sexta-feira, 17 de julho de 2009
quarta-feira, 15 de julho de 2009
Caê
* "Doce japonês é sempre assim, né? Tem gosto de feijão e é tudo rosinha claro"
* "Eu só moraria em duas cidades: Nova York e Madrid"
* "Eu to triste. Mas são coisas íntimas, pessoais. E sobre isso, não se fala"
* "Eu era muito jovem quando escrevi Coração vagabundo"
Essas são frases do nosso Caetano Emanuel Viana Teles Velloso, no filme Coração Vagabundo. Fernando Andrade fez tudo direitinho. Registrou um lado tão buni do tropicalista hipongão. Que delícia ver o Caetanão ali... ouvir ele contar os causos. Aquele ritmo baiano de quem morou - até os 18 anos - em Santo Amaro da Purificação. Sorriso fácil, de graça. Charme natural - sem a menor canastrice. Só podia ser, né gente? Quem escreve “O quereres” não deve mais nada para o mundo. E ainda soma: tem uma pitada de humor . Só erra quando começa a se levar a sério- porque quando brinca de Caetano, é uma delícia. O Almodóvar que disse que ouvir Caetano o deixa de “pelos de punta”. Si, Pedrito, pelos de punta. É que é filho de Oxóssi, o moço. Olha pra beleza do mundo e sabe valorizar tudo que é bonito - por meio das palavras. Fico aqui sempre falando do Francisco e quase nunca do Caetano. Eu sei. São coisas totalmente diferentes e existe espaço para os dois, nos nossos corações. Mas é que, por maior que fosse minha admiração ao Caetano, sempre tive um pouco de ressalva com o lado “provocador” dele. Me cansa. Mas o jeitão “mitificado” do Franciscão na Flip, me cansou um pouco, também. E o Caetanão tava super lá no meio da pipoca ontem. Não teve gritaria, arranca-cabelos e nem crises de fãs. Algumas fotos, uma ou outra tiete, tudo normal. E ele ali. Devagar, disponível, inteiro. O Leãozinho entrando pelos sete buracos das nossas cabeças. Com toda sua presença.
* "Eu só moraria em duas cidades: Nova York e Madrid"
* "Eu to triste. Mas são coisas íntimas, pessoais. E sobre isso, não se fala"
* "Eu era muito jovem quando escrevi Coração vagabundo"
Essas são frases do nosso Caetano Emanuel Viana Teles Velloso, no filme Coração Vagabundo. Fernando Andrade fez tudo direitinho. Registrou um lado tão buni do tropicalista hipongão. Que delícia ver o Caetanão ali... ouvir ele contar os causos. Aquele ritmo baiano de quem morou - até os 18 anos - em Santo Amaro da Purificação. Sorriso fácil, de graça. Charme natural - sem a menor canastrice. Só podia ser, né gente? Quem escreve “O quereres” não deve mais nada para o mundo. E ainda soma: tem uma pitada de humor . Só erra quando começa a se levar a sério- porque quando brinca de Caetano, é uma delícia. O Almodóvar que disse que ouvir Caetano o deixa de “pelos de punta”. Si, Pedrito, pelos de punta. É que é filho de Oxóssi, o moço. Olha pra beleza do mundo e sabe valorizar tudo que é bonito - por meio das palavras. Fico aqui sempre falando do Francisco e quase nunca do Caetano. Eu sei. São coisas totalmente diferentes e existe espaço para os dois, nos nossos corações. Mas é que, por maior que fosse minha admiração ao Caetano, sempre tive um pouco de ressalva com o lado “provocador” dele. Me cansa. Mas o jeitão “mitificado” do Franciscão na Flip, me cansou um pouco, também. E o Caetanão tava super lá no meio da pipoca ontem. Não teve gritaria, arranca-cabelos e nem crises de fãs. Algumas fotos, uma ou outra tiete, tudo normal. E ele ali. Devagar, disponível, inteiro. O Leãozinho entrando pelos sete buracos das nossas cabeças. Com toda sua presença.
domingo, 12 de julho de 2009
Futuro
* Fazer o caminho de Santiago de Compostela.
* Aprender a fazer bombons como a minha vó Arlete.
* Comprar uma gravura da Tomie.
* Entrevistar o Woody Allen.
* Encontrar aquela carta.
* Pintar minhas próprias unhas.
* Ir para o Machu Picchu.
* Ganhar uma piscadela do Francisco.
* Comer brigadeiro sem culpa.
* Ter uma lambreta amarelinha.
* Abraçar o Obamão.
* Beber sagria com a Nata em Barcelona.
* Waltinho: você não me escapa.
* Aprender a dançar Tango.
* Ganhar uma dedicatória afetuosa.
* Ele, aqui do meu lado.
* Conhecer Israel.
* Ir num show da Tracy Chapman.
* Aprender alemão.
* Plantar tulipas.
* Visitar o Schopen no Canadá.
* Ir para Cuba.
* Aprender a ler as mãos.
* Fazer um documentário.
* Lutar boxe.
* Conhecer uma tribo indígena de perto.
* Voltar para Sevilla.
* Fazer faculdade de psicologia.
* Começar a entender de arquitetura.
* Roubar um elogio inesperado.
* Conhecer o Tibet.
* Perder o medo de andar de bicicleta em sp.
* Ver a Fernanda Montenegro no palco.
* Aprender a fazer comida judaica.
* Morar na Argentina.
* Encontar um mestre intelectual.
* Velejar em Ubatuba.
* Estudar história.
* Visitar uma fábrica de perfume na Provance.
* Segurar o buquê da Cutait no altar.
* Aprender a fazer bombons como a minha vó Arlete.
* Comprar uma gravura da Tomie.
* Entrevistar o Woody Allen.
* Encontrar aquela carta.
* Pintar minhas próprias unhas.
* Ir para o Machu Picchu.
* Ganhar uma piscadela do Francisco.
* Comer brigadeiro sem culpa.
* Ter uma lambreta amarelinha.
* Abraçar o Obamão.
* Beber sagria com a Nata em Barcelona.
* Waltinho: você não me escapa.
* Aprender a dançar Tango.
* Ganhar uma dedicatória afetuosa.
* Ele, aqui do meu lado.
* Conhecer Israel.
* Ir num show da Tracy Chapman.
* Aprender alemão.
* Plantar tulipas.
* Visitar o Schopen no Canadá.
* Ir para Cuba.
* Aprender a ler as mãos.
* Fazer um documentário.
* Lutar boxe.
* Conhecer uma tribo indígena de perto.
* Voltar para Sevilla.
* Fazer faculdade de psicologia.
* Começar a entender de arquitetura.
* Roubar um elogio inesperado.
* Conhecer o Tibet.
* Perder o medo de andar de bicicleta em sp.
* Ver a Fernanda Montenegro no palco.
* Aprender a fazer comida judaica.
* Morar na Argentina.
* Encontar um mestre intelectual.
* Velejar em Ubatuba.
* Estudar história.
* Visitar uma fábrica de perfume na Provance.
* Segurar o buquê da Cutait no altar.
segunda-feira, 6 de julho de 2009
Paratations - parte I
Querida Natalinda,
Paraty estava mais vazia esse ano. Choveu um pouco, é verdade. Mas também faltavam pessoas importantes. E não fui só eu quem notou, não. O mexicano Mario Bellatin já veio me perguntando: “E a Nataly, não virá? Me disseram que ela vinha”. Eu falei pra ele, que era tudo culpa do povo da Cosac , aqueles meninos irremediáveis... vc conhece como eles são, né Nata. Falaram para o escritor doidão que você ia, aí ele ficou todo na expectativa de “conocer esa chica tan llena de cualidades”.
Mas não parou por aí, não. Eu expliquei várias vezes para o Mr. Talease o motivo da sua ausência, que vc morava fora, que era muito caro vir para cá... mas nada contentou o abuelito, ele queria porque queria ver você. Sabe que ele contou que guarda todas as cartas que trocou com a mulher, em 50 anos de casamento É... disse que além das cartas, guarda junto os motivos das discussões e o jeito que se reconciliaram. Fofo, né? Coitada dela, que teve que aguentar as maluquices dele a vida inteira. Se bem que, pelo que me pareceu, ele amaciou essas loucuras com muita doçura.
E por falar em doçura, o Lobo Antunes foi um fofoleto. Eu tava quietinha comendo num restaurante, ele veio e me perguntou se não era eu, a amiga da Nataly, neta de uma grande amiga dele. Ahhhh Nata, ele me contou histórias tão lindas dos tempos em que conhecia sua avó em Portugal. Me deu uma vontade de ir pra lá... e ele disse que receberia a gente numa boa. Que te parece, amiga? Depois que vc voltar da Galícia, passamos pra ver Lobo bom ?
De repente, a gente pode também passar pela França e visitar a doidinha da Sophie Calle. Ela me contou que quer ir pra Índia- você pode dar umas dicas para ela, que está pensando em fazer um dos projetos de arte por lá. Mas só ela, tá? Porque o ex, Gregóire, eu dispenso, muito safado, aquele fulano.
Sedutor por sedutor, preferi o afegão Atiq Rahimi, que olhou com um olhão azul pra mim... bem fundo. Olhos lindos os dele, né Nata? E olha que ele estava ultra aborrecido com a sua falta. Parece que ele te conheceu aquela vez, em Paris, lembra? Mas pode deixar, que eu te defendi tá?
De resto, Paraty segue com aquele cheirinho de serra do mar, que eu sei, você morre de saudade. O céu continua estrelado, as crianças gritam sem parar naquela flipinha e ano vem, não tem desculpa. Queremos vc aqui, viu?
Beijocas
Mazi
Paraty estava mais vazia esse ano. Choveu um pouco, é verdade. Mas também faltavam pessoas importantes. E não fui só eu quem notou, não. O mexicano Mario Bellatin já veio me perguntando: “E a Nataly, não virá? Me disseram que ela vinha”. Eu falei pra ele, que era tudo culpa do povo da Cosac , aqueles meninos irremediáveis... vc conhece como eles são, né Nata. Falaram para o escritor doidão que você ia, aí ele ficou todo na expectativa de “conocer esa chica tan llena de cualidades”.
Mas não parou por aí, não. Eu expliquei várias vezes para o Mr. Talease o motivo da sua ausência, que vc morava fora, que era muito caro vir para cá... mas nada contentou o abuelito, ele queria porque queria ver você. Sabe que ele contou que guarda todas as cartas que trocou com a mulher, em 50 anos de casamento É... disse que além das cartas, guarda junto os motivos das discussões e o jeito que se reconciliaram. Fofo, né? Coitada dela, que teve que aguentar as maluquices dele a vida inteira. Se bem que, pelo que me pareceu, ele amaciou essas loucuras com muita doçura.
E por falar em doçura, o Lobo Antunes foi um fofoleto. Eu tava quietinha comendo num restaurante, ele veio e me perguntou se não era eu, a amiga da Nataly, neta de uma grande amiga dele. Ahhhh Nata, ele me contou histórias tão lindas dos tempos em que conhecia sua avó em Portugal. Me deu uma vontade de ir pra lá... e ele disse que receberia a gente numa boa. Que te parece, amiga? Depois que vc voltar da Galícia, passamos pra ver Lobo bom ?
De repente, a gente pode também passar pela França e visitar a doidinha da Sophie Calle. Ela me contou que quer ir pra Índia- você pode dar umas dicas para ela, que está pensando em fazer um dos projetos de arte por lá. Mas só ela, tá? Porque o ex, Gregóire, eu dispenso, muito safado, aquele fulano.
Sedutor por sedutor, preferi o afegão Atiq Rahimi, que olhou com um olhão azul pra mim... bem fundo. Olhos lindos os dele, né Nata? E olha que ele estava ultra aborrecido com a sua falta. Parece que ele te conheceu aquela vez, em Paris, lembra? Mas pode deixar, que eu te defendi tá?
De resto, Paraty segue com aquele cheirinho de serra do mar, que eu sei, você morre de saudade. O céu continua estrelado, as crianças gritam sem parar naquela flipinha e ano vem, não tem desculpa. Queremos vc aqui, viu?
Beijocas
Mazi
sexta-feira, 26 de junho de 2009
O teatro da liberdade
Existem coisas que emocionam a gente. De verdade. Tiram o ar, mostram significado, acontecem. E todos os anos, no Antídoto - que acontece no Itaú Cultural- tem um desses personagens que me arranca um pedaço da alma.
Ontem assisti Adnan Nagnagie contar um pouco do trabalho do "Teatro da Liberdade", que ele desenvolve com adolescentes lá na Palestina. Assistir o vídeo dos sonhos desses jovens, tão genuínos, me deixou em silêncio. Um pouco, por vergonha da minha falta de informação. Outro pouco, por um fio de qualquer coisa que se acendeu nos meus pensamentos.
Take a look
quinta-feira, 25 de junho de 2009
Suspiro do mundo
Maricota e Gabriel,
Talvez essa carta fique meio grandinha. É que apesar de a gente não se encontrar muito, bem sei que o nosso mundo é movido a afeto. Então um pouquinho a mais de babação de ovo não faz mal a ninguém, certo?
Eram um pouco mais de nove horas quando eu entrei no corredor florido do Jockey. Meu telefone não parava de tocar porque dia 30 de maio é o meu aniversário. Desliguei o infernal aparelhinho depois da ligação mais esperada do dia. E, ainda esmagadinha entre cabecinhas e cabeções curiosos e emocionados , tentei - inutilmente, enxergar com meus singelos 1,55 de altura, a cerimônia. Ver mesmo, não vi. Mas arrepiei quando "carinhoso" começou a tocar. Depois Má, vc apareceu. De vestido romântico, olhos ainda lacrimejantes e o sorrisão na cara. Linda. Não aguentei quando vc abraçou a Kika - que estava do meu lado - e disse com um tom de ' vc tem que fazer isso' : "Ai Kika!!! É muito legal". Aí fiquei aqui, quebrando a minha cabeça, para achar alguma coisa que pudesse traduzir - um nani que fosse- do que estava pairando ali no ar. Lembrei da Lispector, que dizia sobre uma sensação de "suspiro do mundo". Eu adoro essa expressão, não é ótima? Tipo assim: “tava andando na rua, pleno por do sol, quando senti o suspiro do mundo”. Ou então: “aí quando abri meu presente veio aquela sensação de suspiro do mundo’ ou ainda: “aí quando vi a Maria e o Gabriel rindo juntos veio - o suspiro do mundo”. Aquela coisa de preenchimento mesmo. E ó, não fui só eu não, viu? Todos comentaram. A Marininha, coitada - até passou mal, de tanta emoção. Coisa assim, gente, só sendo muito de verdade.
Quando eu fazia teatro, meu diretor sempre me dizia: " se vc se diverte, o público se diverte". Verdade mais pura. Se vcs vissem a carinha das pessoas quando vcs começaram a dançar, fofoletos, "Que maravilha". Rodando no "a girar". Cheios de graça, de charme. Rindo e o riso sendo a música perfeita. E tudo isso, só pra deixar meu beijo carinhoso para vcs. E o desejo de que vcs, encontrem no dia-a-dia, a leveza dos passinhos de dança que vcs improvisaram tão delicadamente naquela pista
beijos
Mazinha
Talvez essa carta fique meio grandinha. É que apesar de a gente não se encontrar muito, bem sei que o nosso mundo é movido a afeto. Então um pouquinho a mais de babação de ovo não faz mal a ninguém, certo?
Eram um pouco mais de nove horas quando eu entrei no corredor florido do Jockey. Meu telefone não parava de tocar porque dia 30 de maio é o meu aniversário. Desliguei o infernal aparelhinho depois da ligação mais esperada do dia. E, ainda esmagadinha entre cabecinhas e cabeções curiosos e emocionados , tentei - inutilmente, enxergar com meus singelos 1,55 de altura, a cerimônia. Ver mesmo, não vi. Mas arrepiei quando "carinhoso" começou a tocar. Depois Má, vc apareceu. De vestido romântico, olhos ainda lacrimejantes e o sorrisão na cara. Linda. Não aguentei quando vc abraçou a Kika - que estava do meu lado - e disse com um tom de ' vc tem que fazer isso' : "Ai Kika!!! É muito legal". Aí fiquei aqui, quebrando a minha cabeça, para achar alguma coisa que pudesse traduzir - um nani que fosse- do que estava pairando ali no ar. Lembrei da Lispector, que dizia sobre uma sensação de "suspiro do mundo". Eu adoro essa expressão, não é ótima? Tipo assim: “tava andando na rua, pleno por do sol, quando senti o suspiro do mundo”. Ou então: “aí quando abri meu presente veio aquela sensação de suspiro do mundo’ ou ainda: “aí quando vi a Maria e o Gabriel rindo juntos veio - o suspiro do mundo”. Aquela coisa de preenchimento mesmo. E ó, não fui só eu não, viu? Todos comentaram. A Marininha, coitada - até passou mal, de tanta emoção. Coisa assim, gente, só sendo muito de verdade.
Quando eu fazia teatro, meu diretor sempre me dizia: " se vc se diverte, o público se diverte". Verdade mais pura. Se vcs vissem a carinha das pessoas quando vcs começaram a dançar, fofoletos, "Que maravilha". Rodando no "a girar". Cheios de graça, de charme. Rindo e o riso sendo a música perfeita. E tudo isso, só pra deixar meu beijo carinhoso para vcs. E o desejo de que vcs, encontrem no dia-a-dia, a leveza dos passinhos de dança que vcs improvisaram tão delicadamente naquela pista
beijos
Mazinha
segunda-feira, 22 de junho de 2009
Do time das pandas
Na sexta-feira, entrevistei a Andréa Beltrão. Foi lá no Teatro da Fecomércio, onde ela está em cartaz , junto com a Marieta Severo, com a peça As Centenárias. Ela chegou atrasada, mas sem perder a compostura e nem a simpatia. Foi até o camarim “para dar um jeitinho nas olheiras” e, logo que sentou no palco, tive que perguntar : “Andréa, vc conheceu a Nataly, né?”. Ela ficou toda entusiasmada quando soube que a gente era amiga, me contou a história inteirinha de quando conheceu você, da última vez que foi para Barcelona. Parece que chovia muito, ela estava com os três filhos trancafiados no hotel, quando resolveu levá-los ao teatro. E pimba. Os pequenos se apaixonaram por uma princesa que estava no palco - no caso, vc. Ah Nata, vc precisava ver a carinha dela, quando eu falei que a gente era super amiga. Ela disse: “Ah, tipo eu e a Marieta, né? Já virou família”. É Andréa, já virou família. Ela aliás, me pediu o seu e-mail . Eu dei, tá? Dei porque ela panda, Natalinda. Panda assim, de verdade. Quando eu perguntei se ela tinha algum medo, sabe o que ela me respondeu? Que não tem medo que nada aconteça com ela, “mas com meus filhos, amigos, pessoas que eu amo”. Embrulha. Espirituosa e engraçada é séria na hora de responder as perguntas, sempre com uma pequena pausa. E se coloca, sem perder o ar de ‘poço de afeto’. Impressionante, essa atriz versátil. Parecia uma de nós, contando que chorou quando viu o Roberto Carlos. Pode?
A entrevista estava no fim, quando chegou a Marieta, ela que é peque que nem a gente. E a Andrea me contou que as duas compraram um teatro no Rio. É, é isso mesmo. Elas têm um teatro- o Teatro Poeira -, em que cuidam da programação, produzem, se divertem. Vamos fazer isso também, amiga? Comprar uma casa antiga no centro, reformar e fazer nosso Teatro “Flores de Raposa”? Só que só vai valer entrar espetáculos que soprem ternuras terrestres. Para terminar, ela me contou um segredo: disse para os filhos que toma um “anti-morrente”, não é demais? Quando pedi a receita, ela falou que vai preparar um pra mim e outro pra você.
Lobby saudades
Mazi
quinta-feira, 18 de junho de 2009
Gossip
Elas chegam produzidas. Gloss na boca e cheiro de perfume. O vinho na mão direita e a bolsa lotada de cacarecos, na esquerda. Logo o ritual começa: a abobrinha cintila na frigideira enquanto a Luciana começa a falar, espirituosamente de coisas prosaicas. Pluft. Abrimos o vinho. A Mariana bate palmas quando dá risada, enquanto a Renata conta das peripércias de se trabalhar com cinema. “Ih ... já acabou a primeira garrafa de vinho? Sem problemas, vamos pra segunda”. Papo vai, papo vem, as novecentas prospecções, fofocas do mundo real, a novela - porque não? Harebaba, quanta bobagem gostosa. A abobrinha está no ponto e o massa quase pra sair. A Luciana com os cílios que fazem vento, adverte as amigas, puxa a orelha e pede colo. “Ih... acabou a segunda garrafa? porque a gente não abre uma champangne”. São as minhas “gossip girls” -um pé aqui, outro em NY. Das abobrinhas e os jantares em casa, aos sábados dançantes na pista da Neu, passando pelas madrugadas berrantes no carro cantando músicas de amor. Minhas “gossip-girls”. É a Lu, que me puxa pelo braço quando eu estou quase caindo na ladainha: “Ah Mazinha, você já estava toda na pontinha do pé, falando com ele, não vou deixar”. Tá bom, Lu. São as noites de quarta. Super finas, mesmo. Bebendo 8 garrafas de vinho - meio da semana- em plena mercearia. É a Re, minha morena informada, que esbanja charme, tem as melhores histórias e atrapalha o coração dos rapazes. É meu SOS Maricota, que fala : “Minha princesa dzó, vem que eu te salvo”. Empresta vestido uma hora antes do casamentotodacoloniajudaicapeloamordedeus, me resgata nas madrugadas desconfortáveis, leva casacos quentinhos pra me aquecer nas viagens. Fotos, flagras e até cartão de corretor de imóveis mesquinho, levam para casa, entre os olhares apaixonados dos meninos. O que eu faço com essas minhas gossips do Paraguay? Que têm glamour de pé- de- serra? Bebem champangne mas caem no samba da Meirinha.Vai churrasco, vem praia, trocas de e-mail engraçados, pic -nic, virada cultural. Pandocas de plantão, essas meninas. Registram o coração de ponta a ponta, mapeam toda as neuroses da cabecinha e ainda falam as coisas certas. Sem nunca perder essa graça toda.Meninas, não cabe, é muito amor.
xoxo.
Mazi
terça-feira, 16 de junho de 2009
em miúdos
A gente pode combinar assim: Paco de Lucia, flores amarelas e vasos azuis. O que você acha? Algumas fotografias espalhadas nas paredes e porta-retratos nas mesas, com fotos de amigos e nossos afilhados. A pia que pinga algumas vezes ao dia. Lençóis de malha azul-claros e uma cortina fosca, para filtrar os primeiros raios da manhã. Como na música de Dolores Duran em que os “pingos de chuva de ontem, ainda estão a brilhar”. Eu gostaria também de uma cristaleira para guardar as taças e cálices da minha avó Regina, só coisa chique, polonesa. Junto, a gente pode colocar algumas porcelanas e outros cacarecos das nossas viagens. E quem sabe até uma vitrola? Sabia que o Cortázar dizia que Gardel só deve ser escutado em vinil? Taí. Quero uma vitrola para escutar Gardel e chorar na janela, ás vezes. Se você quiser, a gente encomenda uma poltrona bem confortável pra você dormir, sábado a tarde, lendo o jonal. Vou dar um jeito, também, de arrumar um canto pra você repousar seu violão, prometo. Tá vendo como eu não sou mimada? Mas faço questão de uma banheira - com bastante espuma. Vou separar as melhores essências, você sabe. Depois, quando você brigar comigo porque pendurei aquele quadro da herança da sua família de um jeito torto, eu nem vou ligar. Você vai me pedir desculpas, mesmo. Porque vai ver na geladeira, que comprei aquele suco de maçã que você adora. E você não se aguenta quando eu te faço surpresas, parece uma criança, ganhando presentes. Adoro isso. Essa alegria infantil que escapa de você, de vez em quando. E prometo que não vou ficar gritando pela casa que o Corinthians é o melhor time do Brasil, bem quando o São Paulo perder, juro. Foi só aquela vez, tá? Mas todas essas concessões tem seu preço, mocinho. Vou querer brigadeiro de panela e massagem no pé, uma vez por semana, tá? E se você deixar a louça tinindo eu posso até pensar em não jogar fora aquele bando de revistas Placar. Deal?
terça-feira, 9 de junho de 2009
Ela, Arlete
Querida Natalinda,
Essa semana foi a primeira semana que realmente fez frio em sp. É engraçado esse ritual do frio, né? Tirar a meia calça do armário, comprar chazinhos gostosos, colocar a bolsa de água quente na cama pra ficar quentinha - essa aprendi com a Dona Arlete, minha avó. Aliás Nata, vc tinha que ter conhecido a Dona Arlete. Imagina a mãe da minha mãe? Linda de morrer. Quando eu era pequena, uma senhora me parou na rua, em AIURUOCA, cidade dela e disse: "sua avó foi a mulher mais linda das redondezas, não era nem da cidade, era das redondezas, mesmo". Tão linda, que a banda de Aiuruoca fez uma música só pra ela. Eu lembro Nata, direitinho. Da minha avó na janela - BEM estilo Rita do Chico- parada, olhando o povo passar e ouvindo a música dela. Aqueles olhos libaneses e mãos boas pra fazer doce e salgado. Não saía nunca de casa. Com muita insistência, dava uma voltinha na praça, sábado a noite. Mas era uma leoa, a Dona Arlete. Protegia as netas com unhas e dentes - de cachorro bravo, dos meninos cafajestes, das pragas de famílias inimigas, porque vc sabe, né? Cidade pequena é tipo Romeu e Julieta, sempre existem famílias brigadas. Em noites de chuva e "trovoada" mandava desligar tudo da tomada. Medo de dar curto-circuito, é mole? Ficava a família inteira na sala, esperando a chuva passar pra poder assistir o Jornal Nacional. A chave da casa? Só depois dos 18 anos. Eu, como sou a última neta, tive abono e ganhei com 15. Mas as instruções eram bem claras:"Marilia, você entra, dá DUAS voltas na chave e coloca em cima da minha penteadera". E eu, plena flor desabrochando - de férias em Minas, olha o perigo - dizia "Tá bom vó!". Pois nada, fazia direitinho e quando entrava no quarto dela para deixar a chave, ela dizia, acordada: "Vc deu DUAS voltas na chave?". Ah... minha vó. Saudade dela. Que deixava o chá de cidreira da horta, com biscoitinho, em cima do fogão a lenha. Rezava novenas e fazia promessas. Sabe que durante anos, na procissão da semana santa, minha vó foi descalça? Promessa. Se alguém sabe qual? Só Deus. A reza dela era braba mesmo. Quando eu tinha soluço, sabe daqueles que não passa? Ela fazia uma benção com a mão na minha testa e pimba! O soluço ia embora. E quando alguém perdia a carteira em casa, já tinha solução :"Liga pra vovó". E lá de Minas, ela fazia os beregodegos dela e pasme... a carteira aparecia. Ela era leve e cheia de humor. Dormia com uma foto do meu vô pendurada na parede, na linha da cabeça. E quando eu lhe perguntei se ela tinha sido apaixonada por ele, me respondeu sem titubear: "ainda sou, Marilinha". Ele tbm deve ter sido doidinho por ela, Nata. Que foi mãe, avó, esposa, tudo. Que mesmo sendo católica fervorosa, BATEU com um pão, no Padre da cidade - porque ele tinha dito que meu tio era comunista para os militares. Acha que é brincadeira? Não, não é não. Não se pode brincar com uma Dantas Motta. As suas receitas? Ninguém sabe onde foram parar. Ela escondeu - estão juntos com seus segredos.
Tudo isso, Nata, porque faz frio aqui. E vc sabe, o frio daqui não é como o daí. Não tem charme, nem bufandas, nem capuccino. Acho que me deu saudade de Aiuruoca. De cheirinho de mato fresco. E de vc, sempre né? Que é minha amiga mais querida.
Lobby, Mazi
Essa semana foi a primeira semana que realmente fez frio em sp. É engraçado esse ritual do frio, né? Tirar a meia calça do armário, comprar chazinhos gostosos, colocar a bolsa de água quente na cama pra ficar quentinha - essa aprendi com a Dona Arlete, minha avó. Aliás Nata, vc tinha que ter conhecido a Dona Arlete. Imagina a mãe da minha mãe? Linda de morrer. Quando eu era pequena, uma senhora me parou na rua, em AIURUOCA, cidade dela e disse: "sua avó foi a mulher mais linda das redondezas, não era nem da cidade, era das redondezas, mesmo". Tão linda, que a banda de Aiuruoca fez uma música só pra ela. Eu lembro Nata, direitinho. Da minha avó na janela - BEM estilo Rita do Chico- parada, olhando o povo passar e ouvindo a música dela. Aqueles olhos libaneses e mãos boas pra fazer doce e salgado. Não saía nunca de casa. Com muita insistência, dava uma voltinha na praça, sábado a noite. Mas era uma leoa, a Dona Arlete. Protegia as netas com unhas e dentes - de cachorro bravo, dos meninos cafajestes, das pragas de famílias inimigas, porque vc sabe, né? Cidade pequena é tipo Romeu e Julieta, sempre existem famílias brigadas. Em noites de chuva e "trovoada" mandava desligar tudo da tomada. Medo de dar curto-circuito, é mole? Ficava a família inteira na sala, esperando a chuva passar pra poder assistir o Jornal Nacional. A chave da casa? Só depois dos 18 anos. Eu, como sou a última neta, tive abono e ganhei com 15. Mas as instruções eram bem claras:"Marilia, você entra, dá DUAS voltas na chave e coloca em cima da minha penteadera". E eu, plena flor desabrochando - de férias em Minas, olha o perigo - dizia "Tá bom vó!". Pois nada, fazia direitinho e quando entrava no quarto dela para deixar a chave, ela dizia, acordada: "Vc deu DUAS voltas na chave?". Ah... minha vó. Saudade dela. Que deixava o chá de cidreira da horta, com biscoitinho, em cima do fogão a lenha. Rezava novenas e fazia promessas. Sabe que durante anos, na procissão da semana santa, minha vó foi descalça? Promessa. Se alguém sabe qual? Só Deus. A reza dela era braba mesmo. Quando eu tinha soluço, sabe daqueles que não passa? Ela fazia uma benção com a mão na minha testa e pimba! O soluço ia embora. E quando alguém perdia a carteira em casa, já tinha solução :"Liga pra vovó". E lá de Minas, ela fazia os beregodegos dela e pasme... a carteira aparecia. Ela era leve e cheia de humor. Dormia com uma foto do meu vô pendurada na parede, na linha da cabeça. E quando eu lhe perguntei se ela tinha sido apaixonada por ele, me respondeu sem titubear: "ainda sou, Marilinha". Ele tbm deve ter sido doidinho por ela, Nata. Que foi mãe, avó, esposa, tudo. Que mesmo sendo católica fervorosa, BATEU com um pão, no Padre da cidade - porque ele tinha dito que meu tio era comunista para os militares. Acha que é brincadeira? Não, não é não. Não se pode brincar com uma Dantas Motta. As suas receitas? Ninguém sabe onde foram parar. Ela escondeu - estão juntos com seus segredos.
Tudo isso, Nata, porque faz frio aqui. E vc sabe, o frio daqui não é como o daí. Não tem charme, nem bufandas, nem capuccino. Acho que me deu saudade de Aiuruoca. De cheirinho de mato fresco. E de vc, sempre né? Que é minha amiga mais querida.
Lobby, Mazi
segunda-feira, 8 de junho de 2009
Tipo Festa Junina
À beira da fogueira de São João. O som das estrelinhas de fogo subindo. Lenha verde que ainda chora, quando queima. São olhos que se cruzam entre as tranças dos cabelos e os bigodes forjados. Antes era milho e pé-de-moleque. Hoje, quentão e vinho quente. Rifa, bingo, coisa mais brega, sô! Cheiro de cravo forte, frio que guarda energia - pro forró, pra quadrinha, pro beijo atrás do portão. Coisas de Chico Bento. Bilhete de correio elegante, pega-pega das crianças e o zunir da sanfona. Camisa xadrez, um chapéu de palha emprestado do amigo e o braço dado com a menina. Bandeirinhas coloridas cortadas durante uma semana. Lilás, vermelha, amarela, azul e branca. É noite de São João. Com música que gruda na cabeça durante semanas, assim como a lama na sola dos pés.
quinta-feira, 4 de junho de 2009
Apenas o Fim
Ele é peque, mas é bom que só vendo.
Peguei o DVD de 'apenas o fim' esperando um filme buni, afinal de contas o diretor é novinho, já ganhou uma meia-duzia de prêmios com o filme de baixíssimo orçamento e anda arrancando uns bons elogios. Mas tbm não esperava uma coisa tão fofoleta. Acho que eu tinha meio implicância com essa Erika Mader, sei lá. Mulher tem dessas coisas, as vezes implica com uma fulana e não tem quem tire a ideia da cabeça.
Aí tem essa coisa de pauta, né. Vai entrevistar o cara, mas não dá pra ir na cabine porque o filme é bem na hora do fechamento e pimba. Cai o DVD pra assistir em casa. Plena terça-feira. Viu Matheus Souza? Obrigada. O filme é uma graça.
A história é simples. Ela chega e diz pra ele que vai embora. O resto são só “fragmentos de um discurso amoroso” do Barthes. Com uma pitada pop irresistível( pra mim, claro). All Stars que se cruzam na escada, humor buni, trilha sonora fofoleta e as problemáticas da minha geração ( ou será que essas coisinhas do amor independem de geração? ). Ele:um mini woody Allen, ela: Diane Keaton versão carioquinha. Uma declaração de amor ao Rio, a uma certa ingenuidade e a leveza da memória. O filme é inteiro ambientado na Puc do Rio. Mas o Matheus me explicou: "Para usar a câmera da faculdade, durante as férias, não podia sair das depedências da Puc". Ahhhh gente... não é? E sabe... ele falou de patotas, palavras e poemas.
12 de junho nos cinemas. EMBRULHA.
terça-feira, 2 de junho de 2009
Pra homenagear o mundo
* Final de tarde em S. Isidro.
* O canto religioso no Morumbi quando Corinthians ganhou.
* Teresa com menos de 24 horas, apertando os dedos da mão.
* Jantares em cantinas da Augusta.
* O jeitinho do França falar: “já vaiiii minha liiiiinda?”
* E-mails vindo do outro hemisfério.
* A delicadeza da Lu, com cílios que fazem vento.
* O amanhecer na Sapucaí com a Kiru abraçada no celular.
* Saladinha de tomate do genésio.
* Pp cantando Iran.
* Banhos de erva-doce.
* Vinhos brancos no Piratininga.
* Milton cantando “Bailes da Vida”, no alcance da mão.
* Casa nova.
* Dedicatória carinhosas nos livros.
* Creme de Cherry Blossom.
* Hugo e Má sambando no Cidão.
* As janelonas do Santa Cruz.
* Encontros de sopetão, em Paris.
* As risadas dos “jantares-gossip” as quartas.
* Casal dançando gafieira.
* Batom vermelho.
* Banda Glória no Museu da Casa Brasileira.
* Dricoletinha-nha-nha-nha.
* Pôr do sol na Baleia com cheiro de jasmin- ah merece, né?
* O canto religioso no Morumbi quando Corinthians ganhou.
* Teresa com menos de 24 horas, apertando os dedos da mão.
* Jantares em cantinas da Augusta.
* O jeitinho do França falar: “já vaiiii minha liiiiinda?”
* E-mails vindo do outro hemisfério.
* A delicadeza da Lu, com cílios que fazem vento.
* O amanhecer na Sapucaí com a Kiru abraçada no celular.
* Saladinha de tomate do genésio.
* Pp cantando Iran.
* Banhos de erva-doce.
* Vinhos brancos no Piratininga.
* Milton cantando “Bailes da Vida”, no alcance da mão.
* Casa nova.
* Dedicatória carinhosas nos livros.
* Creme de Cherry Blossom.
* Hugo e Má sambando no Cidão.
* As janelonas do Santa Cruz.
* Encontros de sopetão, em Paris.
* As risadas dos “jantares-gossip” as quartas.
* Casal dançando gafieira.
* Batom vermelho.
* Banda Glória no Museu da Casa Brasileira.
* Dricoletinha-nha-nha-nha.
* Pôr do sol na Baleia com cheiro de jasmin- ah merece, né?
terça-feira, 26 de maio de 2009
Os olhos turquesa
crédito: Isaac Neustein
Teroca Pipoca,
Nesse final de semana você estava linda, com sua batinha florida e pulseira de pérolas. No restaurante, enquanto você adormecia, comi aquela torta de goiabada que eu adoro. Quando você crescer e começar a comer doces -doces de verdade, não essas bobagens coloridas e artificiais que as crianças adoram - vou te levar para experimentar essa torta. Mas claro, vou também te comprar as tais balas artificiais, aquelas que vendem por quilo e são carérrimas, com gosto de coca-cola. Depois, Te, se você quiser – sei que os pais não têm paciência – prometo, que te levo no show dos “Jonas Brothes” da sua geração. E pode contar comigo para os filmes e desenhos – seguidos de um Mcdonald´ s. Hoje te vejo assim, Teresa. Os olhos, duas bolas turquesas. Essa gargalhada que escapa em momentos inesperados. E aos poucos, seu jeitinho, sua personalidade se formando. Como você segura seu paninho e mistura no mesmo minuto, o riso e o choro. E vc vai me contar dos seus segredos, Te. Eu vou te contar as minhas histórias e seremos assim, amigas. Vou te proteger com as minhas unhas e afetos. Para você nunca se esquecer. Das nossas tortas de goiabada juntas.
Beijo da Tia Má
terça-feira, 19 de maio de 2009
Leu?
Deixa eu explicar.
Na cabeça de uma passoa panda, frustrar alguém é horrível. Dizer não é um martírio. Agredir então, impensável. Mas o mundo não é feito só de pandas e isso, nós já sabemos. Vira e mexe tem alguma situação, em que uma pessoa normal tiraria de letra, com o simples e clássico “ manda à merda e acabou”, mas nós não conseguimos. Quantas vezes eu já não ouvi que era só dizer isso pra resolver o problema? Mas a lógica de uma panda não funciona no botão “manda à merda e acabou”. Porque cada coisinha, sentimento, ação e reação, é como uma filigrana. Cheia de complexidades
Explico.
Pensamentos que acontecem, quando a gente pensa em ativar o “manda à merda e acabou”:
1- Se eu fizer isso, eu perco a razão.
2- Não vou me rebaixar no mesmo nível da pessoa.
3- Não sei proferir essas palavras sem estar completamente fora de mim.
4- Pra que causar mais ?
5- A pessoa vai perceber que errou, não precisa avacalhar.
6 - Tudo que falamos, volta pra nós, no mesmo grau.
Viu como não é tão simples? Experimenta passar um dia na pele de uma panda pra ver se é gostoso. Depois, não é só quando somos agredidos, que temos vontade de ativar o “manda à merda e acabou”.
Explico de novo.
Há momentos da vida em que simplesmente a gente tem que dizer não. Mas não consegue. Aí chega aquele seu amigo bem resolvido e fala: “ah querida, é simpls, manda à merda e acabou’. Esses momentos são quando:
1- de repente, por qualquer motivo, vc não quer convidar alguém para o seu aniversário. Mas vc pensa: “ ah... fica chato não chamar ciclano, se eu chamar fulano”.
2- por alguma razão, uma pessoa que “drena” vc, te explora, te aluga 40 horas semanais com os problemas , do nada, resolve te cobrar qualquer coisa.
3- alguém se sente dono de vc.
4- vc se sente (inexplicavelmente) na obrigação de ir no aniversário, lançamento, formatura, casamento de alguém que nunca foi no seus eventos.
É, minha gente, c´ est ne pas facil. Mas a gente vai se excercitar. Vou mandar fazer um adesivo no meu carro: “ Panda, aprenda. Mande à merda e acabou”.
Lógico... sempre com o lugarzão comum no coração - "HAY QUE ENDURECER-SE PERO SIN PERDER LA TERNURA, JAMÁS"
Na cabeça de uma passoa panda, frustrar alguém é horrível. Dizer não é um martírio. Agredir então, impensável. Mas o mundo não é feito só de pandas e isso, nós já sabemos. Vira e mexe tem alguma situação, em que uma pessoa normal tiraria de letra, com o simples e clássico “ manda à merda e acabou”, mas nós não conseguimos. Quantas vezes eu já não ouvi que era só dizer isso pra resolver o problema? Mas a lógica de uma panda não funciona no botão “manda à merda e acabou”. Porque cada coisinha, sentimento, ação e reação, é como uma filigrana. Cheia de complexidades
Explico.
Pensamentos que acontecem, quando a gente pensa em ativar o “manda à merda e acabou”:
1- Se eu fizer isso, eu perco a razão.
2- Não vou me rebaixar no mesmo nível da pessoa.
3- Não sei proferir essas palavras sem estar completamente fora de mim.
4- Pra que causar mais ?
5- A pessoa vai perceber que errou, não precisa avacalhar.
6 - Tudo que falamos, volta pra nós, no mesmo grau.
Viu como não é tão simples? Experimenta passar um dia na pele de uma panda pra ver se é gostoso. Depois, não é só quando somos agredidos, que temos vontade de ativar o “manda à merda e acabou”.
Explico de novo.
Há momentos da vida em que simplesmente a gente tem que dizer não. Mas não consegue. Aí chega aquele seu amigo bem resolvido e fala: “ah querida, é simpls, manda à merda e acabou’. Esses momentos são quando:
1- de repente, por qualquer motivo, vc não quer convidar alguém para o seu aniversário. Mas vc pensa: “ ah... fica chato não chamar ciclano, se eu chamar fulano”.
2- por alguma razão, uma pessoa que “drena” vc, te explora, te aluga 40 horas semanais com os problemas , do nada, resolve te cobrar qualquer coisa.
3- alguém se sente dono de vc.
4- vc se sente (inexplicavelmente) na obrigação de ir no aniversário, lançamento, formatura, casamento de alguém que nunca foi no seus eventos.
É, minha gente, c´ est ne pas facil. Mas a gente vai se excercitar. Vou mandar fazer um adesivo no meu carro: “ Panda, aprenda. Mande à merda e acabou”.
Lógico... sempre com o lugarzão comum no coração - "HAY QUE ENDURECER-SE PERO SIN PERDER LA TERNURA, JAMÁS"
terça-feira, 12 de maio de 2009
O choro de Francisco
Parece que o nosso Franciscão Buarque - deixou escapar lagrimitas, no show do Caetano, nesse final de semana. A música que tocou o coração del poetón foi aquela linda, eternizada na voz da Gal, Força Estranha.
Já me imaginei na cena, lógico.
Nós dois, no Canecão. Caetano cantando algo do Zii e Zie. E eu sentada do lado do Chico, tentaria pegar na mão dele enquanto ele discretamente se esquivaria dizendo: “Linda, aqui não. Está cheio de fotógrafos”. Eu ficaria emburrada e já começaria a pensar: “Tá vendo, Marilia? Por que foi se envolver com esse cara? Isso que dá querer ficar com homem mais velho, inteligente, desejado. Agora não pode nem segurar na mão enquanto o Caê embala uma música romântica”. Mas logo o Caetano começaria com uma das suas músicas animadinhas e eu, tomada de fúria, iria dançar lá na frente. Só de birra, colocaria as mãos pro alto e com um leve reboladinho, cantaria bem alto: “eta, eta, eta, eta... é a lua , é o sol, é a luz de Tieta, eta, eta, eta”. O Chico não seria nem bobo de ceder à minha provocação - afinal ele não é um moleque cheio de cinismo, mas o Chico né minha gente? - e continuaria ali, na mesa, concentrado, introspectivo. Depois de perceber que de nada adiantaria minhas súplicas na beira do palco, eu voltaria pra mesa. Um pouco ofegante e já envergonhada do meu papel infantil. E ele lá, estático. Então, depois de um grande silêncio, Caetano faria uma daquelas introduções lindas - que só ele sabe fazer ... e começaria bem delicadamente : “Eu vi um menino correndo/ Eu vi o tempo brincando ao redor/ do caminho daquele menino". Pouco a pouco, os olhinhos verdes do poeta começariam a baixar e o corpo dele a ficaria encolhido na cadeira. Um gole na cerveja ( ou seria whisky? O que será que bebe o Chico?) e uma tosse sem som. E a música on and on: “eu pus os meus pés no riacho/ E acho que nunca os tirei/ O sol ainda brilha na estrada que eu nunca passei". Ele daria uma piscada mais longa - dessas que a gente dá quando tem uma nostalgia. E ali mesmo eu flagraria... uma lagrimita. Pequena, mas doída, saindo dos olhos mareados do Franciscão, bem no agudo do Caetano : “Por isso uma força, me leva a cantar. Por isso essa força estranha no ar. Por isso é que eu canto, não posso parar. Por isso essa voz tamanha". E aí... aí.... ele deixaria eu segurar na mão dele. Forte. E o Caetano sorriria, daquele jeito que ele sorri quando canta:" Eu vi muitos cabelos brancos na fronte do artista. O tempo não pára no entanto ele nunca envelhece/ Aquele que conhece o jogo, o jogo das coisas que são". Eu pensaria "Nossa. Quanta angústia, que coisa!". E devagar, enquanto ele soltaria minha mão, daria o último sussurro choroso, junto com a música : "É o sol, é o tempo, é a estrada, é o pé e é o chão". E eu falaria: "Agora chega de choro Amor, vamos para o samba". E ele obediente, já totalmente rendido, seguraria minha mão, em meio a todos os flashes.
Já me imaginei na cena, lógico.
Nós dois, no Canecão. Caetano cantando algo do Zii e Zie. E eu sentada do lado do Chico, tentaria pegar na mão dele enquanto ele discretamente se esquivaria dizendo: “Linda, aqui não. Está cheio de fotógrafos”. Eu ficaria emburrada e já começaria a pensar: “Tá vendo, Marilia? Por que foi se envolver com esse cara? Isso que dá querer ficar com homem mais velho, inteligente, desejado. Agora não pode nem segurar na mão enquanto o Caê embala uma música romântica”. Mas logo o Caetano começaria com uma das suas músicas animadinhas e eu, tomada de fúria, iria dançar lá na frente. Só de birra, colocaria as mãos pro alto e com um leve reboladinho, cantaria bem alto: “eta, eta, eta, eta... é a lua , é o sol, é a luz de Tieta, eta, eta, eta”. O Chico não seria nem bobo de ceder à minha provocação - afinal ele não é um moleque cheio de cinismo, mas o Chico né minha gente? - e continuaria ali, na mesa, concentrado, introspectivo. Depois de perceber que de nada adiantaria minhas súplicas na beira do palco, eu voltaria pra mesa. Um pouco ofegante e já envergonhada do meu papel infantil. E ele lá, estático. Então, depois de um grande silêncio, Caetano faria uma daquelas introduções lindas - que só ele sabe fazer ... e começaria bem delicadamente : “Eu vi um menino correndo/ Eu vi o tempo brincando ao redor/ do caminho daquele menino". Pouco a pouco, os olhinhos verdes do poeta começariam a baixar e o corpo dele a ficaria encolhido na cadeira. Um gole na cerveja ( ou seria whisky? O que será que bebe o Chico?) e uma tosse sem som. E a música on and on: “eu pus os meus pés no riacho/ E acho que nunca os tirei/ O sol ainda brilha na estrada que eu nunca passei". Ele daria uma piscada mais longa - dessas que a gente dá quando tem uma nostalgia. E ali mesmo eu flagraria... uma lagrimita. Pequena, mas doída, saindo dos olhos mareados do Franciscão, bem no agudo do Caetano : “Por isso uma força, me leva a cantar. Por isso essa força estranha no ar. Por isso é que eu canto, não posso parar. Por isso essa voz tamanha". E aí... aí.... ele deixaria eu segurar na mão dele. Forte. E o Caetano sorriria, daquele jeito que ele sorri quando canta:" Eu vi muitos cabelos brancos na fronte do artista. O tempo não pára no entanto ele nunca envelhece/ Aquele que conhece o jogo, o jogo das coisas que são". Eu pensaria "Nossa. Quanta angústia, que coisa!". E devagar, enquanto ele soltaria minha mão, daria o último sussurro choroso, junto com a música : "É o sol, é o tempo, é a estrada, é o pé e é o chão". E eu falaria: "Agora chega de choro Amor, vamos para o samba". E ele obediente, já totalmente rendido, seguraria minha mão, em meio a todos os flashes.
quarta-feira, 6 de maio de 2009
Amadas,
Depois que eu cruzei a catraca da estação les sablon fiquei muda. Não tinha nada que fizesse eu me sentir melhor. Nem o francesão que sentou do meu lado no trem... Eu tava toda atrapalhada tentando encaixar a mala quando aquele “Zidane” pegou, num rompante, o trambolho da minha mão e fez - milagrosamente- caber bem lá no alto. Depois, chorosa, eu olhava pela janela, até que ele me perguntou: “Pardon madame, mais vous être triste?”. Tá, até arranho francês, mas como eu ia conseguir explicar pra ele que, sim eu estava triste. Que não, eu não queria voltar para casa. Que sim, eu ia ficar com uma coisa que eles, franceses, não entendem - saudade. E não, nem que ele me abraçasse muito forte eu me sentiria melhor. Dei um sorrisinho tímido e disse: “ não, é só o pólen que me faz lacrimejar”. Ele não acreditou, mas foi cumplice e fingiu bem. Depois me convidou pra tomar um café no outro vagão, mas eu não aceitei. Ah gente, sabe? Me deixa. E no fim da viagem, quando me ajudou a recolher a mala, falou : “eu também odeio despedidas”. Eu ri baixinho e dei uma bitoca -merecida- na bochecha dele, que ficou sem graça, buni. Mas nem esse mini “rendez vous” desatou o nó da minha garganta. Só compartilhado agora com vcs minhas queridas.
Beijo do lado do atlântico.
Depois que eu cruzei a catraca da estação les sablon fiquei muda. Não tinha nada que fizesse eu me sentir melhor. Nem o francesão que sentou do meu lado no trem... Eu tava toda atrapalhada tentando encaixar a mala quando aquele “Zidane” pegou, num rompante, o trambolho da minha mão e fez - milagrosamente- caber bem lá no alto. Depois, chorosa, eu olhava pela janela, até que ele me perguntou: “Pardon madame, mais vous être triste?”. Tá, até arranho francês, mas como eu ia conseguir explicar pra ele que, sim eu estava triste. Que não, eu não queria voltar para casa. Que sim, eu ia ficar com uma coisa que eles, franceses, não entendem - saudade. E não, nem que ele me abraçasse muito forte eu me sentiria melhor. Dei um sorrisinho tímido e disse: “ não, é só o pólen que me faz lacrimejar”. Ele não acreditou, mas foi cumplice e fingiu bem. Depois me convidou pra tomar um café no outro vagão, mas eu não aceitei. Ah gente, sabe? Me deixa. E no fim da viagem, quando me ajudou a recolher a mala, falou : “eu também odeio despedidas”. Eu ri baixinho e dei uma bitoca -merecida- na bochecha dele, que ficou sem graça, buni. Mas nem esse mini “rendez vous” desatou o nó da minha garganta. Só compartilhado agora com vcs minhas queridas.
Beijo do lado do atlântico.
terça-feira, 5 de maio de 2009
Em NY
Logo no segundo dia me deparei com aquele Chagall imenso. Ela segurando uma flor e um fundo azul bem, bem forte. Fiquei ali estatelada durante uns 5 minutos. A janela do quadro era imensa, quase dava pra sentir o vento que batia no cabelo da moça, vestida de rosa, segurando aquela flor. Foi no Museu de Arte Moderna. Depois andamos naquelas avenidonas barulhentas. Ele me explicou: " É um vício. Não é que a cidade não seja bonita ou agradável, é viciante, mesmo". Depois de 5 dias lá, a gente não quer calma, mas deseja as pessoas do mundo inteiro, a buzina estressada dos taxis, a elegância ultramaisqueconcreta daquelas meninas.Vício. Muito fácil entender aquela cidade - é baba pra quem mora em SP. "Pai, agora já to entendendo. Isso aqui é diferente do resto dos EUA inteiro". É Woody Alen, Spyke Lee. Tá, é tbm Sexy and The City , sapatos glamurosos e “compre 2 , ganhe um for free”. Mas são museus incríveis, famílias inteiras no Central Park, moleques jogando basquete em quadras públicas. Patrícios andando pra cima e para baixo, diamantes vendidos que nem banana. Musicais. Arranha-céus. Uma cidade em que vc acredita que as pessoas falam sozinhas, quando na verdade estão falando pelo bluetooh - ou seja lá qual for o nome daquele telefone que fica pregado na orelha - coisa mais neurótica. Cidade do trabalho. Gripe suína? Que nada. Ninguém de máscara ou deixando de pegar o metrô. O filho de indiana e paquistanês "but preety americanized" Yasser, me disse, sem titubear : “ essa cidade é uma coisa de louco”. É, cidade louca . O outro israelense: “é apaixonante”. Fiquei com a definição dele: “vício”. Ele é “one of a kind” - me levou no programa de turista só porque eu queria ver a Estátua da Liberdade, foi comigo até o Strawberry Fields porque fiz questão de ver onde o John Lennon morava. Pai é pai, né gente? Espera a gente experimentar tudo, deixa a gente ser ingênua falando do Obama e ainda tem a candura de escolher um restaurante pensando no que a gente gosta. Sortuda eu, né?
sexta-feira, 24 de abril de 2009
E elas foram para Paris
Eram quase dez e meia da manhã quando entrei no prédiozinho na Neuilly sur-seine. O Petit Palace do Charlie. Natalinda e Dricoleta já me esperavam na janela. Foram muitos gritos só silenciados pelas olhadelas desgostosas da consièrge. Desde o primeiro minuto. Ainda faltavam a Fe - que vinha de Berlim e a Pi – anfitriã e copine do Charlie. Coitado dele, teve que aguentar manhãs seguidas ao som de Los Hermanos e berros apaixonados : “Diz, quem é maior que o amor? Me abraça forte agora, que é chegada a nossa hora”. Cantar, aliás, foi o que não faltou. Natalinda teve um treco inexplicável a caminho da Torre Eiffel: “gente como é aquela música do Queen?” Pronto. Cinco pandinhas dançando e cantando “under pressure” durante 3 quilômetros no bairro chiquérrimo dos invalides. Normal mesmo.
Sabe, não coube na gente. Emoções afloradas por uma caixinha de música só porque tocava La vie en rose. Oito horas experimentando todos os cremes de corpo da Provance e mexendo em tudo, quando um aviso bem grande dizia: “ne touchez pas”. Ok, a gente é brasileira, minha gente. E dá-lhe pão, panine, crepe, croissant. E a Dricoleta: “ To em silêncio porque tá difícil absorver tudo isso”. É, difícil mesmo. Andar pra cima e para baixo, flertar com o violinista que toca no metrô, se perder nos cacarecos do Monoprix. Se atrapalhar nos horários porque é muito bom acordar sem compromisso, mesmo em Paris. E a voz soa séria: “ O museu vai fechar em 15 minutos”. Mais 15 minutos pra ver o impressionismo inteiro? Vai, corre, passa correndo pelo Van Gogh, Monet, Renoir. Ih... ficou faltando o Manet.... E a frase repetida da viagem VOU TER QUE VOLTAR AQUI. E o pobre do Charlie aguentando a macacada na casa dele.
A cidade da luz com um sorrisão para gente. Não aguentei a Fe, toda charmosa, no meio de dois músicos tocando canto de ossanha, dizendo: "Ai, vc acha que eu tenho que sair daqui? tá tão bom...". Ou a Nata, me explicando na baldeação gigantosa do Chatlet, em plena meia noite, num papo profundo: "Sabe o que é Má? O que a gente busca na vida, na verdade, são encontros". E a Pizoca, plena alegria matinal: "vamos fazer bolinho de gente?". Coisas de amigas. Só quem tem esse "imenso monolito", como diria o Gil, sabe do que eu to falando. Dores musculares na perna de tanto andar. Trocas de cachecol, pequenos gracejos compartilhados, 59 horas na livraria shakespeare and Co. Tudo com um sabor esquisito de intesidade. E cada uma impressionada com uma cor de tulipa de diferente, com ventinho que levou embora todos os nossos versos.
É a primavera em Paris.
Sabe, não coube na gente. Emoções afloradas por uma caixinha de música só porque tocava La vie en rose. Oito horas experimentando todos os cremes de corpo da Provance e mexendo em tudo, quando um aviso bem grande dizia: “ne touchez pas”. Ok, a gente é brasileira, minha gente. E dá-lhe pão, panine, crepe, croissant. E a Dricoleta: “ To em silêncio porque tá difícil absorver tudo isso”. É, difícil mesmo. Andar pra cima e para baixo, flertar com o violinista que toca no metrô, se perder nos cacarecos do Monoprix. Se atrapalhar nos horários porque é muito bom acordar sem compromisso, mesmo em Paris. E a voz soa séria: “ O museu vai fechar em 15 minutos”. Mais 15 minutos pra ver o impressionismo inteiro? Vai, corre, passa correndo pelo Van Gogh, Monet, Renoir. Ih... ficou faltando o Manet.... E a frase repetida da viagem VOU TER QUE VOLTAR AQUI. E o pobre do Charlie aguentando a macacada na casa dele.
A cidade da luz com um sorrisão para gente. Não aguentei a Fe, toda charmosa, no meio de dois músicos tocando canto de ossanha, dizendo: "Ai, vc acha que eu tenho que sair daqui? tá tão bom...". Ou a Nata, me explicando na baldeação gigantosa do Chatlet, em plena meia noite, num papo profundo: "Sabe o que é Má? O que a gente busca na vida, na verdade, são encontros". E a Pizoca, plena alegria matinal: "vamos fazer bolinho de gente?". Coisas de amigas. Só quem tem esse "imenso monolito", como diria o Gil, sabe do que eu to falando. Dores musculares na perna de tanto andar. Trocas de cachecol, pequenos gracejos compartilhados, 59 horas na livraria shakespeare and Co. Tudo com um sabor esquisito de intesidade. E cada uma impressionada com uma cor de tulipa de diferente, com ventinho que levou embora todos os nossos versos.
É a primavera em Paris.
segunda-feira, 20 de abril de 2009
Carta de mãe
Sempre foi muito triste me despedir de Paris. Quando o avião decolava eu chorava em cima daqueles tetos ímpares. Queria fazer alguma mágica pra eternizar os cheiros, os pães, as esquinas e os pequenos cafés. Fico muito feliz por você ter visto tudo isso e sei que saberá guardar, dentro de voce, essa cidade inigualável.Por outro lado seu país te espera. Essa cidade feiosa onde voce nasceu terá prá voce o gosto do retorno. Sua casa, sua familia e seus amigos. Esteja certa Marilia--- voltar tambem é bom.
Te esperamos com carinho.
Beijo da MOOOOOMY
Te esperamos com carinho.
Beijo da MOOOOOMY
segunda-feira, 13 de abril de 2009
LYON
é dividida por dois rios, linda e cheia de charme. Bem francesa: provinciana, cheia de pequenos cantinhos e com ventinho frio. Na boulangerie quando perguntamos se o pão era sucré ou salé, aquela simpatia básica francesa respondeu: " bah voilá, c' est du pain". Bom, a gente vai aprendendo os códigos devagar.
Minha recepção foi digna de princesa. Mariana comprou uma gama de iogurtes franceses só para me agradar. Depois andamos pelo quartier dela, e por ser páscoa não tinha viva alma na rua, só um silêncio estranho e não menos bonito, para quem vive em SP. Compramos tomates e flores para enfeitar a casa. Até agora a viagem tem sido quase que gastronômica. Ontem quando fomos à campaigne experimentamos 4 tipos de vinho na mesma refeição. O primeiro - branco e seco- para a entrada, outro mais doce, para segunda entrada; o terceiro com o prato principal e o último com os queijos. Foi na campaigne , aliás, que vi pela primeira vez, uma flor de pessegueiro. É uma florzinha branca, grudada no tronco e nos galhos, bem cheirosa. E tem espalhada por todos os lados. Fiquei hipnotizada pela paisagem do campo francês, tá, meio bobo, mas a gente sente essas coisas em viagem, mesmo. Estou lá, quietinha, olhando os cavalos, e os gramados com florzinhas amarelas e, de repente, vem aquele pensamento: "Eu vou morar aqui. Juro que largo tudo : a vila madalena, a vida glamurosa de reporter, o cinema de domingo a noite, a saladinha do la pero, a benedito calixto, meus amigos, tudo, tudo. Vou ficar nessa casa bucólica, com as crianças subindo em árvores, esse cheiro de flor de pessegueiro e essa paz de espirito". E todo esse pensamento fácil e até um pouco infantil, voa longe quando eu lembro que estamos na primavera e, por isso, há cores e vida. Mas que a realidade é outra: faz frio, muito frio e frio durante 8 meses. Tá bom, eu volto pra Vila Madalena, então.
Meu francês está meio enferrujado, mas depois de algumas, muitas tacinhas de vinho, acredito que é minha lingua materna e saio falando sem e menor vergonha.
E quinta ... quinta é dia de Paris.
Minha recepção foi digna de princesa. Mariana comprou uma gama de iogurtes franceses só para me agradar. Depois andamos pelo quartier dela, e por ser páscoa não tinha viva alma na rua, só um silêncio estranho e não menos bonito, para quem vive em SP. Compramos tomates e flores para enfeitar a casa. Até agora a viagem tem sido quase que gastronômica. Ontem quando fomos à campaigne experimentamos 4 tipos de vinho na mesma refeição. O primeiro - branco e seco- para a entrada, outro mais doce, para segunda entrada; o terceiro com o prato principal e o último com os queijos. Foi na campaigne , aliás, que vi pela primeira vez, uma flor de pessegueiro. É uma florzinha branca, grudada no tronco e nos galhos, bem cheirosa. E tem espalhada por todos os lados. Fiquei hipnotizada pela paisagem do campo francês, tá, meio bobo, mas a gente sente essas coisas em viagem, mesmo. Estou lá, quietinha, olhando os cavalos, e os gramados com florzinhas amarelas e, de repente, vem aquele pensamento: "Eu vou morar aqui. Juro que largo tudo : a vila madalena, a vida glamurosa de reporter, o cinema de domingo a noite, a saladinha do la pero, a benedito calixto, meus amigos, tudo, tudo. Vou ficar nessa casa bucólica, com as crianças subindo em árvores, esse cheiro de flor de pessegueiro e essa paz de espirito". E todo esse pensamento fácil e até um pouco infantil, voa longe quando eu lembro que estamos na primavera e, por isso, há cores e vida. Mas que a realidade é outra: faz frio, muito frio e frio durante 8 meses. Tá bom, eu volto pra Vila Madalena, então.
Meu francês está meio enferrujado, mas depois de algumas, muitas tacinhas de vinho, acredito que é minha lingua materna e saio falando sem e menor vergonha.
E quinta ... quinta é dia de Paris.
quinta-feira, 9 de abril de 2009
quinta-feira, 2 de abril de 2009
Sobre Les petits plaisirs
... aí, como eu adoro esse filme porque é o filme mais panda do universo e a Amelie é a masterpanda - apesar de ser francesa e vcs sabem, panda da França é outro lance. Mas como eu dizia, eu fiquei pensando nessa coisa dos “pequenos prazeres”. Cada um tem os seus, alguns são unânimes, outros nascem de lembranças e alguns podem ser considerados excentricidades, esquisitices. Lembro que na Puc, tínhamos um professor bem mala - professor que coloca alunos adultos, em roda, para falar de coisas pessoais ou "rituais" - é mala. Mas aí ouvi a história dos pequenos rituais dos meus colegas de classe e fiquei apavorada. Uma das meninas disse que fazia 4 anos que ela acordava e tomava café da manhã, impreterivelmente, escutando "Welcome to the Jungle", do Guns N' Roses. Ah gente, sabe? Segura um poquinho. Mas enfim, como todo mundo tem seu lado buni e seu lado mini-estrange, resolvi listar aqui meus pequenos prazeres. E queria também saber o de vcs. Hum... o quê? Curiosa, eu? Imagina... são só mumunhas.
Top 10 dos pequenos prazeres à la Amélie by Mazolinha
* O primeiro passo dentro de um aeroporto antes de uma big viagem.
* Banho com velinha acesa.
* Experimentar perfumes em lojas de departamentos.
* Cheirinho de brigadeiro de panela.
* Dormir, dormir e dormir.
* O primeiro cachecol do ano.
* A sensação de conseguir abrir latas, vinhos, e potes - isso é pra quem mora sozinha.
* Andar de bicicleta na praia.
* Morder a bochecha da Teresa.
* Abraço de panda.
quarta-feira, 1 de abril de 2009
Salve João Cabral
--Severino, retirante,
deixe agora que lhe diga:
eu não sei bem a resposta
da pergunta que fazia,
se não vale mais saltar fora
da ponte e da vida
nem conheço essa resposta,
se quer mesmo que lhe diga
é difícil defender,
só com palavras, a vida,
ainda mais quando
ela é esta que vê, severina
mas se responder não pude
à pergunta que fazia,
ela, a vida, a respondeu
com sua presença viva.
E não há melhor resposta
que o espetáculo da vida:
vê-la desfiar seu fio,
que também se chama vida,
ver a fábrica que ela mesma,
teimosamente, se fabrica,
vê-la brotar como há pouco
em nova vida explodida
mesmo quando é assim pequena
a explosão, como a ocorrida
como a de há pouco, franzina
mesmo quando é a explosão de uma vida severina.
deixe agora que lhe diga:
eu não sei bem a resposta
da pergunta que fazia,
se não vale mais saltar fora
da ponte e da vida
nem conheço essa resposta,
se quer mesmo que lhe diga
é difícil defender,
só com palavras, a vida,
ainda mais quando
ela é esta que vê, severina
mas se responder não pude
à pergunta que fazia,
ela, a vida, a respondeu
com sua presença viva.
E não há melhor resposta
que o espetáculo da vida:
vê-la desfiar seu fio,
que também se chama vida,
ver a fábrica que ela mesma,
teimosamente, se fabrica,
vê-la brotar como há pouco
em nova vida explodida
mesmo quando é assim pequena
a explosão, como a ocorrida
como a de há pouco, franzina
mesmo quando é a explosão de uma vida severina.
terça-feira, 31 de março de 2009
Então tá, então
Meu nome é Iker Casillas e eu sou o goleiro da seleção da Espanha".
Tá bom pra vocês?
Nata, posso me aboletar na sua casa pra ver o chuchuzinho do Casillas jogar no Camp Nou?
besote a mis trocitos de pan
quinta-feira, 26 de março de 2009
Nunca mais será a mesma
Querida Natalinda,
Estava aqui pensando com meus botões. Paris nunca mais será a mesma. Já pensou a gente lá? Me dá dó de pensar nos franceses com aquela melancolia sartriana, perto da nossa brasilidade nagô, né? Eles andando pelos Jardins de Luxemburgo, fumando loucamente pensando: “ merde! je suis fatigué de survivre”. Enquanto nós cinco vamos estar maluquetes, loucas pra tomar uma tacinha e perambular pelas ruelas do 5 éme. Olha, já avisei o Chico Buarque que a gente vai. Mandei um e-mail, dizendo: “Chiquito, acredita que nós vamos pousar em Paris ? Pode tratar de levar a mulherada para experimentar aquele sorbet de citron que vc adora”. Ele ainda não respondeu, mas certamente vai levar a gente pra conhecer algum cantinho especial.
Mas Nata, me promete uma coisa? Vamos andar de metrô e cantar “Pigalle” ? E atirar pedrinhas no Canal Saint-Martin como Amélie Poulain? E parar para ver algum filme antigo naqueles cineminhas do século passado?
Sabe quem também se empolgou com a ideia? A Juliette Binoche. Menina, ela grudou em mim. Desde que eu fiz uma mini entrevista com ela por conta do ano da França no Brasil, ela não larga do meu pé! Já falei que a gente vai visitar ela, desde que ela conte algum segredo pra gente. Imagina que legal saber algum segredo da Juliette Binoche ? Vou perguntar pra ela se o Jonnhy Deep beija bem. Porque sou humana e mulher e tenho direito de saber isso.Mas até lá, vc me manda notícias da Índia? Me conta dos bicos dos corvos de Chennai e me ensina a fazer aquela dancinha que a Juliana Paes faz na novela?
Lobby so much.
à bientôt,
Mazi
Estava aqui pensando com meus botões. Paris nunca mais será a mesma. Já pensou a gente lá? Me dá dó de pensar nos franceses com aquela melancolia sartriana, perto da nossa brasilidade nagô, né? Eles andando pelos Jardins de Luxemburgo, fumando loucamente pensando: “ merde! je suis fatigué de survivre”. Enquanto nós cinco vamos estar maluquetes, loucas pra tomar uma tacinha e perambular pelas ruelas do 5 éme. Olha, já avisei o Chico Buarque que a gente vai. Mandei um e-mail, dizendo: “Chiquito, acredita que nós vamos pousar em Paris ? Pode tratar de levar a mulherada para experimentar aquele sorbet de citron que vc adora”. Ele ainda não respondeu, mas certamente vai levar a gente pra conhecer algum cantinho especial.
Mas Nata, me promete uma coisa? Vamos andar de metrô e cantar “Pigalle” ? E atirar pedrinhas no Canal Saint-Martin como Amélie Poulain? E parar para ver algum filme antigo naqueles cineminhas do século passado?
Sabe quem também se empolgou com a ideia? A Juliette Binoche. Menina, ela grudou em mim. Desde que eu fiz uma mini entrevista com ela por conta do ano da França no Brasil, ela não larga do meu pé! Já falei que a gente vai visitar ela, desde que ela conte algum segredo pra gente. Imagina que legal saber algum segredo da Juliette Binoche ? Vou perguntar pra ela se o Jonnhy Deep beija bem. Porque sou humana e mulher e tenho direito de saber isso.Mas até lá, vc me manda notícias da Índia? Me conta dos bicos dos corvos de Chennai e me ensina a fazer aquela dancinha que a Juliana Paes faz na novela?
Lobby so much.
à bientôt,
Mazi
terça-feira, 24 de março de 2009
MONOTEMA: agora é Paris até a viagem
Lês Champs! Que champs? Lês Champs Elysées!
... aí a gente ia adiando os programas turísticos mais óbvios. Optamos por conhecer dois museus diferentes, a passar o dia vagando por ruelas e livrarias da margem esquerda. A margem direita era muito luxuosa, mas muito fria tbm. Faltava gente, cantinhos, coisitas charmosas. Aí depois de alguns meses ali, bateu aquela coisa: ‘ puts, todo esse tempo aqui e nem fomos para margem direita, nem no arco do triunfo!’. Aproveitamos o impulso da culpa turística e o fato de que tinha uma expo interessante no Palácio de La Découverte, no comecinho da Champs Elysées. Fazia um frio glacial e nos debandamos pro lado de lá.
Quando saímos da exposição já estava escuro. Aí euzinha olhei para aquela avenida toda iluminada. Luzes crescentes até chegar ao arco do Triunfo. “Aham, tá, esse é o momento de fingir que vc é a Deneuve”, pensei eu. Aí pintou aquele sentimento que rola em algumas viagens. Alguma coisa - inexplicável - preencheu a Marilita de uma forma inexplicável também. Entramos numa loja chiquérrrrrrrrrrrrrrima de óculos escuros. Cada óculos, a bagatela de uma casa. Mas tudo bem: “hoje eu sou a Catherine Deneuve, vou provar todos”. Provamos todos os tamanhos, cores de lentes e fiz pose de atriz francesa naquele espelhão. Puro luxo na avenida mais visitada do mundo. Lógico que deu uma pane no sistema e no final da noite eu tinha certeza que eu era, SIM, a Deneuve e que eu podia, SIM, gastar 15 euros num bombom inteiro desenhado, feito filigrana. Afinal, euestouemparisepossotudoqueeuqueroeolhaesselugar! Loucura curada com pés cansados e vinho barato da casa - de volta à margem esquerda.
... aí a gente ia adiando os programas turísticos mais óbvios. Optamos por conhecer dois museus diferentes, a passar o dia vagando por ruelas e livrarias da margem esquerda. A margem direita era muito luxuosa, mas muito fria tbm. Faltava gente, cantinhos, coisitas charmosas. Aí depois de alguns meses ali, bateu aquela coisa: ‘ puts, todo esse tempo aqui e nem fomos para margem direita, nem no arco do triunfo!’. Aproveitamos o impulso da culpa turística e o fato de que tinha uma expo interessante no Palácio de La Découverte, no comecinho da Champs Elysées. Fazia um frio glacial e nos debandamos pro lado de lá.
Quando saímos da exposição já estava escuro. Aí euzinha olhei para aquela avenida toda iluminada. Luzes crescentes até chegar ao arco do Triunfo. “Aham, tá, esse é o momento de fingir que vc é a Deneuve”, pensei eu. Aí pintou aquele sentimento que rola em algumas viagens. Alguma coisa - inexplicável - preencheu a Marilita de uma forma inexplicável também. Entramos numa loja chiquérrrrrrrrrrrrrrima de óculos escuros. Cada óculos, a bagatela de uma casa. Mas tudo bem: “hoje eu sou a Catherine Deneuve, vou provar todos”. Provamos todos os tamanhos, cores de lentes e fiz pose de atriz francesa naquele espelhão. Puro luxo na avenida mais visitada do mundo. Lógico que deu uma pane no sistema e no final da noite eu tinha certeza que eu era, SIM, a Deneuve e que eu podia, SIM, gastar 15 euros num bombom inteiro desenhado, feito filigrana. Afinal, euestouemparisepossotudoqueeuqueroeolhaesselugar! Loucura curada com pés cansados e vinho barato da casa - de volta à margem esquerda.
quinta-feira, 19 de março de 2009
quarta-feira, 18 de março de 2009
terça-feira, 17 de março de 2009
A tal da sustentabilidade
-E o que vc precisa?
-De uma anestesia.
-Geral?
-Não, local mesmo?
-Onde?
-No coração.
-Qual deles?
-O doente.
-O esquerdo?
-Não, aquele ali, murchinho...
-Mas se tá murchinho, pra que anestesiar?
-Pra não sentir dor na remoção.
-Vc vai remover esse coração?
-Mas porque? ele tem tanta história, tanta lembrança, é muita coisa pra tirar daí
-Justamente. Porque agora vem um novinho. Mas limpinho do que fone de ipod novo. Parece que tem uma blindagem, uma membrana à prova de bala
-Ah é?
-E onde vc conseguiu esse?
-Hum. É raro, sabe? Esse eu ganhei, na verdade. Minha vó já tinha encomendado um pra mim.
-Ah pôxa, eu tbm quero um coração novo.
-É... não é pra qualquer um, não.
-Parece que a cirurgia de remoção dói muito. Mais do que parto.
-E daí, eu aguento a dor ?
-Aguenta? Até parece. Não existe dor maior do que abrir mão de um coraçãozinho marcado.
-Sério?
-É o que dizem por aí...
-Puxa... também queria uma renovação.
-Olha, parece que terapia dói bem menos, e vc aprende a reciclar o coração. E vc sabe, nesse mundo sustentável de hoje, não é bom desperdiçar coração por aí...
-De uma anestesia.
-Geral?
-Não, local mesmo?
-Onde?
-No coração.
-Qual deles?
-O doente.
-O esquerdo?
-Não, aquele ali, murchinho...
-Mas se tá murchinho, pra que anestesiar?
-Pra não sentir dor na remoção.
-Vc vai remover esse coração?
-Mas porque? ele tem tanta história, tanta lembrança, é muita coisa pra tirar daí
-Justamente. Porque agora vem um novinho. Mas limpinho do que fone de ipod novo. Parece que tem uma blindagem, uma membrana à prova de bala
-Ah é?
-E onde vc conseguiu esse?
-Hum. É raro, sabe? Esse eu ganhei, na verdade. Minha vó já tinha encomendado um pra mim.
-Ah pôxa, eu tbm quero um coração novo.
-É... não é pra qualquer um, não.
-Parece que a cirurgia de remoção dói muito. Mais do que parto.
-E daí, eu aguento a dor ?
-Aguenta? Até parece. Não existe dor maior do que abrir mão de um coraçãozinho marcado.
-Sério?
-É o que dizem por aí...
-Puxa... também queria uma renovação.
-Olha, parece que terapia dói bem menos, e vc aprende a reciclar o coração. E vc sabe, nesse mundo sustentável de hoje, não é bom desperdiçar coração por aí...
Paris
Quando fomos para Paris, já estava cansada de viajar. Cansada no bom sentido, claro. Já tínhamos completado 8 meses longe do Brasil, com mochila nas costas, calças rasgadas de tanto andar, a unha sem fazer, o cabelo sem cortar, alguns (bons) quilos acima do peso e uma saudade difícil de encaixar na rotina. Enfim, cansadas. Mas Paris não perdoou. Com carrosséis e os 140 tipos de queijo. Por mais que eu tentasse ficar em casa, não deu. E foram alguns meses assim - sem parar. Porque a cidade não termina. Eu mesminha - com todas as minhas neuroses de ‘tenho que aproveitar até a última gota’- não consegui fazer tudo que eu queria. Porque é muito gostinho de tarte au citron. 2 séculos para erguer a Notre Dame e o Le Monde estampando notícias das atrocidades mundiais. A rasgação de seda é tanta, que fica difícil não cair nos lugares comuns. Mas cada um tem a sua Paris. A minha é incrível: tem cheiro de pão, livraria da TASCHEN, pés cansados e um ar inebriante de vinho. Uma certa melancolia, talvez. O frio e o fio de sol naquele rio. As histórias são inúmeras: que Hitler não teve coragem de bombardear a cidade porque estupefacto com a beleza construída ; que Picasso e Modigliani já saíram na mão pelas ruas de montmartre; que o FRANCISCO Buarque de Hollanda mora ali, na île de Santi Louis e adora tomar café no de Flore. E maio de 68 e o romance todo atrapalhado e interessante de Sarte com a Beauvoir. Não tem fim. E só porque eu vou dar um pulinho lá e porque quero que minhas férias comecem antes... é aqui mesmo pessoal.
segunda-feira, 9 de março de 2009
Rapidinhas do final de semana
1- Rodrigo Amarante é sexy.
2- “Móveis Coloniais de Acaju são o Beirut brasileiro” - frase do primo que diz tudo. Melhor show.
3- Amigos antigos ás vezes são chatos.
4 - “Wagner Moura não é fofo, é poderoso” - frase da Nilds que resume a dançadinha que levou a mulherada à loucura no show no sábado.
5- Roberto Bolaño rocks.
6 - Sobrinha bochechuda é algo que todo mundo merece ter.
7 - Revelação atrasada: tecla SAP para assistir filmes românticos no TNT.
8 - 25 mulheres levando um baile em termos de “como se dar bem num relacionamento” de uma Drag Queen muito simpática, em um chá de lingerie. Não, não é ficção, isso aconteceu e foi divertidíssimo.
9 - Ronaldão - não podia ficar de fora, né?
2- “Móveis Coloniais de Acaju são o Beirut brasileiro” - frase do primo que diz tudo. Melhor show.
3- Amigos antigos ás vezes são chatos.
4 - “Wagner Moura não é fofo, é poderoso” - frase da Nilds que resume a dançadinha que levou a mulherada à loucura no show no sábado.
5- Roberto Bolaño rocks.
6 - Sobrinha bochechuda é algo que todo mundo merece ter.
7 - Revelação atrasada: tecla SAP para assistir filmes românticos no TNT.
8 - 25 mulheres levando um baile em termos de “como se dar bem num relacionamento” de uma Drag Queen muito simpática, em um chá de lingerie. Não, não é ficção, isso aconteceu e foi divertidíssimo.
9 - Ronaldão - não podia ficar de fora, né?
quarta-feira, 4 de março de 2009
Your turn
Vai coração mole. Esquece o vira-lata, canção desnaturada, ressaca de beijo e de perdão. Vai coração mole. Vira essa página, dispensa a camiseta rasgata, os berros chorosos, aquele batom no espelho. Anda, coraçãozinho mole. Aprende uma música doce e coloca no trem da vida todo veneno jorrado de graça. Coração burro, repetitivo. Tritura essas cartas, vai. Muda os filmes e deixa de lado presente por presente. Molenga, esse coração, mesmo. Tira de uma vez esse sapato do armário, o vaso com flores secas, o risco que ficou na parede com o porta retrato quebrado. Coração surdo. Se não pode gritar, limpa logo essa sujeira. Passa tinta verde por cima. Ou azul. Mas é você, coração mole, quem escolhe a cor. Dessa vez, é você.
Mumunhas
É que ele nunca se interessou pelo espetáculo das rupturas. E tem um jeito de quem mantém a fé em uma felicidade. É de uma graça inesgotável, meu querido. Fala manso, doce. Olhos verdes que crescem com a música das risadas que espalha. Ele não é escravo dessa tirania da diversão, porque possui qualidade de riso. E tece, todos os dias, os fios dourados dos meus sonhos.
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009
Aviso aos visitantes anônimos
Neste blog a discussão e divergência de ideias é bem-vinda. Desde que os comentários sejam educados e devidamente assinados. Do contrário a Mazinha “pequena” aqui, vai apagar. Se assinados e assumidos, convenhamos - quem tem coragem de postar, tem que ter, no mínino, a descência de assinar - podemos conversar e fazer desse espaço um debate produtivo. Estamos conversados, meus pequenos covardes?
terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
Sobre dirigir sem carta
E então era para ser só um fim de semana em Iporanga. Já no final da tarde de domingão, a caminho de Sp, com um amigo que é considerado um ás no volante... Batíamos papo descontraído, ao som de Kaya na gandaia, coisa e tal...
Chapter I - a batida policial
-- Mas nada nunca aconteceu comigo sem carta de motorista, Marilia. Esse país é impunidade pura.
-- Eu sei, PP. Mas sei lá né?
Cinco minutos e um farol vermelho furado depois...
-- Ai Mazola, a polícia.
Tornando a longa história curta. Ele com a carta vencida em 2005. Eu com a carta vencida em 2007. 2 celulares sem bateria. Nenhum orelhão funcionando decentemente na cidade do Guarujá.
Chapter II - o guincho.
-- Fica aí que eu vou tentar ligar para alguém de algum lugar, me disse o PP.
De repente, enquanto aqueles dois policiais anotam todas as informações do carro... chega um guincho.
-- Será que a senhora pode retirar seus pertences do carro que nós vamos guinchar o veículo- me disse aquele cara fardado.
-- Mas como assim? O Sr. Policial vê que estou aqui esperando e não me diz nada, vai logo chamando um guincho...
Tornando o segundo capitulo curto... quando percebi que de nada adiantava dialogar com aqueles ignorantes sobre o papel público da polícia, sobre a falta de respeito deles comigo, já que eu tbm estava presente no carro e ninguém me informou de nada, eu comecei a chorar. É chorar mesmo... espernear. Olhava para o infinito... chorava, disse chorando que eu precisava trabalhar na segunda, que como eles tinham coragem de fazer aquilo, que era abuuuuusooooo de poder, PORQUE VCS ESTÃO FAZENDO ISSO COMIGO???? Até que o policial André se sensibilizou: " oh D. Marilia, não chora assim que eu fico com peso na consciência. Eu empresto meu celular se vc prometer que vai parar de chorar". Mas a sensibilidade deles não adiantou porque meu carro foi embora com o guincho e o guincheiro, já meio de ladinho e contradizendo os policiais, disse: retirar o carro... só amanhã de manhã. - acho sussa mesmo.
Chapter III - Uma noite no Guarujá
Dizem que o Guarujá já foi a menina dos olhos do litoral paulista. Mas é impossível acreditar. PESADELO. Poluído, perigoso e deprê. Isso sem contar os donos de "pousada" bêbados. Enquanto o PP negociava com o taxista o trâmite do dia seguinte, o dono da 'pousada' me dizia: "é, tenho que tomar umas pra conseguir dormir, entendeu?". Bem legal, mesmo, moço. Agora que eu vou me sentir segura nesse negócio que vc chama de 'pousada'.
Chapter IV - A liberação do carro.
Depois de apelar para o choro algumas vezes e conquistar a simpatia dos guincheiros e guardas do pátio de carros, percebemos que o buraco era muito mais embaixo. Não tava nada sussa, ali. Envolvia procuração, cartório, gente descer de SP para resgatar os dois perdidos num Guarujá sujo...
Bom - se o que não tem solução, solucionado está -Eu e PP ficamos em uma salinha, plantados do lado do orelhão, embaixo de um ventilador durante umas 5 horas. Foram mais ou menos 7 programas do tipo "globo esporte" diferentes, na TV da salinha. Algumas broncas vindas da metrópole: "como vc viaja sem carta e sem celular, Marilia? " e um ou outro alento vindo dos seres humanos que vagavam por ali e viam nossas carinhas desesperadas. Eu, depois de ver 8767565 vezes os mesmos lances do jogo Corinthians e SP, já estava decidindo se o Tulio e o André Dias tinham simulado a falta no jogo de domingo - meninas, olha a que nível de desespero eu cheguei. Já o PP começou até atender o telefone do Guincho com uma precisão e profissionalismo que nossos amigos guincheiros embriagados não tinham.
Chapter V - Ah... a fraternidade
Depois de meu irmão lindo resolver os problemas burocráticos e o Chuchuzinho do irmão do PP ir hasta el Guarujá nos salvar... ainda tivemos que depender da boa vontade daqueles que trabalham no serviço publico - vcs podem imaginar, né? Debaixo de um sol de rachar a moleira e agüentado a grosseria alheia. Mas conseguimos resolver o imbróglio.
Novela terminada, Luiz Melodia no carro e um silêncio de quem não tinha energia pra falar mais nada, chegamos em SP, as 4 da tarde.
Isso é para aprender a lição, viu crianças?
Ps: Beijo especial no Fe, meu irmão lindo que ajudou a gente com boa vontade e rapidez e no PP por me agüentar em momentos de mulherice e histeriquice aguda.
Chapter I - a batida policial
-- Mas nada nunca aconteceu comigo sem carta de motorista, Marilia. Esse país é impunidade pura.
-- Eu sei, PP. Mas sei lá né?
Cinco minutos e um farol vermelho furado depois...
-- Ai Mazola, a polícia.
Tornando a longa história curta. Ele com a carta vencida em 2005. Eu com a carta vencida em 2007. 2 celulares sem bateria. Nenhum orelhão funcionando decentemente na cidade do Guarujá.
Chapter II - o guincho.
-- Fica aí que eu vou tentar ligar para alguém de algum lugar, me disse o PP.
De repente, enquanto aqueles dois policiais anotam todas as informações do carro... chega um guincho.
-- Será que a senhora pode retirar seus pertences do carro que nós vamos guinchar o veículo- me disse aquele cara fardado.
-- Mas como assim? O Sr. Policial vê que estou aqui esperando e não me diz nada, vai logo chamando um guincho...
Tornando o segundo capitulo curto... quando percebi que de nada adiantava dialogar com aqueles ignorantes sobre o papel público da polícia, sobre a falta de respeito deles comigo, já que eu tbm estava presente no carro e ninguém me informou de nada, eu comecei a chorar. É chorar mesmo... espernear. Olhava para o infinito... chorava, disse chorando que eu precisava trabalhar na segunda, que como eles tinham coragem de fazer aquilo, que era abuuuuusooooo de poder, PORQUE VCS ESTÃO FAZENDO ISSO COMIGO???? Até que o policial André se sensibilizou: " oh D. Marilia, não chora assim que eu fico com peso na consciência. Eu empresto meu celular se vc prometer que vai parar de chorar". Mas a sensibilidade deles não adiantou porque meu carro foi embora com o guincho e o guincheiro, já meio de ladinho e contradizendo os policiais, disse: retirar o carro... só amanhã de manhã. - acho sussa mesmo.
Chapter III - Uma noite no Guarujá
Dizem que o Guarujá já foi a menina dos olhos do litoral paulista. Mas é impossível acreditar. PESADELO. Poluído, perigoso e deprê. Isso sem contar os donos de "pousada" bêbados. Enquanto o PP negociava com o taxista o trâmite do dia seguinte, o dono da 'pousada' me dizia: "é, tenho que tomar umas pra conseguir dormir, entendeu?". Bem legal, mesmo, moço. Agora que eu vou me sentir segura nesse negócio que vc chama de 'pousada'.
Chapter IV - A liberação do carro.
Depois de apelar para o choro algumas vezes e conquistar a simpatia dos guincheiros e guardas do pátio de carros, percebemos que o buraco era muito mais embaixo. Não tava nada sussa, ali. Envolvia procuração, cartório, gente descer de SP para resgatar os dois perdidos num Guarujá sujo...
Bom - se o que não tem solução, solucionado está -Eu e PP ficamos em uma salinha, plantados do lado do orelhão, embaixo de um ventilador durante umas 5 horas. Foram mais ou menos 7 programas do tipo "globo esporte" diferentes, na TV da salinha. Algumas broncas vindas da metrópole: "como vc viaja sem carta e sem celular, Marilia? " e um ou outro alento vindo dos seres humanos que vagavam por ali e viam nossas carinhas desesperadas. Eu, depois de ver 8767565 vezes os mesmos lances do jogo Corinthians e SP, já estava decidindo se o Tulio e o André Dias tinham simulado a falta no jogo de domingo - meninas, olha a que nível de desespero eu cheguei. Já o PP começou até atender o telefone do Guincho com uma precisão e profissionalismo que nossos amigos guincheiros embriagados não tinham.
Chapter V - Ah... a fraternidade
Depois de meu irmão lindo resolver os problemas burocráticos e o Chuchuzinho do irmão do PP ir hasta el Guarujá nos salvar... ainda tivemos que depender da boa vontade daqueles que trabalham no serviço publico - vcs podem imaginar, né? Debaixo de um sol de rachar a moleira e agüentado a grosseria alheia. Mas conseguimos resolver o imbróglio.
Novela terminada, Luiz Melodia no carro e um silêncio de quem não tinha energia pra falar mais nada, chegamos em SP, as 4 da tarde.
Isso é para aprender a lição, viu crianças?
Ps: Beijo especial no Fe, meu irmão lindo que ajudou a gente com boa vontade e rapidez e no PP por me agüentar em momentos de mulherice e histeriquice aguda.
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
Prometo que vou ficar quieta
Como posso falar disso tudo a você, menina solene, mimada pelo aborrecimento do universo, sem criar uma barreira de resistência enorme? Como te dizer que você, amiga, continua a responder à urgência da felicidade do mundo com uma ansiedade sem precedentes? Seu sorriso, minha querida, tem a candura generosa de quem olha para o outro e não reconhece o próprio assoalho de sentimentos destrutivos. E eu, amiga, amiga- mãe, amiga-onça, amiga-leoa - preciso de palavras novas. De uma língua muda, expressões que sejam escritas em silêncio e lidas com a intensidade de um coração rasurado. Palavras que te curem da cegueira - que não cerra os olhos, mas os deixam abertos para a dor. Ou palavras, que no mínimo, me tirem essa preocupação da cabeça. Antes você vertesse em lágrimas de raiva a ficar com essa expressão de quem faz da infelicidade, pouco a pouco, sua almofada. Minha querida, eu sei que cada um tem seus segredos e seus espinhos afetivos, mas me arrepia ver você se entregar à filosofia daqueles que são condenados à própria forca. Eterna caçadora de luz, você merece aquele tempo - coleção de instantes suspensos - com acordes de Chico Buarque e gostinho de amora roubada do vizinho.
Mas a gente mesmo, no comum, não sabe encontrar e muito menos ensinar esses caminhos de cachoeiras perdidas.
Um beijo carinhoso.
Mas a gente mesmo, no comum, não sabe encontrar e muito menos ensinar esses caminhos de cachoeiras perdidas.
Um beijo carinhoso.
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
Dorival Caymmi
Dia dois de fevereiro
Dia de festa no mar
Eu quero ser o primeiro
Pra salvar Yemanjá
Eu mandei um bilhete pra ela
Pedindo para ela me ajudar
Ela então me respondeu
Que eu tivesse paciência de esperar
O presente que eu mandei pra ela
De cravos e rosas vingou
Chegou, chegou, chegou
Afinal que o dia dela chegou...
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
O que fazer depois de 5 horas na fila do consulado americano
Não pode ouvir música e nem falar no celular. Fica tudo lá fora. Dá pra ler, mas só até a segunda parte das chamadas - porque a lista começa a ficar aleatória, então vc não pode desgrudar o olho do painel de senhas. Mas o que dá pra fazer é ouvir as conversas alheias - do meu lado tava rolando a maior DR do milênio. Ela, as usual, tirando problema da onde não tinha. E ele, todo buni, mas omisso do problema. A seguir, trechos do diálogo:
Mulher: Eu disse pra ela que a gente ia dar um tempo
Homem: A gente? Vc que quer isso. Eu to bem em casa.
M: Eu? Na boa, a gente combinou, chegou a um consenso. Agora não vem me fazer de vilã da história.
H: Eu não estou te fazendo de vilã. Mas eu acho que vc tá sendo precipitada
M: Ahhhhh, agora eu to sendo precipitada???
H: Fala baixo. Tá todo mundo olhando
M: E qual é o problema? tem vergonha? Já não basta ficar seis horas aqui e não pode nem conversar? Olha, foi um acordo. Vc tbm achou melhor sair de casa e pensar em tudo que aconteceu.
H: Foi por causa daquele episódio?
M: Não. Quer dizer, vc chutou e eu fiz gol. Se fosse só aquilo, a gente podia superar juntos. Mas foi um monte de coisas e vc sabe.
H: é...
M: Por vc, continuaria lá em casa, nós dois infelizes. Homem é foda mesmo.
H: Não é isso. Mas acho que vc desiste fácil demais das coisas.
M: Tá. Melhor a gente parar por aqui.
senha apita 2465.
Agora eu me pergunto. Se ele vai sair de casa, que raios eles estavam indo tirar o visto dos EUA juntos? Tipo “a gente vai pra Miami e depois vc pode pegar suas caixas em casa”?
Quando vc acha que tá ficando louca, belive-me. Sempre existe alguém um pouquinho mais doido que vc.
Mulher: Eu disse pra ela que a gente ia dar um tempo
Homem: A gente? Vc que quer isso. Eu to bem em casa.
M: Eu? Na boa, a gente combinou, chegou a um consenso. Agora não vem me fazer de vilã da história.
H: Eu não estou te fazendo de vilã. Mas eu acho que vc tá sendo precipitada
M: Ahhhhh, agora eu to sendo precipitada???
H: Fala baixo. Tá todo mundo olhando
M: E qual é o problema? tem vergonha? Já não basta ficar seis horas aqui e não pode nem conversar? Olha, foi um acordo. Vc tbm achou melhor sair de casa e pensar em tudo que aconteceu.
H: Foi por causa daquele episódio?
M: Não. Quer dizer, vc chutou e eu fiz gol. Se fosse só aquilo, a gente podia superar juntos. Mas foi um monte de coisas e vc sabe.
H: é...
M: Por vc, continuaria lá em casa, nós dois infelizes. Homem é foda mesmo.
H: Não é isso. Mas acho que vc desiste fácil demais das coisas.
M: Tá. Melhor a gente parar por aqui.
senha apita 2465.
Agora eu me pergunto. Se ele vai sair de casa, que raios eles estavam indo tirar o visto dos EUA juntos? Tipo “a gente vai pra Miami e depois vc pode pegar suas caixas em casa”?
Quando vc acha que tá ficando louca, belive-me. Sempre existe alguém um pouquinho mais doido que vc.
terça-feira, 27 de janeiro de 2009
É... coisas de panda
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
Chuvas de rosas e grinalda
Quando a Deia me pediu para escrever um texto sobre o casal, de súbito, uma explosão de idéias e referências inundaram minha cabeça. Afinal, eu acompanho os dois desde o comecinho, quando ainda éramos adolescentes recém-saídas do colégio Santa Cruz, rumo a um carnaval no litoral norte. A Déia sempre foi a nossa princesa. Cheia de charme e espirituosa. A gente já sabia que, como Fernando Sabino definiu, “o amor é um susto esplêndido”. O que não sabíamos, é que a nossa princesinha ia encontrar o tal “cara da vida”, no lugar mais improvável- em Maresias- naquela data improvável: o carnaval. E assim foram 7 anos. Diversos sustos esplêndidos, todos capturados pela delicadeza. 7 anos acompanhados de afetos, arquitetura de planos e de entendimento mútuo. Duas estrelas cadentes que foram pousar em Santiago do Chile. 7 anos, 2 cidades e florzinhas azuis em vasos prateados. “O cara da vida”, ela achou. Ele faz com que ela se arrume no carro porque tem pressa: “ele é muito pontual, parece um londrino”, diz ela, “ ... mas faz café-da-manhã para só para eu poder dormir mais 5 minutinhos”. E não poupa nas mumunhas de sempre lembrar das datas especiais com pitadas de romantismo. 7 anos e “nunca mais de 5 minutos brigados”, diz ele. Mesmo com ela reclamando da bagunça da casa “ ... é que ela é uma lindinha, companheira para tudo”. Anos que, agora são selados com buquê jogado pra cima e gosto de quero mais, pois como disse o mestre Guimarães Rosa: “Amor é sede depois de se ter bem bebido”.
quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
Vai Natalinda!
"Bollywood Dream", "O Sonho Bollywoodiano" - Trailer with English subtitles from Beatriz Seigner on Vimeo.
Mega orgulho, né?
Nata... lagrimitas de añoranza.
Besote
lobby
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
As promessas do OBAMÃO

Ele dá conta?
* Reduzir as emissões de carbono dos EUA em até 80% até 2050 e ter um papel mais forte e positivo na negociação do tratado global que irá dar continuidade ao Protocolo de Quioto - SIM. Talvez em 60% mas já tá valendo.
* Retirar todas as tropas do Iraque dentro de 16 meses e não manter nenhuma base permanente no país -Ah ... mamão com açúcar, vai...
* Estabelecer uma meta clara para eliminar todo o armamento nuclear do planeta -hum. essa é meio megalomaníaca- acho que não rola.
* Fechar o presídio de Guantanamo - DEMORÔ
* Dobrar o apoio financeiro para reduzir pela metade a extrema pobreza até 2050 e contribuir para a luta contra o HIV/AIDS, a tuberculose e a malária - Com a situação preta que tá lá... acho dificil pensar nos problemas dos outros...
* Abrir um diálogo diplomático com países como o Irã e a Síria para buscar uma solução pacífica para tensões políticas - Se o Bill Clinton fazia porque não o OBAMÃO?
* Desmilitarizar o serviço norte-americano de inteligência para evitar o tipo de manipulação que gerou a guerra no Iraque -hum. Acho que não depende só dele, né? São anos de censura e manipulation...
* Lançar um grande esforço diplomático para cessar a matança em Darfur - GO OBAMA, GO!
* Somente negociar novos tratados comerciais que contenham proteções trabalhistas e ambientais para os países envolvidos -DUVIDO.
* Investir USD $ 150 bilhões nos próximos 10 anos em energias renováveis e colocar 1 milhão de carros elétricos nas ruas até 2015-Acho bem capaz. Eles têm todas as condições.
Obama, sweety, estamos com vc.
* Retirar todas as tropas do Iraque dentro de 16 meses e não manter nenhuma base permanente no país -Ah ... mamão com açúcar, vai...
* Estabelecer uma meta clara para eliminar todo o armamento nuclear do planeta -hum. essa é meio megalomaníaca- acho que não rola.
* Fechar o presídio de Guantanamo - DEMORÔ
* Dobrar o apoio financeiro para reduzir pela metade a extrema pobreza até 2050 e contribuir para a luta contra o HIV/AIDS, a tuberculose e a malária - Com a situação preta que tá lá... acho dificil pensar nos problemas dos outros...
* Abrir um diálogo diplomático com países como o Irã e a Síria para buscar uma solução pacífica para tensões políticas - Se o Bill Clinton fazia porque não o OBAMÃO?
* Desmilitarizar o serviço norte-americano de inteligência para evitar o tipo de manipulação que gerou a guerra no Iraque -hum. Acho que não depende só dele, né? São anos de censura e manipulation...
* Lançar um grande esforço diplomático para cessar a matança em Darfur - GO OBAMA, GO!
* Somente negociar novos tratados comerciais que contenham proteções trabalhistas e ambientais para os países envolvidos -DUVIDO.
* Investir USD $ 150 bilhões nos próximos 10 anos em energias renováveis e colocar 1 milhão de carros elétricos nas ruas até 2015-Acho bem capaz. Eles têm todas as condições.
Obama, sweety, estamos com vc.
sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
Querida Natalinda,
Não deu nem tempo de matar toda a saudade. Sua passagem foi muita rápida, digna de diva de cinema. Até o Bellotão e a Malu Mader me perguntaram porque vc não foi na pré-estréia do filmeTitãs. Eu até tentei explicar, Nata, que vc tinha compromisso que tava toda tolada de coisas, mas não teve jeito, eles ficaram frustrados. Vâ se manda um e-mailzinho depois, tá? Vc sabe como eles dão valor pra essas coisas. Aliás, quem falou de vc hoje pra mim foi o Zé Padilha. É Nata, entrevistei ele hoje. Tava toda medrosa, rezando por um colinho jornalístico que me acalmasse e dissesse que sim, eu sou uma mini repórter, mas que eu tenho capacidade de fazer perguntas interessantes. E ele é super inteligente né, Natalinda? Me contou, entre as mil e uma curiosidades que te conheceu na favela da Maré. Ele estava fazendo uma pesquisa pra um documentário e vc tava lá, também mini repórter, ralando pra conseguir fazer uma matéria pra Piauí. Quando eu contei que vc tinha ido pra índia, que tava só formosura ... ele se empolgou. Me pediu pra te avisar que ele tá indo pra Berlim divulgar um documentário sobre fome, e se vc não quer encontrar ele lá, pra bater um papo. VAI NATA! Vai que rola alguma coisa no Tropa de Elite 2 , e vc vem pra cá ficar pertinho da gente!! Achei ele o máximo, diferentão mesmo. Ele lê livros de matemática, é flamenguista e fala pausadamente - coisa de gente que pensa, sabe?
Queria que vc tivesse aqui ainda pra gente dançar um pouco mais com o Wilson das Neves. Vai dizer, foi bom, não foi?
Beijos com amor e saudade.
Mazi
Não deu nem tempo de matar toda a saudade. Sua passagem foi muita rápida, digna de diva de cinema. Até o Bellotão e a Malu Mader me perguntaram porque vc não foi na pré-estréia do filmeTitãs. Eu até tentei explicar, Nata, que vc tinha compromisso que tava toda tolada de coisas, mas não teve jeito, eles ficaram frustrados. Vâ se manda um e-mailzinho depois, tá? Vc sabe como eles dão valor pra essas coisas. Aliás, quem falou de vc hoje pra mim foi o Zé Padilha. É Nata, entrevistei ele hoje. Tava toda medrosa, rezando por um colinho jornalístico que me acalmasse e dissesse que sim, eu sou uma mini repórter, mas que eu tenho capacidade de fazer perguntas interessantes. E ele é super inteligente né, Natalinda? Me contou, entre as mil e uma curiosidades que te conheceu na favela da Maré. Ele estava fazendo uma pesquisa pra um documentário e vc tava lá, também mini repórter, ralando pra conseguir fazer uma matéria pra Piauí. Quando eu contei que vc tinha ido pra índia, que tava só formosura ... ele se empolgou. Me pediu pra te avisar que ele tá indo pra Berlim divulgar um documentário sobre fome, e se vc não quer encontrar ele lá, pra bater um papo. VAI NATA! Vai que rola alguma coisa no Tropa de Elite 2 , e vc vem pra cá ficar pertinho da gente!! Achei ele o máximo, diferentão mesmo. Ele lê livros de matemática, é flamenguista e fala pausadamente - coisa de gente que pensa, sabe?
Queria que vc tivesse aqui ainda pra gente dançar um pouco mais com o Wilson das Neves. Vai dizer, foi bom, não foi?
Beijos com amor e saudade.
Mazi
quarta-feira, 14 de janeiro de 2009
Cumple de uma "mini - pessoa"
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
Quando Xangô se apaixonou por Oxum, ela o recusou; então ele tentou violentá-la. Foi impedido por Exu, que os separou, dizendo que eles só poderiam se unir se ela o aceitasse livremente. Zangado, Xangô trancou Oxum numa torre muito alta, dizendo que só a soltaria quando ela o aceitasse. Oxum chorou muito; então Exu passou e perguntou o que acontecera. Sabendo da história, foi correndo levar seu pedido de socorro a Olorum. Este soprou em Oxum um pó que a transformou em pomba; assim, ela pôde voar e sair da torre pela janela.
sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
2009
Picinguaba tem gosto de goiaba colhida do pé. Casa sem muro. Mar verdinho. E bromélias coloridas.
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