To falando sério: o rock é o melhor antídoto contra o envelhecimento precoce
- Deveria existir uma fila separada só para as pessoas que estão tristes
- Ouw, vai lá com o seu MTB e dá uma carteirada.
- Mano! Quando eu ia imaginar que um dia eu estaria abraçando a ex- mulher do meu ex-marido. Mas a verdade é que eu sempre gostei de vc.
- Sorry but I don´t speak portuguese ( menina saindo do banheiro do boteco do lado do Studio)
- Really? Where are you from?
- Czech Republic.
- Nice. What are you doing in Brazil?
- Shit ( com um sorrisinho europeu)
- Ahhh mas eu não quero ser titular, topo ser o reserva do seu coração ( jornalista conhecido)

Após algumas horas e conversas com desconhecidos depois... tudo se neutralizou com o balanço e o astral da Bebel ouvindo aquele homem cantar: “ Vem cheirar Minha flor”...

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

O olhar de Schopenhauer

Eu já fiz o perfil dele, mas não adianta. Ele quer mais: ôoooo menino voraz, esse! Ele quer confete, quer saber que a gente tá com saudade dele. E quem não tem saudade de vc, Schopenhauer? Do seu jeitinho de menino maluquinho e displiscente? Saudade do jeito libriano. Da batida no violão: “Porque fizeste sultão de mim, alegre menina”. Do momento exato disparo da risada roubada. Do mal-humor quando o Palmeiras perde e o suspiro arrependido: “eu não presto mesmo. Não valho um real”. O ar soberbo de quem acha que me conhece: “Ah... você é assim né. Com vc tem que ser não-sei-de-que-jeito. Eu te conheço, sei que vc valoriza x,y,z”. Saudade do jeito de driblar a minha raiva e me fazer rir. Sempre. E vai embora deixando pinçadas no coração. Pronto. Satisfeito? Agora pode me mandar meu presente. Como un pancito de diós.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

O dia em que o posto de Chico Buarque ficou abalado

foto: Pedro Abreu
Fui na pré-estréia do filme do Waltinho Moreira Salles "Linha de passe", ontem. Saindo da redação, minha chefe me disse: " eu conheço o Waltinho, vai la se apresenta, diz que eu mandei um beijo e volta com uma aspas dele".Apensar de cansada, pô é uma pauta legal. Chegando lá, estava tudo meio bagunçado, um monte de gente correndo para todos os lados. Me estapiei entre as 400 mil mini-repórteres de sites de celebridades e os 800 fotógrafos brutamontes. Logo vi uma repórter biscazinha. Sempre tem uma né? Ela estava falando a cinco centrímetros da boca dele e eu pensei: “gente, que coisa baixa, que menina vulgar”. E continuei na minha luta para chegar ao meu objetivo. Até que ele, o Waltinho - vulgo APOLO, viu que eu quase morri esmagada e me resgatou ali no meio. Caras, prestem atenção: ele pegou a minha mão e me puxou. Como um príncipe que salva uma princesa da areia movediça. Já imaginei contando para as minhas amiga: “He took me out from misery.” Mas calma, a coisa não parou por aí não... Ele me olhou e disse: “ufa né?” , abriu aquele sorriso indecente e deu um beijinho na bochecha. Repito: ganhei uma bitoca do Waltinho. E durante meus minutos de mini -entrevista em busca de aspas ele ficou segurando a minha mão. Agora, me digam, qual era a possibilidade de eu conseguir me concentrar na entrevista, com ele olhando bem pertinho - tá também fiquei a cinco centímetros e ainda por cima segurando minha mão? Fiz uma pergunta - idiota, claro. E enquanto ele respondia, me perdi nos olhinhos pequenos, sentindo a mão dele, completamente inebriada pelo tom de voz.... podia ouvir a trilha sonora do Gustavo Santaola, e pensava: "sim, aceito me casar com vc e ser sua contra-regra pro resto da vida, carregando claquete e fazendo café para a equipe de mil pessoas". Voltando ao planeta terra, ele disse: "Infelizmente, tenho que ir". Sim, ele disse infelizmente -- ou seja, estar no meio do caos segurando a mão de uma mísera repórter descabelada, estava agradável -- e se perdeu no meio da multidão. Eu? fiquei segurando meu bloquinho no maior estilo “foca apaixonada”. Depois dessa, até Chico Buarque ficou com o posto abalado. Vote for Waltinho.
ps: crédito ao e-mail da Luciana Seleme.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Some things never change -- ainda bem.

Chegamos no ponto máximo da amizade. Escolhemos ir para praia, só e somente só, nós três. Mesmo com a previsão de chuva durante todo o final de semana, mesmo tendo que voltar cedo no domingo, mesmo estando cada uma com suas pequenas bandeirinhas da neurose. O ponto máximo - escolher ir para praia com suas amigas para assistir DVD, fofocar, comer chocolate, dar uma choradinha e dormir. Isso, minha gente, é muita intimidade. Foram muitos finais de semana e feriados naquela casa da baleia. 400 meninas empilhadas em camas e bi-camas, conversando até o amanhecer. Sempre atentas aos vizinhos do condomínio e alugando os pais: “Puuuuurfa pai, leva a gente até o sirena, a gente volta cedo, tipo 4 da manhã”. O ritual? Troca -troca de roupas e de expectativas. 499 vezes. Dançando horrores nas pistas da vida, reclamando das desilusões no caminho de volta e analisando uma a vida da outra com propriedade psicanalítica, sempre. Dormir até uma tarde, tomar o pior sol, ficar ultra bronzeada e andar até a barra do Sahy para tomar sorvete. Foram muitos filmes de mulherzinhas e brigadeiros naquele sofá. Flertes na piscina, até a mão ficar enrrugadinha. Sempre nós. Uma segurando a borda do coração da outra, não deixando sair nada fora da ordem. Os primeiros porres, chuvas e mais chuvas. Mandingas e simpatias: calcinhas da cor do amor. Os primeiros piripaques e sempre, sempre o refúgio de nosostras. Na fase do regime, na fase do pé na jaca, na fase do chororô, do vestibular, do descanso. Sempre. E esse final de semana foi assim também. 3 dvds debaixo do cobertor dando risada, com lulinha frita e troca de cremes hidratantes: “o meu é ótimo, já vem com protetor solar”. “ ah... gente, tem que experimentar esse sabonete exfoliante”, “alguém tem um elástico de cabelo para me emprestar ? ”. É muita intimidade. A gente não precisa falar mais nada. Agora, podemos dormir as 11 da noite felizes e contentes. E voltar no domingo de manhã mergulhadas em nostalgia, ouvir as músicas da época de Santa Cruz. Obrigada amadas. Yá lo. Que seria da minha vida sem vcs?

Loirinho

Assim...é o único loiro do meu coração. Posto conquistado com muito afinco e muita fidelidade. De ambos os lados. O Rô é o maior presente que a Puc me deu. Foi uma das primeiras pessoas que eu conheci naquela faculdade maluca e é uma das únicas que permanece até hoje assim, intocável, só com coisas boas. O loirinho é o Ro, o Rodrigo Pipponzi. A gente se respeita e encontra religiosamente um tempo pra bater as agendas lotadas. Completamente DOENTE por futebol, assunto que não acaba nunca para esse torcedor roxinho do Palestra. Artilheiro do campeonato, pega no pé dos meninos pra eles treinarem e não bebe um dia antes de jogo. Eu adoro saber que eu vou convidar e que ele vai, mesmo que tiver compromisso, ele dá um jeito. Coisa de homem. Papo ótimo, sempre com os dois olhinhos verdes bem atentos. Loirinho equilibrado que me puxa para terra quando levanto vôo na minha loucura. Me aguenta nas piores fases, em que eu estou melancólica, chorando as pitangas, me ouve e ri das minhas mazelas. Coisa de homem. Me fala a verdade e sempre me protege porque é assim: um homem de verdade. É o pacote mais saboroso daquela patota: ele, a namorada linda, os jogos no clube e as músicas do Pearl Jam. O doido até me viciou numa. Bem eu, a menina-MPB, me pego insistindo: “Roooooo coloca aquela música pra mim”. O loirinho vai lá e eu saio cantando feliz da vida “It´s ok, it´s okaaaaay”. São trocas de trabalho, viagens juntos, piadas autênticas e um jeito todo peculiar de ser o amigo da curvinha do coração. Amizade que a gente nem questiona porque sabe, por alguma razão irracional, que não tem fim.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Pois é... não é fácil, nós sabemos.


AMEIIII florzinha!

A arte de Mariliar, verbo irregular

Eu mazolo
Tu mazinhas
Ele enlouquece
Nós mazinhamos
Vós peketitáis
Eles enlouquecem um pouco mais

By Ana Carolina Ralston

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Patada-pensada é coisa de gente ruim

Toda vez que eu tomo uma patada fico pensando a razão que leva alguém a fazer isso. Não é por nada não, eu sei que todo mundo tem seus dias ruins, da pá virada coisa e tal. Mas eu falo da patada pensada, aquela que é dada para machucar mesmo. Veja bem, não to aqui na posição de quem nunca deu uma patada na vida. As vezes espalho umas por aí, principalmente quando to na TPM ou chateada com alguma coisa. Mas a patada-pensada é pior. Não tem a ver com mal-humor, com noite mal-dormida. É “ruindade”, como diria minha avó. A pessoa, num ataque de “umbigo-do-mundo”, fala o que quer indiscriminadamente, agride, é inconsequente e ainda por cima tem a certeza de que está tomando a atitude correta. Vai tentar discutir com uma fonte de patadas-pensadas para ver só... vira um show de críticas impensadas, de gestos magoados e de uma arrogância sem fim. Tudo muito dolorido, acho eu. Agora nós, pandas que somos, como reagir diante de uma patada- pensada- grátis?
1. Rebater -- hum... meio complicado. Eu pelo menos, fico super ressacada emocionalmente quando sou super grossa com alguém. Além do que, é o famoso “perder a razão”.
2. Ignorar -- ainda to pra aprender a relevar essas coisas. Pensar “ ah... desencana, fulano é um babaca mesmo”. Só gente muito elevada espiritualmente, ou frio demais para não se deixar atingir.
3. Chorar -- é sempre um opção. A pessoa pode se sensibilizar e perceber que está sendo extremamente injusta e ignorante com uma pessoa dócil e amável, mas tem perigo de vc perder o respeito no melhor estilo “Jade Barbosa” de ser.
4. Cortar a pessoa da sua vida -- trágico, mas não deixa de ser uma solução. Se cada patada deixa um arranhão e vc mal consegue cicatrizar um que já chega outro... porque não eliminar a fonte de machucados?
A verdade é que nenhuma dessas soluções é confortável. O ideal é que todo mundo se tratasse com educação, sensibilidade e menos egoísmo.Ok, meio panda demais esse post né? Mas é que eu ando levando patadas-pensadas e isso tá bem chato. Como não quero recorrer a nenhuma das opções acima... o jeito é sair escrevendo. Quem sabe alguém não sente a mesma coisa?

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Grande sertão

Viver é muito perigoso... Porque aprender a viver é que é o viver mesmo... Travessia perigosa, mas é a da vida. Sertão que se alteia e abaixa... O mais difícil não é um ser bom e proceder honesto, dificultoso mesmo, é um saber definido o que quer, e ter o poder de ir até o rabo da palavra.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Outras mumunhas mais... e aí acontece de novo. Sempre de vc. O mesmo olho e o mesmo jeitinho de pegar na mão. Me acalmando, sempre. Cacho de acácias. Pode o mundo estar o caos, pode vc estar infeliz, pode a guerra estar rolando solta na Geórgia... vc me acalma. Olha dentro do meu olho, me sopra doçuras e faz isso. Just smile. Saio eu, toda colorida, saltitante, cheia de certeza que ainda existem alumbramentos. Uma maneira toda especial de cobrir meus ombros e dizer sempre coisas lindas, verdadeiramente. Contando estrelinhas no céu. You´re mine. A parafina da vela derretendo e Caetano não pára de lembrar ... A tua presença mantém sempre teso o arco da promessa.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Rachelines

"Ti amuuuuuuuuuuuuuuuuu, cara”, ela vem toda fofoleta, pulando no colo e abrançando forte: “eu sou meio assim mesmo, Felícia, apeeeeeeeeeerto porque amo muito”, ela fala com uma vozinha única. A Rachelines é a Rach, essa loirinha encantadora, um girassolzinho. Não tem papas na língua e tem uma qualidade que eu admiro muito: a capacidade de criar intimidade. Eu adoro que ela fica amiga dos meus amigos, entra no clima, dança Michael, come churrasco, me mostra rockzinhos modernos e... topa dormir mais cedo na praia. Nossa “garotinha” que inventa expressões carinhosas, apelidinhos, não faz cara feia quando a gente pede um cigarrinho e se emociona com as coisas prosaicas. Amo isso. Ela não economiza afeto e não mente: sente de verdade. Quer coisa mais deliciosa do que uma pessoa que tem muito amor e não se poupa disso? Haja generosidade. A gente viaja juntas, combina encontrinhos em casa e sempre acabamos embriagadas de vinho e de risadas. Porque ela é doce, é companheira e sabe segurar a onda das amigas malucas. E quando pira, pira de verdade. Perde as estribeiras mas nunca a carinha iluminada de girassol. Nós duas segurando e balançando a bandeirinha da neurose. É o patrimônio da patota, toda colorida, toda charmosa, a “garotinha” querida dos pais. Os amigos homens agradecem, mas a gente não divide com qualquer um. Ah... porque girassol sabe muito bem virar para a luz!

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

And I say no, no, no

Não sou de ficar comentando notícia porque esses assuntos me cansam um nani. 10 vezes a mesma tecla. Mas tenho que falar aqui que eu estou horrorizada com a história da menininha chinesa que foi trocada pela mais bonitinha. uuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh para a China. Vaia grande mesmo. Gente, já pensou o trauma dessa menina? O que a mãe vai dizer para ela? Os anooooos de análise para reconstruir esse ego? O complexo, a idéia de beleza, reconhecer as próprias qualidades etc e tal. E a outra? Que vai achar que é uma celebridade pro resto da vida: eles construiram uma monstrinha e nem sabem disso. A tal da “bonita” vai achar que ela está no mundo pra isso mesmo: dublar e mostrar a carinha de princesa. Abaixo a perfeição da chinesinha!

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Querida Natalinda,
Entrevistei a Zlata Filipovic. Logo que eu cheguei a menina de olhos verdes e profundos deu uma risadinha simpática. Óbvio, boa européia que é, fui dar um abraço e ela me estendeu a mão. Foi lá na Cia das Letras mesmo e foi na minha frente que ela experimentou pela primeira vez, água de côco. Acho que ela não gostou muito, mas foi educada, claro -- disse que achou “interesting”. Falamos de violência, do país dela e da paz que parece tããããããão longe. Me contou que mora na Irlanda e que adora os irlandeses. Disse que tinha conhecido lá em Dublin uma jornalista brasileira linda, super fofa . “Ah... Zlata, é a Nataly”, eu falei, achando graça na coincidência. “ Yes, that´s her, we were supposed to do a trip together but she had to go back to Spain”. Aí contei todo seu drama, que vc estava trabalhando, que tinha um projeto secreto e tal. Ela entendeu, mas me disse que vc combinou de ir junto com ela para o Machu Picchu. Eu disse que quero me juntar a vcs, posso? Tímida e inteligente, ela falou do trabalho que faz na ONU, ah... falou dos absurdos de viver numa situação de guerra. A gente não tem idéia do que é isso, né? Faltar água e luz e ter perigo de bombardearam a sua casa a qualquer momento. Mas rapidamente ela recuperou o lado menina, quando a fotógrafa chegou. Interrompeu a entrevista porque queria passar rímel “ estou viajando há 13 horas”, se justificou ela, toda vaidosa, com um lenço lindo que eu queria roubar pra mim, ups! Ela estava animadíssima para ir pro Rio: “ Nataly told me that there is a nice house of samba there”. Eu disse que sim, mas que aqui em SP a gente tem coisas muito legais tbm. Depois fiquei sabendo que a Tamaza e a Migalinha levaram ela lá no Genésio. Boa escolha, com aquela caipirinha a europeiazinha deve ter ficado só no sapatinho. Ainda assim, ela tem uma tristezinha no olhar que eu não consegui traduzir. Coisa de história, sabe? Coisa que nem a gente, com a nossa super- senbilidade- tabajara, consegue capturar. Mas tá valendo, bora desvendar essa história e sacudir a tristeza?
Loby you.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Roland Barthes

"Devo continuar? Wilhelm, amigo de Werther, é o homem da Moral, ciência certa das condutas. Esta moral é de fato uma lógica: ou isto ou aquilo; se escolho (se marco) isto, então, de novo, isto ou aquilo: e assim por diante, até que, dessa cascata de alternativas, surja enfim um ato puro - puro de todo arrependimento, de todo tremor. Amas Carlota: ou tens alguma esperança, e então ages; ou não tens nenhuma, e então renuncias. Tal é o discurso do sujeito 'sadio': ou, ou. Mas o sujeito amoroso responde (é o que faz Werther): tento me esgueirar entre os dois membros da alternativa: quer dizer: não tenho nenhuma esperança, mas mesmo assim... Ou ainda: escolho obstinadamente não escolher; escolho a deriva: continuo"

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Mini-azeitona


Sobre as olimpíadas

A-do-ro. Essa neura me contagia completamente. Fico vidrada na televisão, ainda mais com essa história de ser na China ... são 24 horas de piruetas, braçadas chutes e pedaladas. Chegou da balada? Oba! assistir a ginástica olímpica. Acordou mais cedo no sábado? Oba! Bora ver a reprise -- porque that´s what olímpiadas is about: ver e rever 400 vezes o mesmo salto, os comentários, as câmeras lentas etc e tal. Agora, obviamente, panda que sou, não aguento ver os caras se estribuchando, me dá um apeeeeeeerto. O coração vira uma azeitona. Aprendi no jogo do Corinthians que essa coisa de aflição é bom. Então aqui vão algumas coisa que fugiram à minha compressão nesse primeiro final de semana de olimpíada:
1) A ginástica Olímpica.
Essa ginástica é da pesada. As meninotinhas brasilieras super fofoletas com aquele técnico que só aperta a mão delas e fala um frio :“valeu a tentativa”. Aiiii não, moço. Abraça elas, diz que elas foram bem, sabe? A outra pobrezinha quase arrancou um naco da mão, chorosinha - louca por um colo - e ele lá todo posudo. Humpf!
2) A chinesa fofoleta.
Gente, uma chinesinha que ganhou o levantamento de peso. Como a gente imagina uma levantadora de peso? No mínino, uma não-panda. Mas ele é uma pandinha total. De xucas no cabelo deu uns pulinhos e agarrou o técnico que nem uma macaquinha. Embrulha.
3)O Judô
Não entendo essa luta. Ué, derrobou, ganhou, não? nãaaaaao. Não basta derrubar a pessoa, tem que virar ela no chão. Torci pra uma argentininha guerreira super peque que acabou levando a medalha de bronze, toda descabelada a coitada, hermana é hermana né ?
4) O tal do Phelps
Outra coisa que eu não consigo entender: o tal do Phelps. O cara é um monstro. É todo dia a mesma coisa, ele chega lá sussegadão, i-pod na orelha ( o que escuta o maior nadador do mundo, minutos antes de se jogar na água?), e faz aquilo com a maior naturalidade do mundo. Ganha e quebra todos os recordes como quem toma uma coca cola num parque. Tenho certeza que ele passou os últimos 4 anos na água e não tem idéia do que se passa no mundo out-water. Não deve nem saber quem é Barack Obama.Ouvi dizer que a envergadura dele é maior do que a altura. Imagina ganhar um abraço do Phelps? dá pra dar duas voltas na minha cinturinha.

***

E então estou lá no sábado de manhã namaiorpreguiçadouniverso, assistindo sem parar: do futebol feminino pra natação, pra ginástica pro voley de praia e pensando : “ Marilia, vc deveria descer e correr um pouco na esteira, afinal, vc não quer ser uma couch potato”. Mas a preguiça me dominava e a câmera mega-ultra- surround- sound pegando os detalhes dos músculos dos atletas, as expressões mais caricaturais... me puxava para continuar no sofá. Até que, algumas meias-horas depois, me peguei assistinho basquete entre China e EUA. Eu estava literamente envolvida no jogo, vibrando e sofrendo, então pensei comigo mesma: “ Por dióoooos!Você não gosta de basquete e não tem nenhuma ligação forte com esses países, desce sua preguiçosa!”. Fui, corri e tal, mas minha cabeça não desligou do “dream time” nenhum minutinho, “será que eles estão ganhando? E o chinesão de 2 metros e cacetada? continua arrasando?” Foi nesse momento que eu percebi que eu não sou normal mesmo, ou que esse espírito olímpico é uma adicction total.
Ahhh mais lindo mesmo é ver a hora das entregas de medalha. Sorrisinho, sorrisão, abraço pra mãe e pro pai. Flores, pulinhos contentes, alívio e muito beijos. Os mais fortões, podem reparar, não se aguentam no podium e abrem a boca a chorar. Continuo achando que deveria ter medalha para a equipe mais alegre, afinal, humor não é um esporte dificílimo? Essa, a gente ganharia de longe, tocando pagode e comendo pastel. Ouro pra nós.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Querida Natalinda,
Pós-gastritesciumetícias, essa semana tive duas experiências incríveis. A primeira foi na segunda-feira. Eu já tava toda saltitante porque a Beth ( my piscológist) voltou de viagem e eu ia contar todos os dramas contemporâneos e tal. Mas eis que quase 7da noite, me chama a chefe na sala e fala com aquele jeitinho que só as chefes têm: “ Marilia, vc não quer ir assistir o Marcelo Gleiser falar na mpm?” Puuuuuuuuuuuuuuuuuts. Adeus terapia, adeus esteira, sauna, saladinha e cama. Tasca eu, no maior mega-mal-humor, ir na MPM, plena segundona ver um físico falar para publicitários. Mas, inesperadamente, foi incríiiiivel! Para ser sincera, já tinha visto uma palestra dele, quando eu tinhas uns 15 anos, no Santa Cruz. Na época, tinha pavor de física mas adorei. Te digo que segunda, ele fez exatamente a mesma palestra. E foi igualmente interessante. Não tem como não ser. O cara fala de galáxias, de estrelas, de viajar para o futuro, para o passado na velocidade da luz, origem da vida, dos sentimentos. Ah... não tem quem não se sinta completamente hipnotizada. Além do que, ele é lindo e charmoso. Eu aproveitei que tava com o carro do jornal e tomei um prossequinho, fiquei lá, nesse mundo gothan-project-ambiente-bom gosto que é o mundo do “advertisement”. No fim, fui trocar umas palavras com o bonitão. Ele me disse: “manda um beijo pra Nataly. Diz pra ela que estou pesquisando sobre aquele mistério que falamos da última vez e que sim, é possivel viajar para outras galáxias”. Recado dado!A segunda coisa linda foi ontem lá no Sesc Pompéia. Uma aula-show do Wisnik, Paula Morelenbaum e Arthur Nestrovski. Sobre quem, quem? O poetinhaaaa! Sim, ele. Bom, nem preciso te dizer que me debulhei em lágrimas. Já na primeira música a Marilinha aqui ficou toda emotiva e chorosa. O que se seguiu foi um show lindo, intimista e com muito humor. O Wisnikão arrasou. No final fui dar uma bitoca nele e ele não me deixou esquecer: “ Fiquei sabendo que a Nataly não é mais loira, é verdade?” “Pois é Zé Miguel, ela tá au naturel”, respondi, eu. Ele sorriu um sorriso cúmplice, me deu um abraço e nós três: Eu, Jxulis e Re fomos parar na mercearia.
Ainda bem que a vida tem dessas coisa, né Nataloka?
Saudades
Beijos da Mazi

terça-feira, 5 de agosto de 2008

A resposta da Natalinda amada, celosa!

Marilinhaaaa!
Só vc mesmo pra me salvar del agujero negro de celos en el que me metí.
Que bom que vc me entende, que entende essa força obscura que sobe em espiral "gastritando-nos", até vazar pelos olhos em forma de vergonha. E quem inventou esse sentimentozinho pequeno, hein? Por que diabos a gente sente isso? Mas com todos os seus exemplos ilustres, me sinto mais amparada pela humanidade, porque é o que vc disse, quando ele vem, a gente se sente só no mundo. Mas Mazola, faltou la reina de los celos: Medéia. Essa chegou ao extremo. Cega de ciúmes porque o Jasão a trocou pela filha do Rei de Corinto, vinte anos mais jovem, (o don juan ainda ganhou um reino na faixa) matou a rival e os próprios filhos pra vingar-se. Eu furaria os quatro pneus do velocino de ouro, último modelo do Jasao, mas nada justifica matar os próprios filhos. O ciúmes na Antiguidade pegava pesado, hein?! E que bom que estamos na época dos "Dramas."
Mas eu analiso sim o meu ciúmes Mazola, e ele ataca em várias frentes. Por exemplo:

*O ciúme prolixo.
*O ciúme novidadeiro.
*O ciúme Eva, ou Pandora.
*O ciúme socialista-utópico ou o ciúmes A Namorada.
*O ciúme geográfico.

O Prolixo.
Modalidade de ciúme que se manifesta com o namorado econômico. Com aquele que mede com colherinha de chá as palavras, os elogios, a demonstraçoes de afeto, as opiniões, tudo. E eis que de repente, magicamente, é tomado pelo espírito Fidel. Fala muito, durante horas. O comandante está aberto, sensorial (toca as pessoas, é mole?). Aí é quando a flecha preta do Caetano se me clava en la garganta. "- E por quê comigo não? - Por quê nao pergunta pra mim? Por quê está assim com eles e comigo não? E olha que eu sou a namorada hein?!". Esse é o momento da surpresa, do susto. Logo a flecha preta começa a derreter seu veneno e fico agressiva. E Irônica. E sarcástica. Me meto na conversa, dou respostas mal-educadas, ou polêmicas, deixo-o sem graça. E depois, no minuto seguinte, quando ele volta a ficar mudo, me arrependo. É horrível.
O ciúme novidadeiro
Me mordo de ciúmes quando vejo que alguém (hembra), novo na áera, lhe desperta o interesse. O sorriso aberto, as expressões que cantam, a postura "pronta pro novo", como se se preparasse pra uma viagem, os olhos que piscam repetidamente, maravilhados pelo que vêem pela primeira vez. E, eu, automaticamente represento a mesmice, o dia-a-dia e fico desinteressante. E olha que sei que nao sou desinteressante, mas tbm sei que por muito avant-garde que seja, sua alma novidadeira já nao se interessa por mim. Muito frustrante.
O ciúme Eva, ou Pandora.
O ciúme Eva, me denuncia, é o pior. É coisa de louco mesmo, Marília. O ciúme Eva, ou Pandora, consiste em nao aceitar porquê a vida foi tao injusta, e não nos apresentou (eu e o amado) antes. O ciúme Eva ou Pandora não suporta, a simples lembrança, menção, presente, fotografia velha, ou qualquer coisa que possa ser usada como documento histórico e comprove que antes de mim, houve um outro amor. Ainda que esse tenha sido quando o querido ainda nao tinha os dentes caninos e nem pêlos debaixo das axilas. Nao me interessa. Eu gostaria de ser a primeira mulher, a única, a verdadeira. Faço tábula rasa das outras namoradas. A vida se divide em A.N e D. N. E agora, sou louca o quê?
O ciúmes socialista-utópico ou o ciúmes A Namorada
"Todos los animales son iguales, pero algunos son más iguales que otros." Os namorados que nao leram até o final o livro do George Orwell, nao sabem que vc não é igual a todos os animais da granja. Os namorados socialista-utópicos gostam de dar o mesmo tratamento, à namoradas, amigos recién hechos, porteiros e familiares. Minha alminha totalitária mandaria todos para o paredão de fuzilamento. Àquele que nao sabe reservar uma cadeira, estrategicamente melhor posicionada em uma mesa pra sua amada, ou poupá-la de esforços como carregar uma simples sacola de supermercado, nao merece o privilégio da nossa companhia. Porque nao sabem valorizá-la. Nao sabem o difícil que é encontrar alguém tao sublime e perfeito como nós. Não sabem discriminar A Namorada, em meio a massa infame. Somos diferentes, somos especiais, somos A Namorada.
O ciúmes Geográfico.
Esse é o mais injusto. Porque transforma a mais paradisíaca das cidades no retrato de um filme da 2a Guerra. Não importa como seja, quantas estrelas tenha no guia Michelin, vc nunca irá pra lá, e sempre vai falar mal do lugar mesmo sem conhecê-lo. Bagur, na Costa Brava, por exemplo, a pérola do mediterráneo, que alguma vez funcionou como cenário da descoberta de um amor, é agora um lugar detestável. Uma prainha sem-vergonha, sem onda, cheia de pedra, aquela chatice toda que é o mediterâneo, sempre igual. É uma vila atrasada, que só tem vida no verão. E vida artificial, simulacro de Caribe com seu mojitos ridículos pra enganar gringo.

Tá vendo Marilinha, sou uma ciumenta analítica, e agora me dá licença que vou buscar minhas pastilhas "acalma suco gástrico", que lembrar todos esses ciúmes, que deixou transtornada. Tengo celos del aire que respiras. ¿Qué puedo hacer yo? Alguma idéia?

LOBBY YOU
Nataly

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Sobre o ciúme

Querida amiga ciumenta,
"Tengo celos del aire que respiras..." é o que diz a música do grupo corpo. Aqueles dois bailarinos se entrelaçando, ela dependurada no pescoço dele e no fundo a música latente, gritando uma angústia absolutamente incontrolável. Lembra aquilo que o Roland Barthes falou no "Fragmentos de um Discurso Amoroso"? “Como ciumento, sofro quatro vezes: porque sou ciumento, porque me reprovo em sê-lo, porque temo que o meu ciúme magoe o outro e porque me deixo dominar por uma banalidade. Sofro por ser excluído, por ser agressivo, por ser louco e por ser comum” Isso pra mim resume tudo. É horrível, para quem sente principalmente. Agora, acho que não é uma coisa sussa, que a gente controla e tal. Quando vem, é força que corrói, imaginação que voa, medo que brota lá no fundo da alma. Sei bem como é essa sensação, vc não se reconhece, pensa assim: "quem é essa mulher maluca?"... e o pior : quando esse sentimento HORROROSO toma conta da gente... estamos só no mundo. Não tem com quem dividir, porque dá vergonha, é feio... mas não tem como reprimir. Se a gente reprime rola aquele lance de retorno do recalcado. Vem, em momentos piores com muito mais força. Caetano já diria: "O ciúme lançou sua flecha preta e se viu ferido justo na garganta". Ok então, se tem que lidar com isso, lidemos. Só precisa tomar cuidado para que o ciúme não seja parte da nossa velha e conhecida "autosabotation". Ser feliz é uma escolha e já diria o poetinha que " o ciúme é o perfume do amor". A gente sabe que ciúme de verdade não tem nada de perfumado. A coitada da Carmen não foi assassinada porque o sarjentão não se aguentou? E aquele filme: "Te doy mis ojos"? O cara quer a alma da mulher. E ela gosta dele, mas não adianta. É força que brota de dentro. Nem o nosso amado Francisco ficou de fora e traduziu direitinho o ciúme feminino: "Quis morrer de ciúme, quase enlouqueci". A gente enlouquece, é verdade. Só não percebemos que essa é uma guerra contra a gente mesma. A gente sofre e leva o outro junto com a gente pro buraco. Não é motivo de vergonha, é humano, oras. Mas tem que cuidar do seu ciúme, como se fosse uma doença. Prestar atenção nos momentos que ele vem, reparar se é sério ou não, repensar as razões dos vôos levantados e ... ás vezes, abrir mão desse sentimento. Como? Não sei. Mas tem que achar a sua maneira de abrir mão do ciúme, necessariamente escolhendo ser feliz. E vai dividir com seu homem, conversar com ele o porquê de disso. Será que ele não te dá segurança? Será que as coisas não estão delimitadas? Afinal, se vcs estão juntos e vc se muere de celos, a culpa não é só sua, é um sintoma da relação. E pra fechar, ninguém melhor do que o rei Roberto que fala TUDINHO dessa maluquice: "Meu ciúme, desconfia de você/Me machuca quase sempre/O coração/Quer saber aonde é que/Você vai/Quer saber da sua vida/Toda vez que você sai é sempre assim/Imagino alguém querendo".

quarta-feira, 30 de julho de 2008

De tudo, muito

Quando a gente era pequena, a minha mãe ia te servir o prato e perguntou: "O que vc quer, Júlia?" E você respondeu: "De tudo, muito".
Ah... não dá. Não dá pra esquecer, não dá nem pra guardar num baú escondido. Porque é muito. “ De tudo, muito”, palavras suas, minha irmã. Muito amor, muito afeto, muita intensidade de sentimento. Nós duas cantando Chico Buarque na Faria Lima, chorando em brigas homééééricas, comendo bolo de rolo no sofá da sua casa. Abraços fortes de quebrar a costela. Uma blusinha emprestada, um vestido emprestado, calça, saia, (menos sapato!!), cinto, bolsa. Dois corações emprestados. Confissões arrancadas à forcéps, de ambas. Escondendo e escancarando- contraditórias, nós. Porque é “de tudo, muito”. Vc me carregando no colo, feito um urso coala. Nós duas fazendo o exercício do espelho no teatro e nos debulhando em lágrimas. 800 vezes noviça rebelde. Seu pai tocando a música que, ele fez pra você no piano, logo de manhã. Você me consolando via e-mail na Espanha. É “muito”, Ju. Muitas ondinhas rechadas de desejos de renovação em reveillóns regados de bobagens deliciosas. Bo-bo-le-ti-nha, tá na cozinha FAZENDO CHOCOLATE PARA MADRINHA. Pequenas mágoas, sempre jogadas num canto qualquer na alma, debaixo das nossas risadas genuínas. “ De tudo muito”. Cinemas no Iguatemi. Perdões: pedidos e recebidos com dificuldade. Defeitos jogados na cara, e aceitação de amor. Mas sempre, sempre, aquilo que é inquestionável: somos irmãs. Não é só pela história, não. Mas pela fidelidade convicta, ciúme que escapa nas alfinetadas. Pela saudade que, de tempos em tempos, apunhala o coração . “Muito”, sempre. Acendendo velas na Barra do Una, com o Henrique pequenininho, enterrando coisas e fazendo pactos de amizade no sítio, no melhor estilo “Agora e Sempre” que vimos 900 vezes. Os primeiros amores, eu certinha - você perdida. Mais amores, vc certinha - eu perdida. Andando juntas. Mirando os caminhos moldados aos seus pés, mesmo que de longe. Longe, como naquele filme, “ A história sem fim” que a gente viu, 400 vezes, juntas. “ De tudo muito”. Festinhas e festonas. Juninas, na sua Vila, de música no Gracinha, da união em tempos de colegial. Nossos pais juntos, indo buscar a gente de pijama na praia da Baleia. É porque é “de tudo muito”, que eu não posso viver sem a minha irmã. Porque eu amo ver você cantando Roberto Carlos toda espontânea. Porque eu adoro quando a gente toma vinho e conversa sobre as banalidades mais intimamente ridículas. Porque eu amo nossos cafezinhos na Cristallo e o jeito incoerente e forte que é esse laço que une a gente. Amo que eu sou pequena e você é grande. Adoro que a gente não economiza nos sentimentos, nem nas delicadezas: você chegando no meu aniversário de 14 anos com um ursinho e um balão desses que eram carérrimos. É de “tudo muito”. E sempre vai ser. Como dois e dois são cinco, a gente tá ligada por uma via que não é racional, assim sinto eu, pelo menos. É por isso e por muito mais que eu só desejo o que vc merece no seu aniversário: saúde, amor e sucesso. O mundo é “muito” é “tudo” e é seu. beijos da irmã que te ama.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Top 10 de coisas irritantes

1- Bolinhas de ar no esmalte
2- Cd riscado na música preferida
3- Telefone que toca quando vc está com a bolsa na mão para sair do trabalho
4- Ficar sem água em casa
5- Esquentar a comida no microondas e perceber depois da primeira garfada que ainda está fria
6- Perder um brinco
7- Fome
8- Frio
9- Sono
10- Não se agüentar e dar uma de mulherzinha

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Carinho não é ruim

A Cia das Letras vai relançar toda a obra do Vinícius de Moraes. Como tbm já to nesse clima Bossa -Nova fifty years, não ia dar pra não fazer uma homenagem para o poetinha, né ?
É... porque nós, incoerentes que somos, amamos e odiamos ele. A gente ama, porque ninguém tem taaaanto mel nas palavras. Sensibilidade até o último fio de cabelo. E odeia, porque além de ser o autor da famosa frase absurda: “as feias que me desculpem, mas o mundo é das bonitas”, ele amava de verdade só aquele copinho de whisky.
Todo mundo já namorou o Vinícius né? O “monstro da delizadeza”, nénão, Nata?
A minha história com ele começou na adolescência, com o livro de sonetos. Decorei três: do amor total, de fidelidade e da separação. É impressionante como cada coisa tem seu tempo. Amor-total era lindo. Recitava o poema na ponta da língua: “amo-te tanto meu amor, não cante o humano coração com mais verdade”. O da fidelidade, é típico de quando a gente se apaixona pela primeira vez: “ Que não seja imortal, posto que é chama/ Mas que seja infinito enquanto dure” -- básico. Virou frase nas orelhas dos cadernos de escola. Aí vem a perda e aquela coisa melodramática de quando vc tem 15 anos: “De repente, não mais que de repente”. E o pior, culpa do Vinícius, é que a gente acredita nessa história de não-mais-que-de-repente. Mó-balela, nada é de repente. Mas enfim... Passado os sonetos, ganhei do Fe, meu irmão-amado, a antologia poética e vou elegendo até hoje, meu “Vinícius" do momento. Teve a fase do “para viver um grande amor” -- bem carioca mesmo. Com direito a molejinho, cervejinha, misturinhas e afins: "... é preciso muita concentração e muito siso, muita seriedade e pouco riso — para viver um grande amor” -- Ah poetinha, me engana que eu gosto. Sério? Não. Essa não era a graça dele. Acho que o que pega é quando a gente lê “Para uma menina com uma flor” e ele faz uma descrição liiiiiinda da namo, esperando as malas na esteira do aeroporto. Convenhamos: um homem, que acha a namorada sexy, na fila da mala do aeroporto é, no mínimo, apaixonante. Depois a descoberta das músicas. Ele, yalorixá de xangô na Bahia. Se apaixonou pela décima vez, largou tudo e foi embora atrás da Yansã morenona. Ou a canção que fez para a primeira filha: “menininha do meu coração, eu só quero você a três palmos do chão”. Junto com Toquinho rodando o globo cantando “Na tonga da mironga do kabuletê”. Fazendo todo mundo se questionar o que raios era essa reza esquisita.
Mas nos últimos anos continuo com o mesmo Vinícius na cabeça. O panda. Sim, o poetinha tbm tem uma faceta panda. É o meu preferido: “Mensagem à poesia” ele diz, com açúcar nas pontas dos dedos: “digam-lhe que me foi dada/A terrível participação, e que possivelmente/Deverei enganar, fingir, falar com palavras alheias/Porque sei que há, longínqua, a claridade de uma aurora”. Não é só namoro não, é história de amor, mesmo.
Canta pra subir, “saravá” pra todos nós.

terça-feira, 22 de julho de 2008

Vem ouvir esse segredo aqui, vem.