*O que você fez no cabelo?
*Dá para falar mais baixo?
*Essa saia é muito curta
*Prefiro esmalte branco
*Agora não dá pra falar
*Nossa! Pra quê tanto nervosismo?
*O telefone chamado está desligado ou fora da área de serviço
*Imagina, isso é coisa da sua imaginação
*Amor, não ouvi o telefone tocar
*Desculpa mas você é muito intensa
*Preto eu não tem, mas tem vermelho, azul e branco
*O problema não é você, sou eu
*Ué, você está com ciúme?
*Preciso da minha liberdade
*Preciso de tempo
*Preciso de espaço
*8,9 ... 10. Agora mais 10 abdominais!
*Comédia romântica não
*A fulana? Imagina, ela é só minha amiga
*Domingo é dia de almoçar na minha avó, lembra?
*Mail Delivery Subsystem - Delivery Status Notification
*Sempre te disse que você está trabalhando demais
*Gorda? Imagina... adoro suas bochechas.
*Estou confuso
*Pra que Victoria Secret´s ? Creme é tudo igual
*Desculpa só temos o tamanho G
*Não aceitamos visa Electron
*Aquele seu amigo te dá mole
*É que você é muito pequenininha
*É que você é muito ingênua
*Depois eu te conto
*Você demora demais para se arrumar
*Não
Ps: esse post foi inspirando num blog argentino.
segunda-feira, 30 de junho de 2008
sexta-feira, 27 de junho de 2008
carta de Mãe XV
Mande as fotos e fique feliz. Uma vez voce tinha 13 anos e veio com o seguinte discurso:
-Voce ,mãe, voce não me entende.Eu nem sei direito quem eu sou!!!!
E eu respondi:
-Sabe sim! Seu nome é Marilia.Voce é filha do Isaac e da Ana e....vai estudar matemática!!!!
Voce foi e tirou nota boa! VIU????? Psicologia da faxineira do Freud.Basta de melancolia!!!!! Besitos amorosos
-Voce ,mãe, voce não me entende.Eu nem sei direito quem eu sou!!!!
E eu respondi:
-Sabe sim! Seu nome é Marilia.Voce é filha do Isaac e da Ana e....vai estudar matemática!!!!
Voce foi e tirou nota boa! VIU????? Psicologia da faxineira do Freud.Basta de melancolia!!!!! Besitos amorosos
mumunhas
Eu fui ingênua de achar que você não ia perceber. Fui encostando naquela parede, toda encolhidinha. Mas você veio. Me abraçou. Deu um beijo na minha testa e perguntou daquele seu jeito: “Tá tudo bem aqui dentro? ” segurando a minha cabeça. Por isso que eu sempre digo: quero a sua receita.
Aniversário de pai
Ele me manda e-mails com links de notícias internacionais. Me liga pra dizer bom-dia, e me cobra responsabilidades das coisas chatas. "Para você aprender sozinha". Ele é médico e não liga quando exagero meus sintomas. Ele sabe tudo de tudo. É o homem mais culto do mundo. Conhece literatura, sabe todas as datas da segunda guerra. Quadrinhos, banalidades, música clássica. É apaixonado pelo sorriso da Elis. Tem fidelidade ao povo judeu. Ele é meu pai amado. É sensível e carinhoso. O melhor pai do mundo. Ele resolve coisas chatas: coisas de carro, de banco e de documentos. Ele me mima quando eu peço e sempre acerta meus presentes. Ele é muito exigente mas me ensina a ser paciente e solidária. Ele é meu daddy Ike. Meu pãpi. Atende meus amigos sem cobrar. Mas não aceita erro de português. Não suporta humilhação e se irrita com ingraditão. Ele tem senso de humor e sensibilidade. Me leva à galerias de arte e me ensina a gostar do que é bom. Mas detesta frescura, não gosta de restaurante caro e nem ter horário para fazer suas coisas. Ele sabe de Borges e de Woody Alen. Adora mexer e descobrir sites de coisas interessantes, “Filhinha, não tem algum amigo seu que entenda de internet?”, me pergunta sempre. É carismático e unânime, meu pai. Modesto e fotógrafo de mão cheia. É curioso e bagunçado. É meu pãpi. Ele me escuta falar sem parar e nunca reclama do meu mal-humor. Friorento, bravo e eloqüente. Me conta histórias lindas que até hoje eu acredito e acho que vou acreditar pra sempre.
segunda-feira, 23 de junho de 2008
Gente...
... perdi minha LEVEZA por aí. Alguém viu ela vagando? Debaixo dos lençóis, nos porões, perdida em alguma esquina?
Mudança de casa IV
499 caixas, 800 sacos de roupa, sapatos, livros e luminárias depois...
... estou viva, renovada e satisfeitérrima.
... estou viva, renovada e satisfeitérrima.
Mumunhas
Vc me chamava de fulôzinha. Sua flor. Muitos cadeados, para fechar qualquer pedacinho de alma que tivesse ali, dando sopa no ar. “Sentimento a gente não pode sair por aí, oferecendo para todo mundo”, me dizia você, austero e com aquele ar de dono da verdade. Eu nunca liguei para nada que vc reclamasse de mim. Sentimento não é algo que a gente regula, como um despertador ou intensidade de água de chuveiro. Vem de dentro, é coisa divina. É avaro quem economiza sentimento. “Não entendo porque você tem que ser tão simpática sempre, com tudo mundo”. “Eu sou simpática”, eu te dizia, calma e cheia de amor. O Cd do Cartola tocando e nós dois com suspiros cansados. Versos e Trovas. Palavras nas pontas dos dedos. Pés nos travesseiros e travesseiros nos pés. “A ambiguidade promete salvação", já diria Roland Barthes. Depois, vieram os colares arrebentados e choros escapados em pequenos soluços. Pétalas de Yemanjá abençando a renovação. Eu gostava das doçuras, de quando, bem lentamente, você encostava sua mão no meu queixo e sussurrava : “fulôzinha”. Depois vinha cheio de convicção citando Vinícius: “Quando vc vai compreender, que o ciúme é o perfume do amor ? ”. Eu não compreendi e nem você. Mas sobraram aquelas partituras, as claves de sol, debaixo dos nossos telhados velhos. E isso, meu querido, é canção. É canção.
sexta-feira, 20 de junho de 2008
Da curvinha

Já falei das duas aqui, mas recebi essa foto hoje e me inspirei. Eu sempre digo que tem uma amiga pra cada hora e ocasião. Tem umas que não adianta vc querer ir pra balada e outras não são boas de ouvir a gente chorar as pitangas. Mas essas duas aí são meus amores. São racionais, escutam meus desabafitos homéééééricos sem reclamar e ainda por cima são boas de pista e de samba. A Bebel é do tipo que eu conto as coisas quando to pronta para ouvir a verdade. Ela não é “colo fácil” não... Dá bronca, me tira das nuvens e puxa a orelha quando não faço o que é melhor pra mim. Mas é doce, incentivadora, quando a verdade tá ao meu favor, ela fala também. Minha escorpianinha amada equilibra meu jeito dramalhona. A Táami é minha oxumzinha linda. Fala a mesma língua que eu e no matter what, ela me dá razão. Eu adoro isso. Tem horas que tudo que vc quer ouvir é: to do seu lado -- certa ou errada --tamos juntas. Ah... não dá. É muito amor. É muita energia boa junta, por isso tantos elogios e tantos abrazotes. Porque é de verdade e pra sempre.
quinta-feira, 19 de junho de 2008
Sobre profissões I
Desde de pequena eu queria ser atriz. Completamente convicta. Decidi isso aos 4 anos, quando participava de uma espécie de Balé alternativo que a gente podia “ser o que quiser”, segurando tules coloridos. E foi esse sonho maluco que eu sustentei até ... os 19 anos de idade. Isso mesmo. Durou muito tempo o meu desejo de viver outras vidas que não a minha. Logicamente rendeu um preju pro meu pai que pagou anos a fio de aulas de teatro, livros e mumunhas sem fim. Tem uma história clássica na minha casa. Fizemos, quando eu tinha 14 anos, a montagem da novela de Louisa May Alcott, “Adoráveis Mulheres”. E eu aluguei meus pais para me ajudarem a decorar meu texto ( eu estava super emocionada porque tinha sido escolhida, para além da minha personagem, ser a narradora da peça). Aí estava eu lá, me achando a Winona Ryder, encima do sofá com o texto na mão, declamando super alto: “ Era verão em mil novecentos e bolinha, em Massachussets, (pausa) mas pera, Pai, onde fica Massachussets?”. E a risada começou e nunca mais parou. Ainda vieram a Catarina de Shakespeare e 3 anos em que eu me achava uma menestrel completa. Uma formulinha extremamente viciante que aprendemos quando entramos, todas as amigas juntas, naquele teatro. A vida -- a minha vida -- se resumia ( à parte das recuperações de física e matemática), a dançar, cantar e ter a certeza que o mundo era repleto de neo-hippies ocidentais. Eu aprendi a manusear lanternas, malabares, e outras pirotecnias. Quando dormia, sonhava com as cenas da peça e minha rotina era feita de ensaios de final de semana, de roupas largas e cabelos soltos. Churrascos, cantorias e muita, mas muita, risada. Além da prática, tinha ao investimento na teoria. Coisa de filha de intelectual. Aí comecei minhas leituras: A primeira foi o Eugênio Kusnet, que tinha seis lições de intrepretações. Depois veio a trilogia do Stanislavski, um pouco de Brecht e Nelson Rodrigues. Me apaixonei pela peça “A tempestade” do Shakespeare e também pela delicadeza de Tchekhov. Mas eu não parei por aí. Virei uma ratinha de teatro. Fazíamos o programa completo: íamos e eu meu pai, assistir alguma coisa “com texto bom”, dizia ele. Harold Pinter, Bernard Shaw e ... Chico Buarque. Depois meu pai me levava para comer em algum lugar bem típico do centro. Eu me encantava com aquela vida, acontecendo de verdade. Fomos na Familia Mancini, comer um bauru no ponto chic, novidades sem fim, pra mim, é claro. Um dia eu desencanei, me desiludi, sei lá, mas isso é papo pra outro texto. Disso tudo me restaram tesouros maravilhosos: A Kiru, minha irmã linda que brilha nos palcos e continua me proporcionando essa vivência onírica. Uma biblioteca de teatro gigante, que é o meu xodó. Vira e mexe, pego um livro ou outro para relembrar alguma doçura. E uma última coisa: a sensação de uma estréia no palco. Nada minha gente, nem textos elogiadíssimos, nem o abraço mais sincero, nem um MBA international surrond sound, se compara ao friozinho na barriga que dá quando abre aquela cortina. Dizem que é a deusa do teatro que paira pelas cochias soprando brilhinhos nos atores. Eu? Ah ... eu acredito.
terça-feira, 17 de junho de 2008
Mudança de casa III
Com caixas até o último fio de cabelo e sem encontrar nada no meu já antigo apartamento, acho que o mais difícil de jogar fora são as cartas. Desde sempre. Papel e mais papel. Mas não é só papel né? Tem um montão de palavras ali. Difíceis de esquecer. Mesmo que não faça o menor sentido guardar... ah. Não consigo! Cartão de coração, carta de quando fui viajar, de quando eu voltei. Recadinhos adolescentes, confissões, brigas horríveis... cartas gigantescas trocando faíscas e discutindo sentimentos sérios. De gente que eu nunca mais vi e de gente que até hoje me faz feliz. Postais do mundo todo. Carta de quem já morreu de saudades. Hoje tá tudo no computador. Quando muito, a gente recebe uma doçura via SMS. Muito diferente de pegar aquela cartinha que de tanto reler, o envelope até rasgou. Carta de quem foi pra Noruega, de quem tá na Bahia e por lá ficou. Cartinhas com mentiras ? Muitas mentiras. Barracos e declarações de amor overseas. Gratidão e felicitações: feliz aniversário, natal e ano-novo. Não dá pra jogar fora assim... é história. Mumunhas puras.Frases que sueñan como canción. A Ralston: “Peketita põe a mão no coração”, Nataly: “ Sim amiga, é do Penina... eu canto aqui e vc do outro lado da Dutra”; Mamãe: “Essa é a sua viagem mais importante, que seja a mais doce”; Julia: “beijos com amor da sua irmã, Zula”, Pai: “Encontrei a Judy Garland cantando pra você”, Kiru: “ é hora da Mazinha Cinderela”. Ele: “ você com esse jeitinho que não deixa passar nada, princesa”. Dá livro, dá novela ou no mínimo... uma big nostalgia.
segunda-feira, 16 de junho de 2008
Aniversário de irmão
Ele gosta de Keith Jarret e de Marzipã. Me chama de “princesa” e é afetivo. Foi ele quem me levou a primeira vez ao Playcenter e para comer meu primeiro Big Mac. E foi com ele também, que eu peguei a estrada pela primeira vez. É meu irmão mais velho. O Fec. 8 anos a mais e afinidade desde sempre. Ele acompanha minhas entrevistas, me motiva e me protege,sempre. É a pessoa que eu mais confio. É culto e entende de coisas complicadas: de história, política e economia. Mas também sabe fazer reiki e gosta de correr na praia. Ele me responde, com a maior paciência de irmão, o que é uma “medida provisória”. É o maior advogado desse país. Me apresentou o pianista mais incrível e me ensinou a gostar de Milton Nascimento. Adora uma cervejinha e jogar futebol de segunda-feira. É lindo e tem senso de humor. Quando eu fiz 15 anos, me deu de presente a antologia poética do Vinícius de Moraes. Tem interioridade, é sensível e gosta das gravuras da Thomie Ohtake. Meu irmão é um humanista que planta admiração por onde passa. É organizado sem ser careta. Ele é presente sem ser demagogo. É meu irmão.Me liga quando nossos pais viajam, só para se certificar que está tudo bem. Somos irmãos astrais: Mesmo signo, mesmo ascendente, mesma lua e mesmo sol.
E além de tudo ele vai me dar agora o maior presente: uma sobrinha.
Parabéns Fezão.
Beijo
E além de tudo ele vai me dar agora o maior presente: uma sobrinha.
Parabéns Fezão.
Beijo
sábado, 14 de junho de 2008
Mudança de casa II -- Segundo Clarice.

"Muitas vezes o que me salvou foi improvisar um ato gratuito. Ato gratuito, se tem causas, são desconhecidas. E se tem consequências, são imprevisíveis. O ato gratuito é o oposto da luta pela vida e na vida. Ele é o oposto da nossa corrida pelo dinheiro, pelo trabalho, pelo amor, pelos prazeres, pelos táxis e ônibus, pela nossa vida diária enfim -- que está toda paga, isto é, tem seu preço.
Uma tarde dessas, de céu puramente azul e pequenas nuvens branquíssimas, estava eu escrevendo à máquina -- quando alguma coisa em mim aconteceu.
Era o profundo cansaço da luta.
E percebi que estava sedenta. Uma sede de liberdade me acordaria. Eu estava simplesmente exausta de morar num apartamento. Estava exausta de tirar idéias de mim mesma. Estava exausta do barulho da máquina de escrever. Eu precisava."
Uma tarde dessas, de céu puramente azul e pequenas nuvens branquíssimas, estava eu escrevendo à máquina -- quando alguma coisa em mim aconteceu.
Era o profundo cansaço da luta.
E percebi que estava sedenta. Uma sede de liberdade me acordaria. Eu estava simplesmente exausta de morar num apartamento. Estava exausta de tirar idéias de mim mesma. Estava exausta do barulho da máquina de escrever. Eu precisava."
MUDANÇA DE CASA
Mudar de casa é ...
1. Encaixotar
2. Cortar o cabelo
3. Sabe aquela papelada? ... LIXO.
4. É tipo um reveillon em pleno meio do ano.
5. Lacrar.
6. Redefinir a hierarquia dos livros
7. Aprender a fazer risoto de alcachofra.
8. "Nunca mais drink no dancing"
Alguém me dá um help ? :)
1. Encaixotar
2. Cortar o cabelo
3. Sabe aquela papelada? ... LIXO.
4. É tipo um reveillon em pleno meio do ano.
5. Lacrar.
6. Redefinir a hierarquia dos livros
7. Aprender a fazer risoto de alcachofra.
8. "Nunca mais drink no dancing"
Alguém me dá um help ? :)
quarta-feira, 11 de junho de 2008
Encontros e desencontros.
... ele liga e eu abafo, mas sabe como é né? Pra quê mexer no passado. Tudo cicatrizadinho, página virada e tal. E eis que eu to lá no Sabiá e o menino me aparece. Senta junto, fica lá, toma chopp, bate-papo. Coitada da Dricoletinha, que teve que aguentar ele falando e eu com aquela cara confusa. Não que ele não tenha nenhuma graça - tem, óbvio. Mas não tem mais nada a ver comigo. Amém. Ele ainda é o mesmo. Quando eu pergunto :"tudo bem?", ele me responde: "na moral", é daquele jeitinho "yo-MTV!"e ainda é gãgous total. Na hora de ir embora me abraçou e disse: "Fica tranquila, a gente vai começar a se ver mais". Mas pera aí... alguém tava tensa com a distância? Euzinha que não. Mas ele é gãgous né? E gãgous que se preze não se conforma com a idéia que a gente não sonha mais com eles.
Nada aconteceu. Alguns golinhos de chopp, um carinho no cabelo e ... de quebra, um convite estranho. Eu disse, tentando desconversar: "ah... vamos ver né" pensando: "cade o contexto?".
Mas a vida tem dessas coisas, enfim...
Nada aconteceu. Alguns golinhos de chopp, um carinho no cabelo e ... de quebra, um convite estranho. Eu disse, tentando desconversar: "ah... vamos ver né" pensando: "cade o contexto?".
Mas a vida tem dessas coisas, enfim...
Segredinhos de irmãs
Ela é 13 anos mais velha. Quando eu era pequena, me levava ao teatro e para conhecer os atores nos camarins. Ela me ensinou a fazer colares de miçanga e a enrolar brigadeiro. É a minha irmã. A Má. Linda, com sorriso de Penélope Cruz e olhos cor de mel. Ela é meu anjo da guarda. Passa horas me escutando falar e me ensina coisas de mulher. Ela é poliglota e uma cidadã do mundo. É chorona e medrosa. Vive me dizendo que eu sou muito mais corajosa do que ela só porque não tenho medo de viajar e nem de cortar meu cabelo. Ela entende de gente. É a melhor psicóloga. Tem aquele olhar de quem sabe de sentimento e a hora certa de dizer as coisas. É ciumenta e não aguenta me ver sofrer, vira uma onça quando alguma coisa me faz chorar. Ela é mulher moderna: é mãe, é profissional, cozinha como ninguém, sabe resolver coisas de adulta sozinha e não perde a doçura no meio dessa bagunça. Me deu de presente um sobrinho, o croissaint da minha vida, mon petit Davi. Ela inventa palavras e expressões próprias. Adora colo e pequenos abraços. Me ensinou o que é "sentimento oceânico" e diferentemente de mim, é uma motorista excelente. Eu morro de orgunho da minha soer. Do jeitinho dela prender o cabelo, sempre elegante. Do bom gosto pra tudo: culinária, roupa, brincos e cacarecos. Foi com ela que eu comprei meu primeiro sapato de salto alto. E é comigo que ela discute tudo, sem esconder nada. Porque eu percebo a minha irmã melhor do que qualquer um. É ela quem junta a família, porque é a filha mais cuidadosa e habilidosa. Eu morro de saudades e divido, todos os dias, minhas coisas com ela em pensamento. Dizem que a fraternidade é vermelha, no meu caso... eu não acredito.
terça-feira, 10 de junho de 2008
Sobre argentinos
Eles são galanteadores. Sabem como ninguém sussurar um “sos preciosa” e esbanjam charme. Mas não é um charminho simples. É coisa séria. Porque eles são sérios. Nossos vecinos proteños são sedutores e amam à moda de Gardel. Quem já foi para Buenos Aires sabe do que eu to falando... você anda na rua e eles olham no seu olho. Um pouco diferente das olhadelas quando a gente anda na rua aqui. “Ah Mazinha, isso é uma visão romântica e idealizada dos argentinos”, me dirão alguns. Pode até ser. Mas não me iludo, não. Sei que eles são machistas, conservadores, orgulhosos e vaidosos até o último fio de cabelo. Mas mesmo assim, uma pitada de ares argentinos não faz mal a ninguém.
***
Então era nossa segunda semana em Barcelona cruzamos um menino no metrô, bem buni. A Nanas timidamente me disse: “tem cara de brasileiro né?” Mas não era. “soy argentino”, nos disse ele, Ignácio. Trocamos algumas informações banais, o tempo do trem parar e a gente descer. Combinamos ali mesmo, numa baldeação gigantesca da estação Passeg de Gràcia , de encontrar o “argentininho” que morava com mais 5 amigos, num bar nas Ramblas. Não demorou nada e estávamos viajando com eles para o sul da França, de carro. A gente não se conhecia, não tínhamos a menor idéia do que nos esperava 4 dias viajando com argentinos desconhecidos, mas a idéia era, de algum modo, fascinante. A tal da côte d´ azur estava mais cinza e fria do que interior da Inglaterra. Passamos por cidadezinhas lindas, que na primavera, devem ficar coloridas, no melhor estilo Brigitte Bardot. Mas era inverno. Invernão mesmo, com direito a capuz, bota e guarda-chuva. Nuestros chicos foram se revelando muito parecidos com a gente. Ignácio(Natcho), Tomas (Tomi), Maximiliano (Maxi) e Nicolaz(Nico). Educadíssimos e irmãos sul-americanos. Todos já conheciam o Brasil, o Rio, o sul, sabiam cantar Tom Jobim, Gil e Timbalada, mas nós... Nós pergutamos qualquer coisa sobre a Patagonia, Tango e Salsa. Não falávamos bem espanhol ainda. A comunicação encrecava direto. Eu tinha dor de cabeça no final do dia de tanto esforço. Aí chegamos a conclusão que era melhor cada um falar a sua língua e quando a gente não se entedesse, cambiava direto para o inglês. Assim funcionou perfeitamente. Foi tudo muito diferente e bizarramente divertido. Nos meses que se seguiram, não mantivemos um contato muito próximo. Acho que foi muito intenso o encontro Brasileiras/Argentinos, para o começo da viagem. Só sei que encontrei por acaso, um deles na praça catalynua, uma semana antes de eu ir embora de Barcelona. Continuei, mesmo depois de 6 meses hablando bien, não entendendo direito o español dele. Trocamos elogios e eu fui embora. Restaram muitas doçuras e amizades deliciosas. Nos falamos até hoje. O Maxi veio ano passado com uma penca de amigos, foram para Maresias e eu apresentei pra ele o que é um “Happy Hour”. “ Tenemos que venir vivir acá, chicos! És un paraíso”, dizia ele pros meninos, com um chopp em cada mão, num boteco qualquer da vida. Tudo isso porque ele estão vindo aí. Los chicos con aciento cantado que quieren salir de marcha por san pablo: “especialmente por la noche”. Ok, e dá pra negar alguma coisa pra esses pibes que llegaram para se quedar? Creo que no.
***
Então era nossa segunda semana em Barcelona cruzamos um menino no metrô, bem buni. A Nanas timidamente me disse: “tem cara de brasileiro né?” Mas não era. “soy argentino”, nos disse ele, Ignácio. Trocamos algumas informações banais, o tempo do trem parar e a gente descer. Combinamos ali mesmo, numa baldeação gigantesca da estação Passeg de Gràcia , de encontrar o “argentininho” que morava com mais 5 amigos, num bar nas Ramblas. Não demorou nada e estávamos viajando com eles para o sul da França, de carro. A gente não se conhecia, não tínhamos a menor idéia do que nos esperava 4 dias viajando com argentinos desconhecidos, mas a idéia era, de algum modo, fascinante. A tal da côte d´ azur estava mais cinza e fria do que interior da Inglaterra. Passamos por cidadezinhas lindas, que na primavera, devem ficar coloridas, no melhor estilo Brigitte Bardot. Mas era inverno. Invernão mesmo, com direito a capuz, bota e guarda-chuva. Nuestros chicos foram se revelando muito parecidos com a gente. Ignácio(Natcho), Tomas (Tomi), Maximiliano (Maxi) e Nicolaz(Nico). Educadíssimos e irmãos sul-americanos. Todos já conheciam o Brasil, o Rio, o sul, sabiam cantar Tom Jobim, Gil e Timbalada, mas nós... Nós pergutamos qualquer coisa sobre a Patagonia, Tango e Salsa. Não falávamos bem espanhol ainda. A comunicação encrecava direto. Eu tinha dor de cabeça no final do dia de tanto esforço. Aí chegamos a conclusão que era melhor cada um falar a sua língua e quando a gente não se entedesse, cambiava direto para o inglês. Assim funcionou perfeitamente. Foi tudo muito diferente e bizarramente divertido. Nos meses que se seguiram, não mantivemos um contato muito próximo. Acho que foi muito intenso o encontro Brasileiras/Argentinos, para o começo da viagem. Só sei que encontrei por acaso, um deles na praça catalynua, uma semana antes de eu ir embora de Barcelona. Continuei, mesmo depois de 6 meses hablando bien, não entendendo direito o español dele. Trocamos elogios e eu fui embora. Restaram muitas doçuras e amizades deliciosas. Nos falamos até hoje. O Maxi veio ano passado com uma penca de amigos, foram para Maresias e eu apresentei pra ele o que é um “Happy Hour”. “ Tenemos que venir vivir acá, chicos! És un paraíso”, dizia ele pros meninos, com um chopp em cada mão, num boteco qualquer da vida. Tudo isso porque ele estão vindo aí. Los chicos con aciento cantado que quieren salir de marcha por san pablo: “especialmente por la noche”. Ok, e dá pra negar alguma coisa pra esses pibes que llegaram para se quedar? Creo que no.
sexta-feira, 6 de junho de 2008
Mumunhas
Descompassos. Uma garrafa de vinho pela metade. Isqueiro esquecido encima da pia. Beijo e abraços carinhosos. Clave de sol e meias palavras... a gente se ajeita, sempre. Abafa a raiva, abafa a culpa e tome leveza. Beijo no canto da boca. Frasco de perfume no final. Sobra só uma borrifada.E um rastrinho no travesseiro. Última mordida no doce. Pois quando tu me deste a rosa pequenina, as provocações ganharam poder de varinha de condão. Pulseirinha da sorte. música de Chico Buaque no final: "se na bagunça..." Meiguices, sempre. Adjetivos encurralados nas cerquinhas do coração.
Sobre a folga
Já faz um tempo que eu quero escrever um textinho destinado às pessoas folgadas. Não é que eu seja uma mini-Fernanda Young que se irrita com tudo.Pelo contrário. Sou super panda e detesto gente amarga que se irrita com qualquer bobagem. Mas se tem uma coisa que me tira do sério é gente folgada. Gente folgada não olha pro mundo, vive na bolha : “eu -umbigo do mundo” e não tem a menor culpa em dizer: “sou egoísta mesmo”. Eu ouvi isso duas vezes na semana passada, assim, com a maior naturalidade. Sabe gente, ser egoísta não é bacana não... é um defeito. Onde que virou “ok” ser uma pessoa egoísta? É... porque as pessoas têm vergonha em dizer que são preconceituosas, que são avaras, mas egoístas não. É super normal. Isso me deixa incorformada. Gente folgada acha que domina a própria vida e mais... é dono do nariz do vizinho. Opina onde não é chamado, sabe ser incoviniente e espaçoso. Gente folgada não entende o que é gentileza. Lá vai vc, ingênua e fofa, fazer uma coisinha buni, e os folgados de plantão já entendem isso como sua obrigação. Folgados não agradecem, não retribuem e ainda consomem mais e mais. São mini aspiradores do brilho dos outros. Se encostam e acomodam-se na educação e altruísmo de quem valoriza os “pequenos tesouro das armadilhas terrestres”, como diria o Paulo Mendes Campos. Ainda bem que isso não acontece comigo né? A gente sofre um pouco mais do que eles -- os folgados, mas também... acho que se eu só olhasse pro meu umbigo o dia inteiro eu enjoaria rapidinho. Acreditar que você é melhor que os outros deve ser tão enjoativo e pobre. Ainda fico com os tropeços do dia-a-dia que não poucos, mas que definitivamente, são mais autônomos e gratificantes.
terça-feira, 3 de junho de 2008
Gui
Ontem fui entrevistar o José Miguel Wisnick. Foi muito legal. É bacana entrevistar gente que não é só culta, mas é também erudita, como é o caso dele. Fomos eu e o Pedro, repórter que trabalha aqui comigo, lá na casa dele, no Butantã.
Ele é bagunceiro, mas o pensamento super ordenado. Assim que a gente entrou, eu contei que tinha estudado na Puc e tal, aí ele me olhou assim, meio contemplativo e disse: “Sabe que eu conheci uma estudante da Puc uma vez? Muito incrível a menina, Nataly”. Eu ri disse que éramos amigas mas que agora vc estava na Espanha, viajando pela Andaluzia. Ele me contou de uma vez que vc foi num camarim do show dele, só para comentar a letra de uma música que ele tinha feito: “carismática e inteligente”, me disse ele. Aí passei uns 15 minutos falando bem de vc e contando nossas aventuras em Paraty para contextualizar o Pedro, que ainda não te conhece. Nata, ele vai lançar um livro pela Cia das Letras sobre futebol. Me lembrou muito o Waltinho, que nas aulas dele, falava de música e futebol, sempre com propriedade, mas nunca sem suavidade, lembra?
Achei ele doce e esquemático. Doce porque tem senso de humor e nenhuma agressividade. Esquemático porque cada resposta era uma aula com começo, meio e fim. Saí de lá toda metidona que ele elogiou minha entrevista com o Wellington Nogueira. Disse que hoje em dia não existe mais debates, que os críticos não querem pensar sobre a cultura, mas falam como se fossem donos da verdade. De novo pensei sobre a delicadeza, e sabe amiga, tem gente como a gente sim. É só treinar o olhar...
beijos com saudades de da nó,
Mazi
segunda-feira, 2 de junho de 2008
sábado, 31 de maio de 2008
Schopenhauer
Sobre presentes
Os preferidos sempre foram caixas de lápis de cor. Gostava do cheiro. Bonecas sempre. Gostava de usar os sapatos novos e acordar no dia seguinte tendo mil coisinhas para fuçar.
Com o tempo passei a gostar de ganhar batons, roupas e perfumes. Do Boticário. Depois vieram os livros e a paixão pelo Vinicius de Moraes.
Nesse meu aniversário ganhei um poema. O primeiro poema de verdade. Não desses escritos em sala de aula ou em guardanapo de bar.
Ele é um presente.
Querido, me permite colocar aqui ?
adoro.
o jeito que ri, o jeito que abraça.
gosto de como mexe o cabelo
que é dar cor dos olhos, se não me engano
gosto das pandices e do pandoquês
do estado permanente de tensão
quando encontra um geminiano
gosto da malícia
e vou continuar gostando por anos afora
feliz aniversário.
Gracias meu panda.
Beijos
Com o tempo passei a gostar de ganhar batons, roupas e perfumes. Do Boticário. Depois vieram os livros e a paixão pelo Vinicius de Moraes.
Nesse meu aniversário ganhei um poema. O primeiro poema de verdade. Não desses escritos em sala de aula ou em guardanapo de bar.
Ele é um presente.
Querido, me permite colocar aqui ?
adoro.
o jeito que ri, o jeito que abraça.
gosto de como mexe o cabelo
que é dar cor dos olhos, se não me engano
gosto das pandices e do pandoquês
do estado permanente de tensão
quando encontra um geminiano
gosto da malícia
e vou continuar gostando por anos afora
feliz aniversário.
Gracias meu panda.
Beijos
quinta-feira, 29 de maio de 2008
Nasce uma corinthiana*
Deixa eu esclarecer uma coisa: eu sou são-paulina. Mas curiosamente, fui convidada para ir ao Morumbi, pela primeira vez, ontem, por 4 corinthianos. Mamãe fica preocupada. Mas, eu, animada para ver uma manifestação de massas, aceitei.
Eis o pequeno relato e o esclarecimento sobre algumas questões futibolísticas freqüentes.
Pré - jogo -- antes do estádio
A coisa é smooth. O papo é leve, é esperança, cordialidade. Cervejinha na mão e bossa na conversa. No máximo bandeira pra fora do carro e ansiedade para chegar logo.
Coisas que não se deve fazer : tentar negociar o preço do flanelinha 20 minutos antes de começar o jogo. Ou tentar reprimir o sentimento de um corinthiano ansioso. Minhas amigas, aprendam: se você está na chuva, é para se molhar.
Pré - jogo -- no estádio
As primeiras manifestações de agressividade começam a aparecer. Notem: não importa o motivo. Pode ser a fila da tal da cativa, a catraca ou um fulano qualquer que esteja na frente. It doesn´t matter. Começa a borbulhar um tipo de sentimento desconhecido, pra mim, pelo menos. É uma mistura de “eu vou matar quem está me deixando nessa fila” com “se eu perder um minuto do jogo do timão eu vou me matar”. Coisa de Tanatos. Palavrões, muitos, misturados aos gritos de guerra -- um melange só. “Coração” e “merda” nessa hora, estão no mesmo patamar. Coisas que não se deve fazer: entrar em combate, ou furar a fila. Lembrem-se: essas pessoas estão em estado alterado, em polvorosa, por assim dizer... é melhor não cutucar.
Primeiro tempo
Alegria. Todo mundo eufórico e cheio de energia. É assim: quando você chega no campo, pode ir pisando nos bancos . Como assim pisando? É pisando mesmo, você se movimenta por cima das cadeiras. Fica de pé, pula, faz o que quiser. Freedom total. Meus anfitriões foram muito atenciosos. Além de me ajudar na movimentação “intra-bancos”, foram pacientes me explicando as torcidas, ensinando os hinos. Curiosidades: Não existe um relógio bem gradão no estádio, mostrando quanto tempo falta de jogo, sabe? O Planet me explicou que é para os jogadores não “segurarem a bola”. Segurar a bola, pra quem não sabe, é ficar enrolando para o outro time não fazer gol.
Mas tudo muda no fim de um segundo tempo sem gol, eu percebi. Todos os gritos de alegria começam a se tornar uma coisa, digamos assim, meio animal. Meus companheiros ficaram tensos. Meninas, advices: não é hora de consolar... deixem eles vivenciarem isso. É um momento deles, nós somos puras intrusas nesse ambiente.
Intervalo
Apreensivos, eles discutem medidas de técnicas. É melhor não opinar. Euzinha me entreti com o forrozão que estava tocando alto e com um sorvete de chocolate que tava rolando ali na turma.
Segundo tempo
Olha, o segundo tempo é meio traumatizante. É muita tensão, bicho. São olhares apaixonados. O cara do meu lado estava com taciardia. Beijava a medalinha do pescoço, tirava o boné da cabeça, jogava no chão, chingava todo mundo: *%*###, juiz, time do botafogo, torcida do botafogo, técnico do corinthias, jogadores, até Deus tá no páreo do xingamento.
Fim do jogo
AINDA BEM que o corinthians ganhou. Senão eu ia ter que cuidar de 5 emburrados com bicos gigantescos e carrancas inconsoláveis. Lindo mesmo é sair do estádio com todos cantando a mesma música, um “ôôoo” que chega a ser religioso. De arrepiar. Eu aprendi o poder que tem aquela pelota de fútbol, ayer en la cancha.
Glossário:
Gol do corinthians -- abraços, beijos e novenas rezadas. Rojões, gritos e palavrões também, all the time
Gol do time adversário -- choro contido, xingamentos ao léo, silêncios agoniantes e cigarros, muitos.
Pênaltis -- ninguém merece, minha gente. Isso é coisa pra quem curte uma tortura.
Pontos Altos:
A Ola da torcida, a dancinha poropópó e o Herrera, jogador buni argentininho-guerreiro do corinthians.
***
Só sei que hoje acordei com um “louco por ti Corinthians” martelando na minha cabeça. Meninos, isso gruda pra sempre? Quero uma camiseta roxinha e também um botton pra eu colocar na bolsa. Achei linda a manifestação de amor: “Timão é o time do coração”. Isso é coisa mágica? Acho que sim.
* licença poética pro texto ficar mais emocionante, tá?
Eis o pequeno relato e o esclarecimento sobre algumas questões futibolísticas freqüentes.
Pré - jogo -- antes do estádio
A coisa é smooth. O papo é leve, é esperança, cordialidade. Cervejinha na mão e bossa na conversa. No máximo bandeira pra fora do carro e ansiedade para chegar logo.
Coisas que não se deve fazer : tentar negociar o preço do flanelinha 20 minutos antes de começar o jogo. Ou tentar reprimir o sentimento de um corinthiano ansioso. Minhas amigas, aprendam: se você está na chuva, é para se molhar.
Pré - jogo -- no estádio
As primeiras manifestações de agressividade começam a aparecer. Notem: não importa o motivo. Pode ser a fila da tal da cativa, a catraca ou um fulano qualquer que esteja na frente. It doesn´t matter. Começa a borbulhar um tipo de sentimento desconhecido, pra mim, pelo menos. É uma mistura de “eu vou matar quem está me deixando nessa fila” com “se eu perder um minuto do jogo do timão eu vou me matar”. Coisa de Tanatos. Palavrões, muitos, misturados aos gritos de guerra -- um melange só. “Coração” e “merda” nessa hora, estão no mesmo patamar. Coisas que não se deve fazer: entrar em combate, ou furar a fila. Lembrem-se: essas pessoas estão em estado alterado, em polvorosa, por assim dizer... é melhor não cutucar.
Primeiro tempo
Alegria. Todo mundo eufórico e cheio de energia. É assim: quando você chega no campo, pode ir pisando nos bancos . Como assim pisando? É pisando mesmo, você se movimenta por cima das cadeiras. Fica de pé, pula, faz o que quiser. Freedom total. Meus anfitriões foram muito atenciosos. Além de me ajudar na movimentação “intra-bancos”, foram pacientes me explicando as torcidas, ensinando os hinos. Curiosidades: Não existe um relógio bem gradão no estádio, mostrando quanto tempo falta de jogo, sabe? O Planet me explicou que é para os jogadores não “segurarem a bola”. Segurar a bola, pra quem não sabe, é ficar enrolando para o outro time não fazer gol.
Mas tudo muda no fim de um segundo tempo sem gol, eu percebi. Todos os gritos de alegria começam a se tornar uma coisa, digamos assim, meio animal. Meus companheiros ficaram tensos. Meninas, advices: não é hora de consolar... deixem eles vivenciarem isso. É um momento deles, nós somos puras intrusas nesse ambiente.
Intervalo
Apreensivos, eles discutem medidas de técnicas. É melhor não opinar. Euzinha me entreti com o forrozão que estava tocando alto e com um sorvete de chocolate que tava rolando ali na turma.
Segundo tempo
Olha, o segundo tempo é meio traumatizante. É muita tensão, bicho. São olhares apaixonados. O cara do meu lado estava com taciardia. Beijava a medalinha do pescoço, tirava o boné da cabeça, jogava no chão, chingava todo mundo: *%*###, juiz, time do botafogo, torcida do botafogo, técnico do corinthias, jogadores, até Deus tá no páreo do xingamento.
Fim do jogo
AINDA BEM que o corinthians ganhou. Senão eu ia ter que cuidar de 5 emburrados com bicos gigantescos e carrancas inconsoláveis. Lindo mesmo é sair do estádio com todos cantando a mesma música, um “ôôoo” que chega a ser religioso. De arrepiar. Eu aprendi o poder que tem aquela pelota de fútbol, ayer en la cancha.
Glossário:
Gol do corinthians -- abraços, beijos e novenas rezadas. Rojões, gritos e palavrões também, all the time
Gol do time adversário -- choro contido, xingamentos ao léo, silêncios agoniantes e cigarros, muitos.
Pênaltis -- ninguém merece, minha gente. Isso é coisa pra quem curte uma tortura.
Pontos Altos:
A Ola da torcida, a dancinha poropópó e o Herrera, jogador buni argentininho-guerreiro do corinthians.
***
Só sei que hoje acordei com um “louco por ti Corinthians” martelando na minha cabeça. Meninos, isso gruda pra sempre? Quero uma camiseta roxinha e também um botton pra eu colocar na bolsa. Achei linda a manifestação de amor: “Timão é o time do coração”. Isso é coisa mágica? Acho que sim.
* licença poética pro texto ficar mais emocionante, tá?
terça-feira, 27 de maio de 2008
Sobre dividir apartamento
segunda-feira, 26 de maio de 2008
Sobre a intensidade
Tenho um amigo que me chamou de intensa um dia desses. Eu não me acho, de maneira alguma, uma pessoa intensa. E ele disse categoricamente que, sim eu era e ponto. Tentei explicar porque não. Intensidade pra mim é navalha na carne. Cobranças sem sentido. Vidas sem suavidade, sem chazinhos e fins de tarde de verão. Unha roída. Pessoas intensas não se contentam e sentir as coisas: tem que explicitá-las. Eu não. Isso me cansa. Intensidade pra mim é amor com gosto de fruta mordida. É quem envolve o mundo inteiro na própria bagunça. Eu não. Confusa ? Posso até ser, mas guardo minha confusão só pra mim. Vai lá... divido com um ou outro infeliz que me escuta. Mas daí a dar piti, estardalhaço, never. Intensidade pra mim é briga. Pegação, jogar defeitos na cara. Eu não. Não sei brigar, sou péssima barraqueira. Intensidade é o excesso. Muita sujeira, muita paixão, muitas palavras e muitos arrependimentos. Intensidade é gente fugáz, que não se apega, não senta e relaxa. Eu não. Meus vínculos são super bem construidinhos. Eu sou muito quadradona pra ser intensa. Minha vida não é uma montanha- russa. Intensidade pra mim é gente volúvel. Vai do fundo do poço à euforia em cinco minutos. Muito ciúme, muita dor e risadas vorazes. É por isso, Papas, que eu não sou intensa. Porque eu gosto de ter pequenos rituais. Gosto de almoçar com família, de ouvir as pessoas contarem de coisinhas especiais que eles descobriram. Gosto de chegar em casa e não precisar falar com 400 pessoas. Sou profunda mas não intensa.Já convencida disso, falei minha teoria para um outro amigo que desbancou todos os argumentos. Não sobrou nadinha pra rebater. Disse ele : “ Ser intensa é amar as coisas que ama da melhor maneira”. Se for isso mesmo, sim eu definitivamente sou uma geminiana intensa.
domingo, 25 de maio de 2008
No topo do coração
* "Paris, Texas" Win Wenders
* "Mensagem à poesia" Vinícius de Moraes
* "New York Movie" Edward Hopper
* "O que será ( A flor da pele)" Chico Buarque
* "La promenade" Marc Chagall
* Bolinhos de chuva da Vovó
* Histórias da mitologia grega
* Dias com temperatura de 28 graus
* "Face of peace" Picasso
* "Um vestido Y un amor" Caetano
* Pôr do sol na Barra do Una
* Água gelada depois de correr
* "Carmen" Carlos Saura
* "Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres" Clarice Lispector
* Último capítulo de novela
* Chocolates da kopenhagen
* "Nós que aqui estamos por vós esperamos" Marcelo Mazagão
* Fazer a unha
* "Samba da benção" Vinicius de Moraes
* Presentinhos
* "Meus ombros suportam o mundo" Drummond
* " O beijo" Rodin
* Passeios de barco
* Zara em liquidação
* Provérbios
* Mafalda Quino
* Caipirinha de frutas do genésio
* Massagem no pé
* "Fragmentos de um discurso amoroso" Roland Barthes
* Banho com vela acesa
* "Samwad" Ivaldo Bertazzo
* "O acossado" Godard
* Hidratação
* "Mensagem à poesia" Vinícius de Moraes
* "New York Movie" Edward Hopper
* "O que será ( A flor da pele)" Chico Buarque
* "La promenade" Marc Chagall
* Bolinhos de chuva da Vovó
* Histórias da mitologia grega
* Dias com temperatura de 28 graus
* "Face of peace" Picasso
* "Um vestido Y un amor" Caetano
* Pôr do sol na Barra do Una
* Água gelada depois de correr
* "Carmen" Carlos Saura
* "Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres" Clarice Lispector
* Último capítulo de novela
* Chocolates da kopenhagen
* "Nós que aqui estamos por vós esperamos" Marcelo Mazagão
* Fazer a unha
* "Samba da benção" Vinicius de Moraes
* Presentinhos
* "Meus ombros suportam o mundo" Drummond
* " O beijo" Rodin
* Passeios de barco
* Zara em liquidação
* Provérbios
* Mafalda Quino
* Caipirinha de frutas do genésio
* Massagem no pé
* "Fragmentos de um discurso amoroso" Roland Barthes
* Banho com vela acesa
* "Samwad" Ivaldo Bertazzo
* "O acossado" Godard
* Hidratação
Outras mumunhas mais... Anteontem quando vc saiu do carro, me disse que eu nasci pra ser feliz. Vc não foi o primeiro a me dizer isso. Mas foi a primeira vez em que eu acreditei. Porque vc é especial. Porque vc me surpeende, pro bem, sempre. Quando eu acho que não vai ser mais possível, vc consegue me fazer pensar: “Quem foi que inventou essa pessoa ?”. Mais uma vez. Estamos nós dois. Rindo. Enciumados. Encorelizados e protegidos pela nossa impossibilidade. Não importa a diferença. Quero a sua receita.
terça-feira, 20 de maio de 2008
Fashion para leigos
Natalinda,
Ontem fui entrevistar o Tom Ford com a Dóris. Coisa phina, viu? Fui pra dar uma força pra ela no inglês porque ela estava tão nervosa que não conseguia nem falar direito. Homem lindo, elegantérrimo. Levou uma equipe de 10 pessoas só pra deixar tudo do jeito que ele quer: o quarto aromatizado, as toalhas impecáveis, gente servindo canapézinhos durante a entrevista. Aí eu já imaginei um cara afetado e maluco. Mas não Nata, ele é incrivelmente simpático e carismático. E eis que ele me diz, em meio suas declarações evasivas e inteligentes: “Aproveitando a entrevista, vcs conhecem uma menina chamada “Nataly” ? -- com sotaque texano forte. Eu ri baixinho e disse que sim. “Vi ela numa figuração de um filme trash catalão. Me encantó, bella raggazza”. Me falou ele, misturando as 400 linguas que tem fluência. Eu ri mais ainda. Meio nervosa, disse: “ Sabe q´que é Tom? Ela tá na França com la abuelita que es un trocito de pan e com a mãe, família é família né ? ” Ele, cheio de graça respondeu: “definitely”. A entrevista foi rápida, mas antes de apertar a minha mão e me chamar de “sweet girl”, não me deixou esquecer: “quando vc encontrar com ela, diga que a quero na minha próxima campanha”. I won´t forget. Viu Nata? Trata de ir pra Beverly desfilar no tapete vermelho. Eu? vou sempre te aplaudir, amiga.
SAUDAS
Mazi
Ontem fui entrevistar o Tom Ford com a Dóris. Coisa phina, viu? Fui pra dar uma força pra ela no inglês porque ela estava tão nervosa que não conseguia nem falar direito. Homem lindo, elegantérrimo. Levou uma equipe de 10 pessoas só pra deixar tudo do jeito que ele quer: o quarto aromatizado, as toalhas impecáveis, gente servindo canapézinhos durante a entrevista. Aí eu já imaginei um cara afetado e maluco. Mas não Nata, ele é incrivelmente simpático e carismático. E eis que ele me diz, em meio suas declarações evasivas e inteligentes: “Aproveitando a entrevista, vcs conhecem uma menina chamada “Nataly” ? -- com sotaque texano forte. Eu ri baixinho e disse que sim. “Vi ela numa figuração de um filme trash catalão. Me encantó, bella raggazza”. Me falou ele, misturando as 400 linguas que tem fluência. Eu ri mais ainda. Meio nervosa, disse: “ Sabe q´que é Tom? Ela tá na França com la abuelita que es un trocito de pan e com a mãe, família é família né ? ” Ele, cheio de graça respondeu: “definitely”. A entrevista foi rápida, mas antes de apertar a minha mão e me chamar de “sweet girl”, não me deixou esquecer: “quando vc encontrar com ela, diga que a quero na minha próxima campanha”. I won´t forget. Viu Nata? Trata de ir pra Beverly desfilar no tapete vermelho. Eu? vou sempre te aplaudir, amiga.
SAUDAS
Mazi
Não erra
Oxossi é o rei de Keto, filho de Oxalá e Yemanjá. É o Orixá da caça. Diz um mito que Oxossi encontrou Iansã na floresta, sob a forma de um grande elefante, que se transformou em mulher. Casa com ela, tem muitos filhos que são abandonados e criados por Oxum. Astúcia, inteligência e cautela são os atributos de Oxóssi, pois, como revela a sua história, este caçador possui única flecha, por tanto, não pode errar a presa, e jamais erra.
sábado, 17 de maio de 2008
Grande sertão -- será ?
"Diadorim veio para perto de mim, falou coisas de admiração, muito de afeto leal. Ouvi, ouvi, aquilo, copos a fora, mel de melhor. Eu precisava. Tem horas em que penso que a gente carecia, de repente, de acordar de alguma espécie de encanto. As pessoas, e as coisas, não são de verdade! E de que é que , a miúde, a gente adverte incertas saudades? Será que, todos nós, as nossas almas já vendemos?"
quinta-feira, 15 de maio de 2008
Murillinho
Deixa eu pensar por onde eu começo... palmeirense. Mesmo. De verdade. De discutir isso em qualquer lugar, esquina, guarda-sol. Tem apelido pra todos os torcedores, tem sempre algum argumento na ponta da língua pra convencer que o time dele é o melhor sim e o resto não tá com nada. Teimoso. Eu me atrevi discutir com ele algumas vezes... não tem jeito. Cabeça dura. Passa horas no mesmo assunto até te convencer. Ao vivo, por e-mail ou msn. Eu sempre digo pro Murillinho que ele devia ser advogado. O Murillinho é o Murillo Camarotto. Jornalista sério e entendido das coisas. Me ensina economia: "é assim Mazola, vc tem que entender uma coisa: lei da oferta e procura". Sabe de samba. Sabe de cerveja e sabe apreciar o que é bom. Adora jogar na minha cara que eu sou uma patricinha, que eu sou “fina” e não sei o que mais. Eu nem ligo. Adoro o sorriso dele. O Murillinho é transparente. Transparente mesmo, não consegue esconder nadinha que passa naquela cuca. Quando ele tá chateado, o silêncio domina a mesa. Mas tem ginga pra dançar. É o maior pé-de-valsa daquela família. Ele me mima e me chama de manhosa. Eu dou risada. Ele gosta da música "Formosa" do Vinícius. Eu confio nele. Curioso. Não tem nada que escape a percepção desse danadinho. Jornalista de alma, intuitivo... mesmo que vc negue, ele sabe perceber quando alguma coisa incomoda. Objetivo. Com o Murillinho não tem enrolação, é pra ir então vamos. É pra comprar, então compra. Não tem desculpinha nem meias-vontades. É direto ao ponto. Começar a falar dele é dificil... mas parar é mais. quarta-feira, 14 de maio de 2008
Inferno Astral
Ok. Tem gente que não acredita em signo e tal. Mas já que eu estou no meu inferno astral me permito fazer algumas observações sobre ser geminiana.
Primeiro esclarecimento: Não somos duas caras. Not at all. Isso se chama INDECISÃO. Quem nunca teve uma dúvida agustiante ? Então, agora pensa viver isso diariamente. É... vê se depois de um tempo vc tbm não começa a repensar suas decisões... AGONIA, minha gente.
Segundo esclarecimento: somos o signo da comunicação, da criatividade e tal. Mas tem hora que a gente gosta de ficar quietinha, tatu-bolinha. Sem idéias mirabolantes e pulinhos felizes. Aí já vêm nos tachando de “inconstantes”. Oras, não é questão de inconstância... é questão de "se permitir" ok ?
Terceiro esclarecimento: somos sigos de ar. Livres e tal. Mas isso não significa que a gente é desapegado, não tá nem aí. Nããããõ... mimitos, presentinhos são muito bem-vindos, obrigada. Ah... agradecer quando a gente faz alguma coisa legal, também cai bem. Agora tem a parte boa desse signo tão divido. Quem é "inconstante" tem um descontinho na hora que dá um cano aqui, acolá. A gente ganha pontos quando começa uma conversa despretensiosa, meio de "beira de estrada" e vira um assunto filosófico e profundo. A gente engana sem querer enganar... isso é perigoso, mas é também muito divertido. Traquinagem.
Olha gente, to no inferno astral, mas to tranquila. O Chico é geminiano, Bob Dylan e Marilyn Monroe. Ok, precisa mais? Já pode passar.
Primeiro esclarecimento: Não somos duas caras. Not at all. Isso se chama INDECISÃO. Quem nunca teve uma dúvida agustiante ? Então, agora pensa viver isso diariamente. É... vê se depois de um tempo vc tbm não começa a repensar suas decisões... AGONIA, minha gente.
Segundo esclarecimento: somos o signo da comunicação, da criatividade e tal. Mas tem hora que a gente gosta de ficar quietinha, tatu-bolinha. Sem idéias mirabolantes e pulinhos felizes. Aí já vêm nos tachando de “inconstantes”. Oras, não é questão de inconstância... é questão de "se permitir" ok ?
Terceiro esclarecimento: somos sigos de ar. Livres e tal. Mas isso não significa que a gente é desapegado, não tá nem aí. Nããããõ... mimitos, presentinhos são muito bem-vindos, obrigada. Ah... agradecer quando a gente faz alguma coisa legal, também cai bem. Agora tem a parte boa desse signo tão divido. Quem é "inconstante" tem um descontinho na hora que dá um cano aqui, acolá. A gente ganha pontos quando começa uma conversa despretensiosa, meio de "beira de estrada" e vira um assunto filosófico e profundo. A gente engana sem querer enganar... isso é perigoso, mas é também muito divertido. Traquinagem.
Olha gente, to no inferno astral, mas to tranquila. O Chico é geminiano, Bob Dylan e Marilyn Monroe. Ok, precisa mais? Já pode passar.
terça-feira, 13 de maio de 2008
segunda-feira, 12 de maio de 2008
Síndrome do pequeno poder
Dois grandes amigos estão sofrendo nas mãos de chefes malucos. Eu já passei por isso, apesar de hoje ter uma chefe fofíssima, que me ajuda a crescer, tremenda profissional etc... eu tbm já sofri na mão de um carrascão assim. E é péssimo. Faz mal pra auto-estima, é estressante e anti-produtivo. O primeiro dos meus amigos tem de responder a uma meninotinha de 30 anos que acha que entende de todos os assuntos, até aí ok, se chefe não coloca respeito a gente passa por cima mesmo. O problema é que ela não sabe do que fala. Não tem o domínio do assunto, saca?Ela não sabe de muita coisa e definitivamente não sabe gerir pessoas, porque é odiada por toda equipe dela. Ela não é culta, não é inteligente e nem informada, o que pra uma jornalista (editora!) é um problema grave. E além de tudo cai de pau em quem trabalha pra ela. É cheia de fazer brincadeirinhas sarcásticas e de mau gosto. Ele fica mal pô. Isso não se faz, sabe? E eu, panda que sou, tenho vontade de ir lá e falar um montão pra ela. Do tipo: “Minha querida, quem vc pensa que é pra falar assim com os outros? Ainda mais pra quem trabalha pra vc. Que fica aqui pra tirar o seu atraso... sua mãe não te deu educação, não? O outro caso é de uma amiga que trabalha em uma instituição super tradicional. A chefe dela é centralizadora e grossa. Ela basicamente grita. É isso mesmo. A mulher grita. Se descabela, move mares e mundos pra satisfazer pequenos caprichos, trata mal as pessoas e dá carteiradas. Tudo que a gente despreza em um ser -humano. Pitis, chiliques e meias-vontades. Tudo muito anti-profissional. Eu tive um caso assim tbm na minha vida. Um chefe que abusava do um pequeno, bem pequeno mesmo, poder que ele tinha. E eu, triste e super cansada me perguntava : “Porque ele fala assim comigo?”. A verdade, minha gente, é que são pessoas muito pobres de espírito. Não conhecem risos roubados, não têm leveza nenhuma. São pessoas medíocres, voltadas para si próprias e para um coração que fica cada vez mais vazio. Não to defendendo aqui que a gente deve se amar no trabalho, que trabalho é um ambiente de afeto e amor. Não é isso. Mas até pro trabalho fluir melhor vc tem que poder conversar com seu chefe. Levar problemas, discutir questões, tirar dúvidas. Mesmo com hierarquias, é uma parceria, pôxa. E além do mais, vou dizer que esses meus dois amigos, além de tremendos profissionais competentes são pessoas adoráveis e solícitas. E que eu tenho certeza, serão grandes chefes sem cair na velha armadilha: a síndrome do pequeno poder. E tenho dito. Humpf!
sábado, 10 de maio de 2008
sexta-feira, 9 de maio de 2008
Dia das mães
Ela gosta da música Ruby Tuesday dos Rolling Stones. Me pergunta durante o dia: “Marilia, como eu faço para acessar o youtube?”. Ela não consegue fazer duas coisas ao mesmo tempo, ou fala no telefone ou assite televisão: as duas coisas juntas, jamais. Ela é taurina com ascedente em touro. É sensível a mudanças de temperatura. Detesta o calor, mas ama o sol e as cores do outono. Minha mãe é culta e bem resolvida. Tem dois olhos de jabuticas libanesas. Carrega com ela as “mineirices” herdadas de Aiuruoca. Medo de ladrão, medo de inveja e de cachorro bravo. Ela me liga quando chove forte e se preocupa quando eu estou pela madrugada. Ela ama tango argentino e calendários com fotos de beijo. Me apresentou Clarice Lispector e Albert Camus. Dela, herdei o gosto pela leitura e o cultivo do silêncio. Foi com ela que aprendi a respeitar minhas veredas. Ela é espirituosa e cheia de charme. Minha mãe. Faz carinho nos meus pés quando eu estou triste e quer matar qualquer um que fira o coração da caçula dela. Ela ri dos Casseta e Planeta. É apaixonada pelo Robert Redford. Sabe cantar em francês. Gosta de água de colônia e sapatos chiques. É a minha mamãe. Me aceita chorosa e insuportável na TPM. Ela é carismática e colorida. A Yemanjá da minha vida. Passa água benta na minha testa quando eu estou nervosa. Gosta de ver o Jornal Nacional comendo um chocolatinho. E ai de quem pegar nas coisas dela! É possessiva e reclamona. Mas é minha mamá. Habla comigo en español e tem sonhos dignos de quadros do Chagall. Ela ri de toda e qualquer poesia séria no ar. Não, definitivamente... mãe não é tudo igual.
Carta de Pai
Filha, elogiar é quase sempre cair na vala funda do lugar-comum. Mas, oPaulo bateu forte, como um soco, aqui no peito:" Fui acabando confuso e autocomplacente.Deixei o futebol por causa do joelho ...
...Não amei com suficiência o espaço e a cor...
Fatigante é o ofício para quem oscila entre ferir e remir...
Viver foi virando dever e entrei aos poucos no vermelho... "
Caí de paixão pelo Mendes Campos! Beijinho na ponta do nariz.
Papi
terça-feira, 6 de maio de 2008
Carta de mãe XIII
Compreendi, perfeitamente, o que você contou sobre vocês.Tive relações que também não floresceram. Culpa de ninguem. Algumas pessoas nos são devolvidas, tempos depois, e com o solo adubado pela vida florescem. Outras desaparecem. O importante é estar aberta e livre para novos vínculos e acreditar e apostar neles. Muitas vezes somos nós que abrimos as estrada e trilhas para chegar ao outro. Outras vezes são os outros. Conselhos???? Acho que nenhum---voce já sabe tudo. Mas....coma um docinho, reveja um filme do Carlitos e lembre-se que voce é jovem, linda e boa. E que a mamãe te ama muchisso. Buenos dias Caperucita!!!!
segunda-feira, 5 de maio de 2008
Né Nata?
" Si no puedes ser el Humphrey Bogart de mi escena ideal, vete por favor y dejat sítio al próximo"
Encontros com XICO BUARK
Já imaginei diversas vezes como seria meu encontro com o Chico Buarque.
Vcs já fizeram esse exercício? É ótimo. Dá pra reconhecer todos os nossos traços de mulher histérica abafados.
Da primeira vez me imaginei na île de Saint Louis, na fila do sorvete. Ele estaria na minha frente e pediria un glace à l'Ananas (abacaxi). "hum... ele está cuidando da saúde ou tem saudade do Brasil", pensaria eu. Euzinha pediria glace au chocolat, porque afinal de contas... se eu estivesse em Paris, definitivamente não estaria de dieta. Então ele abria o Le Monde e de dentro do jornal cairia um bilhetinho de uma garotinha simpática dizendo " meu verso preferido é Tu as le parfum de la cachaça e de suor". Ele sorriria meio tímido, olhando pra baixo e eu sairia de lá satifetérrima.
Depois idealizei um encontro bem menos romântico e chique. Seria na Pizzaria Esperanza, aqui em São Paulo. Chegando ali, ouviria rumores de que o Chico estaria sentado na última mesa comemorando uma vitória do Futebol. Eu ficaria quieta e depois nos cruzaríamos lavando as mãos. E eu diria: "meu verso preferido seu é "Na bagunça do teu coração, meu sangue errou de veia e se perdeu". E ele me contaria sem dó nem piedade, que teria escrito esse verso embriagado numa viagem de avião. Eu sorriria, meio sem graça e levemente desapontada.
Já outra vez, imaginei uma coisa um pouco mais madura. Encontraria o Chico na livraria da Travessa, no Rio. Um pouco perturbada com a presença dele, agarraria, entre outros livros que já estariam na minha mão, um Budapeste. Então, chegaria meio tímida "sorrateira", e pediria que ele autografasse meu livro. Ele, de óculos, sorriria leve, perguntaria meu nome e escreveria algo rápido. Dessas coisas impessoais que escritores rabiscam em livros de leitores babões. Mas em seguida, olharia os livros na minha mão e faria algum comentário do tipo: " Hummm... lendo Hemingway? Não faz bem ler isso na sua idade" e me daria uma piscadinha. E eu não deixaria de lado e diria: Chico, meu verso preferido é : Foi chegando sorrateiro e antes que eu dissesse não Se instalou feito um posseiro dentro do meu coração. Ele diria um "obrigado" formal. E eu iria embora aliviada e contente.
Vcs já fizeram esse exercício? É ótimo. Dá pra reconhecer todos os nossos traços de mulher histérica abafados.
Da primeira vez me imaginei na île de Saint Louis, na fila do sorvete. Ele estaria na minha frente e pediria un glace à l'Ananas (abacaxi). "hum... ele está cuidando da saúde ou tem saudade do Brasil", pensaria eu. Euzinha pediria glace au chocolat, porque afinal de contas... se eu estivesse em Paris, definitivamente não estaria de dieta. Então ele abria o Le Monde e de dentro do jornal cairia um bilhetinho de uma garotinha simpática dizendo " meu verso preferido é Tu as le parfum de la cachaça e de suor". Ele sorriria meio tímido, olhando pra baixo e eu sairia de lá satifetérrima.
Depois idealizei um encontro bem menos romântico e chique. Seria na Pizzaria Esperanza, aqui em São Paulo. Chegando ali, ouviria rumores de que o Chico estaria sentado na última mesa comemorando uma vitória do Futebol. Eu ficaria quieta e depois nos cruzaríamos lavando as mãos. E eu diria: "meu verso preferido seu é "Na bagunça do teu coração, meu sangue errou de veia e se perdeu". E ele me contaria sem dó nem piedade, que teria escrito esse verso embriagado numa viagem de avião. Eu sorriria, meio sem graça e levemente desapontada.
Já outra vez, imaginei uma coisa um pouco mais madura. Encontraria o Chico na livraria da Travessa, no Rio. Um pouco perturbada com a presença dele, agarraria, entre outros livros que já estariam na minha mão, um Budapeste. Então, chegaria meio tímida "sorrateira", e pediria que ele autografasse meu livro. Ele, de óculos, sorriria leve, perguntaria meu nome e escreveria algo rápido. Dessas coisas impessoais que escritores rabiscam em livros de leitores babões. Mas em seguida, olharia os livros na minha mão e faria algum comentário do tipo: " Hummm... lendo Hemingway? Não faz bem ler isso na sua idade" e me daria uma piscadinha. E eu não deixaria de lado e diria: Chico, meu verso preferido é : Foi chegando sorrateiro e antes que eu dissesse não Se instalou feito um posseiro dentro do meu coração. Ele diria um "obrigado" formal. E eu iria embora aliviada e contente.
sexta-feira, 2 de maio de 2008
terça-feira, 29 de abril de 2008
Receita de uma boa Panda
- Diminutivos são básico no vocabulário. Por mais que você tente, não consegue se livrar deles. Lá vem alguém dizendo: "Mazinha", "juzinha" e "Renatinha".
-Variações dos diminutivos também. Se você ouvir alguém te chamar de "florzinha", "perolinha", "pequenina" entre outros, tenha certeza: você é uma panda.
- Se pessoas completamente desconhecidas se sentem a vontade para dividir assuntos, digamos assim, de foro íntimo com você -- Tsc-tsc -- bem-vinda ao panda-club. Na fila do banco, a prima da amiga, o segurança da balada. Não importa. Você será sempre um colo em potencial. É preciso aprender a se defender.
- Se algum dia em que você acordou com a pá virada e não derramou o doce mel da sua boca as sete da manhã, alguém vira e fala: "nossa! como você está irritada", that´s it. É permitido que tudo fique mal, mas você, Panda que é, não pode. Um dia meio cabisbaixa basta para todo mundo achar aquilo um abusrdo.
- Sê você se sente meio responsável pelos outros ou uma culpa incomensúrável pelas desgraças mundiais. Não há como negar. Nem Freud, Lacan ou revistas feminias conseguem explicar. Mas é complexo de Panda.
- Aí vem o período da negação. "Quem disse que eu quero ser panda?" minhas "lindinhas", já que é uma condição, não adianta negar. O melhor é descobrir como curtir isso.
- Porque na verdade ser panda é uma delícia. Bem melhor do que ser uma Hiena, um esquilo ou um pássaro na gaiola. A gente se protege, vive em grupo e sabe prover carinho como ninguém.
- A gente segura a cabeça dos malucos, sai da cama em um dia chuvoso só para acompanhar outra panda animadésima para dançar. Porque panda que é panda tem paciência de ver a outra 14 horas na frente do armário abarrotado dizendo que não tem roupa e que o mundo é injusto. Caronas, mimitos, mumunhas e outras cositas más.
E no fim... tudo termina em alguns risos furtados, choros embrigados de final de noite e encontros inesquecíveis.
Amovosostras.
domingo, 27 de abril de 2008
Lembra das pequenas epifanias?
O Cauê é um doce. Não conseguiu dizer que eu estava bonita então disse assim: “Você está tão bem né? Você soltou o cabelo?”. Sorri. Tem aquele tipo de leveza que é invejável. Coração bom, solidário. Segurou minha bolsa e colocou a mão na minha coxa. Partiu um pedaço de carne, colocou no meu prato e regou com limão “assim fica mais gostoso”. Alimentou-me. Minha alma saiu de lá satisfeita. Olhou pra mim e disse: “Você está um pouquinho bêbada, vou te levar em casa”. Não precisa, mas trouxe. Falou de Chico Buarque como se fosse mulher. Comentou que tem azar no jogo “mas sorte no amor” com um sorrisinho sutil e maroto. Desses que não promete nada, mas já vem embutido o mundo embrulhado em ouro. É queridíssimo pelos amigos, pagou a conta e deu carona pra todos. Quer ter filhos logo “uns 5, se eu pudesse, teria já”. Quando o irmão mais novo pede champagne porque “está com sede”, Cauê dá um tapinha e fala “pega uma coca”, mas acaba dando um golinho.
Ele me deixou com um sorriso genuíno no rosto o dia seguinte inteiro. Quando eram 11 horas me ligou pra saber como eu tinha ido pro trabalho, “fiquei preocupado”. E um silêncio grande tomou conta da linha telefônica. Não conseguia falar nada. É que dentro de mim tinha apenas uma brisa que não podia ser verbalizada. Porque é muito interna, íntima e profunda. Tranquei minhas palavras.
Durante a tarde lembrei de um texto do Caio Fernando de Abreu que fala em pequenas epifanias : “Miudinhas, quase pífias revelações de Deus feito jóias encravadas no dia-a-dia. Era isso – aquela outra vida, inesperadamente misturada a minha, olhando a minha opaca vida com os mesmos olhos atentos com que eu a olhava: uma pequena epifania.”
Eu vivi uma pequena epifania porque enxerguei um presente em todo aquele sentimento. Depois veio o súbito medo de perder, de esquecer todos os sentidos que foram colocados a postos naquela noite. E tudo que estava suspirando dentro de mim na manhã do dia seguinte. O medo de simplesmente esse momento, fazer parte da coleção de coisas que foram e que não deixaram nenhuma marca. Sempre fui nostálgica, sobretudo do que não chegou a acontecer. Dos deslumbramentos a haver. Já ele, o Cauê não. Ele é concentrado na felicidade. Tem um sorriso espiral e olhos solares.
E tudo isso nascido de uma noite de coquetel de trabalho...
Ele me deixou com um sorriso genuíno no rosto o dia seguinte inteiro. Quando eram 11 horas me ligou pra saber como eu tinha ido pro trabalho, “fiquei preocupado”. E um silêncio grande tomou conta da linha telefônica. Não conseguia falar nada. É que dentro de mim tinha apenas uma brisa que não podia ser verbalizada. Porque é muito interna, íntima e profunda. Tranquei minhas palavras.
Durante a tarde lembrei de um texto do Caio Fernando de Abreu que fala em pequenas epifanias : “Miudinhas, quase pífias revelações de Deus feito jóias encravadas no dia-a-dia. Era isso – aquela outra vida, inesperadamente misturada a minha, olhando a minha opaca vida com os mesmos olhos atentos com que eu a olhava: uma pequena epifania.”
Eu vivi uma pequena epifania porque enxerguei um presente em todo aquele sentimento. Depois veio o súbito medo de perder, de esquecer todos os sentidos que foram colocados a postos naquela noite. E tudo que estava suspirando dentro de mim na manhã do dia seguinte. O medo de simplesmente esse momento, fazer parte da coleção de coisas que foram e que não deixaram nenhuma marca. Sempre fui nostálgica, sobretudo do que não chegou a acontecer. Dos deslumbramentos a haver. Já ele, o Cauê não. Ele é concentrado na felicidade. Tem um sorriso espiral e olhos solares.
E tudo isso nascido de uma noite de coquetel de trabalho...
sexta-feira, 25 de abril de 2008
Querida Natalinda, Ontem fui entrevistar o Welligton Nogueira dos doutores da alegria. Quando eu cheguei lá, logo disse que vc tinha mandado um grande beijo. Ele então me contou dos tempos em que vc trocavam palhaçadas e gargalhadas também. Eu disse pra ele que agora com vc o assunto era só tacones e choros gitanos. Ele ficou um pouco triste, acho. Mas depois rimos muito. Ele lembrou de vc andando pelo palco " a palhaça mais graciosa que eu já conheci". Eu concordo Nata. O riso é gracioso, vc não acha?
Conversamos por quase duas horas e acho que foi a entrevista mais sensível que eu já fiz. O cara transborda carisma e sensibilidade. Ele entende de candura, de pureza, de amor. Ele entende de troca ( isso é tão raro hoje em dia!!) e de jogar junto. Me disse coisas importantes: que o mundo está doente, que precisa de um pouco de "besterologia" pra cuidar de tanta gente azeda e descrente. Já me imaginei chegando toda palhaçuda aqui na redação, jorrando água nas florzinhas, falando dialetos e com um nariz de palhaço lilás. Porque a gente é palhaça, mas a gente é fina né querida?Aí eu contei pra ele sobre aquele nosso papo de delicadeza. Lembra? "Talvez no tempo da delicadeza"? Nata, o palhaço concordou comigo. Não existe mais delicadeza e o humor é uma forma de subverter tudo isso. Sabe que mais ele me disse? Que o nariz de palhaço é a menor márcara do mundo escondendo o maior ser-humano. Que existe uma qualidade de silêncio. Vc já pensou nisso? Num silêncio que seja verdadeiro e bonito? Aí eu te pergunto amiga... não é um anjo? Eu sei que é.
Beijo cheio de saudade
Mazi
Meninas-mulheres
Meninas-mulheres pra começo de conversa, são por definição, escandalosas. Abraçam-se com fervor de quem não se vê há anos mesmo que tenham se visto no dia anterior e passado o dia todo conversando ao telefone. Meninas-mulheres gritam, dançam, ocupam espaço fazem rodinha, fofoca, intriga... Mas tudo, claro, sem nenhuma maldade.
Meninas-mulheres têm a capacidade única de discursar horas sobre a política externa brasileira, discutir seriamente sobre a entrada da Turquia na união européia e no mesmo segundo compartilhar as dores de TPM, dos quilinhos a mais tão difíceis de perder.
Meninas-Mulheres gostam de astrologia, psicologia, ioga, religiões, comida natural. Desenvolvem a espiritualidade, mas analisam a vida com olhares científicos. Têm opinião pra tudo. Futebol, cinema, teatro, dinâmica familiar, o papa e a igreja católica, os professores bons e os ruins, a faculdade como instituição, a miséria, a implantação de botox, a legalização do aborto, a vida pessoal do Rodrigo Santoro, a política de Putin na Rússia e assim por diante. Só não vale ficar quieta.
Meninas-mulheres gostam de um sambinha, cervejinha e um foundizinho. Beijos e abraços fazem das meninas-mulheres afetivas. Meninas-mulheres gostam mesmo é de fazer brigadeiro depois da noitada e de pijamas e pantufas lamentar horas sobre os antigos casos amorosos. Falecidos, ex’s, covardes, crianças, moleques... Lindos, fofos, sedutores, amáveis, carinhosos.
Bem informadas, andam de carro, metrô, táxi ou a pé. A música é essencial na vida de uma menina-mulher. Criar trilhas sonoras, dirigir cantando, dançar até cair um hit dos anos setenta. Passar mal ouvindo um chorinho bem tocado, acreditar que o Chico Buarque compôs aquela música pra você sim e pra mais ninguém. Deitar na rede e relaxar ouvindo Enya. E nunca, jamais, ficar parada ao som de um samba-rock.
Meninas-mulheres odeiam tomar chuva, pegar trânsito. Reclamam de São Paulo, mas amam a vida noturna da Vila Madalena. Falam mal de cinema americano, mas não dispensam uma boa e boba comédia romântica. Tomam coca-ligth, mas não abrem mão do docinho que acompanha o café.
Meninas-mulheres se enchem de orgulho ao dizer “é um tempo pra mim, pra eu ME descobrir, ME valorizar, aprender a ficar sozinha”. Que nada! Carentes, nossas meninas mulheres odeiam ficar sozinha.
Ser menina-mulher é ter coragem de assumir a infantilidade de sua condição. É um aprendizado continuo de saber a hora de falar, de perdoar a si mesma, de ser honesta e de construir sua personalidade. De lutar contra o fantasma culpa, de ver graça nas pequenas poesias da vida. Desenvolver sensibilidade e acima de tudo sempre... O bom humor.
Meninas-mulheres têm a capacidade única de discursar horas sobre a política externa brasileira, discutir seriamente sobre a entrada da Turquia na união européia e no mesmo segundo compartilhar as dores de TPM, dos quilinhos a mais tão difíceis de perder.
Meninas-Mulheres gostam de astrologia, psicologia, ioga, religiões, comida natural. Desenvolvem a espiritualidade, mas analisam a vida com olhares científicos. Têm opinião pra tudo. Futebol, cinema, teatro, dinâmica familiar, o papa e a igreja católica, os professores bons e os ruins, a faculdade como instituição, a miséria, a implantação de botox, a legalização do aborto, a vida pessoal do Rodrigo Santoro, a política de Putin na Rússia e assim por diante. Só não vale ficar quieta.
Meninas-mulheres gostam de um sambinha, cervejinha e um foundizinho. Beijos e abraços fazem das meninas-mulheres afetivas. Meninas-mulheres gostam mesmo é de fazer brigadeiro depois da noitada e de pijamas e pantufas lamentar horas sobre os antigos casos amorosos. Falecidos, ex’s, covardes, crianças, moleques... Lindos, fofos, sedutores, amáveis, carinhosos.
Bem informadas, andam de carro, metrô, táxi ou a pé. A música é essencial na vida de uma menina-mulher. Criar trilhas sonoras, dirigir cantando, dançar até cair um hit dos anos setenta. Passar mal ouvindo um chorinho bem tocado, acreditar que o Chico Buarque compôs aquela música pra você sim e pra mais ninguém. Deitar na rede e relaxar ouvindo Enya. E nunca, jamais, ficar parada ao som de um samba-rock.
Meninas-mulheres odeiam tomar chuva, pegar trânsito. Reclamam de São Paulo, mas amam a vida noturna da Vila Madalena. Falam mal de cinema americano, mas não dispensam uma boa e boba comédia romântica. Tomam coca-ligth, mas não abrem mão do docinho que acompanha o café.
Meninas-mulheres se enchem de orgulho ao dizer “é um tempo pra mim, pra eu ME descobrir, ME valorizar, aprender a ficar sozinha”. Que nada! Carentes, nossas meninas mulheres odeiam ficar sozinha.
Ser menina-mulher é ter coragem de assumir a infantilidade de sua condição. É um aprendizado continuo de saber a hora de falar, de perdoar a si mesma, de ser honesta e de construir sua personalidade. De lutar contra o fantasma culpa, de ver graça nas pequenas poesias da vida. Desenvolver sensibilidade e acima de tudo sempre... O bom humor.
quarta-feira, 23 de abril de 2008
SAN JORDI e otras cositas más...
Querida Nata,
Muitas coisas. A primeira dela é que hoje é dia de San Jordi ( o patrono da Catalunya), né?
Quando eu estava aí junto com a Nanas ( há 4 anos, por diós), fiquei encantada com o ritual todo. Olha só o que aconteceu. Morávamos na casa de uma senhora, sim a Margarita, que logo no café da manhã, nos contou que no dia de San Jordi, os homens regalavam flores as mulheres e em troca elas lhes davam livros. Eu achei aquilo meio estranho, mas ok. Ainda assim... encasquetei: "ué, e mulher não precisa ler?". Mas a Margarita me contou que tudo isso tinha um porquê. Diz a lenda que San Jordi (São Jorge, --sim ele mesmo -- Jorge da Capadócia: "para que tenha mãos e não me alcance") matou um dragão que assombrava os pueblos da catalunya. E que no lugar de sangue, foi derramado um mar de rosas. Ok, lindo isso, mas até aí, onde entra os livros? Ao que parece 23 de abril é também a data de morte do Cervantes e por isso se comemora presentando com livros. Acredita?
A verdade é que quando saí na rua fique encantada com as banquinhas de flores e livros. Nada parecido com o nosso dia dos namorados "compre um celular para ele e fale quando quiser". Tudo muito orgânico e de verdade. Fomos las dos brasileñas, nesse mesmo dia, cenar com alguns suecos. Leia-se: os suecos não entendem de romance, nem de malemolência. Mas queriam nos ensinar a cozinhar. Nata, vc já pode imaginar o que foi né? Eles cozinharam maravilhosamente bem e a gente male/male fez uma caipiriña digna de ser apreciada... Mas sabe o que me impressionou? Eles, los dos suequitos que mal sabiam diferenciar feminino e masculino no espanhol, me contaram que tinham amarrado uma rosa em uma linha e que tinham descido a flor bem devagarinho do sexto andar, até a senhora que limpava o prédio deles, no térreo. Achei uma graça o jeito que eles "incorporaram" o ritual de um outro país. Depois me deliciei com um tiramissú e fomos embora pra casa. Na rua... ainda resquícios das flores, como na manhã depois do reveillon quando as flores amanhecidas de desejo ainda restam na areia, sabe?
E quando chegamos na casa da nossa senhorinha... duas rosas estavam lá, esperando a gente. Quem foi? San Jordi. Así creo yo.
Lindeza, não importa o livro, não importa os "significantes". Mas o que resta é isso... uma neblina de lembranças que pouco tem a ver com os objetos e sim, com os rituais.
te quiero querida.
Besito
Mazi
Muitas coisas. A primeira dela é que hoje é dia de San Jordi ( o patrono da Catalunya), né?
Quando eu estava aí junto com a Nanas ( há 4 anos, por diós), fiquei encantada com o ritual todo. Olha só o que aconteceu. Morávamos na casa de uma senhora, sim a Margarita, que logo no café da manhã, nos contou que no dia de San Jordi, os homens regalavam flores as mulheres e em troca elas lhes davam livros. Eu achei aquilo meio estranho, mas ok. Ainda assim... encasquetei: "ué, e mulher não precisa ler?". Mas a Margarita me contou que tudo isso tinha um porquê. Diz a lenda que San Jordi (São Jorge, --sim ele mesmo -- Jorge da Capadócia: "para que tenha mãos e não me alcance") matou um dragão que assombrava os pueblos da catalunya. E que no lugar de sangue, foi derramado um mar de rosas. Ok, lindo isso, mas até aí, onde entra os livros? Ao que parece 23 de abril é também a data de morte do Cervantes e por isso se comemora presentando com livros. Acredita?
A verdade é que quando saí na rua fique encantada com as banquinhas de flores e livros. Nada parecido com o nosso dia dos namorados "compre um celular para ele e fale quando quiser". Tudo muito orgânico e de verdade. Fomos las dos brasileñas, nesse mesmo dia, cenar com alguns suecos. Leia-se: os suecos não entendem de romance, nem de malemolência. Mas queriam nos ensinar a cozinhar. Nata, vc já pode imaginar o que foi né? Eles cozinharam maravilhosamente bem e a gente male/male fez uma caipiriña digna de ser apreciada... Mas sabe o que me impressionou? Eles, los dos suequitos que mal sabiam diferenciar feminino e masculino no espanhol, me contaram que tinham amarrado uma rosa em uma linha e que tinham descido a flor bem devagarinho do sexto andar, até a senhora que limpava o prédio deles, no térreo. Achei uma graça o jeito que eles "incorporaram" o ritual de um outro país. Depois me deliciei com um tiramissú e fomos embora pra casa. Na rua... ainda resquícios das flores, como na manhã depois do reveillon quando as flores amanhecidas de desejo ainda restam na areia, sabe?
E quando chegamos na casa da nossa senhorinha... duas rosas estavam lá, esperando a gente. Quem foi? San Jordi. Así creo yo.
Lindeza, não importa o livro, não importa os "significantes". Mas o que resta é isso... uma neblina de lembranças que pouco tem a ver com os objetos e sim, com os rituais.
te quiero querida.
Besito
Mazi
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