sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Grande sertão

Viver é muito perigoso... Porque aprender a viver é que é o viver mesmo... Travessia perigosa, mas é a da vida. Sertão que se alteia e abaixa... O mais difícil não é um ser bom e proceder honesto, dificultoso mesmo, é um saber definido o que quer, e ter o poder de ir até o rabo da palavra.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Outras mumunhas mais... e aí acontece de novo. Sempre de vc. O mesmo olho e o mesmo jeitinho de pegar na mão. Me acalmando, sempre. Cacho de acácias. Pode o mundo estar o caos, pode vc estar infeliz, pode a guerra estar rolando solta na Geórgia... vc me acalma. Olha dentro do meu olho, me sopra doçuras e faz isso. Just smile. Saio eu, toda colorida, saltitante, cheia de certeza que ainda existem alumbramentos. Uma maneira toda especial de cobrir meus ombros e dizer sempre coisas lindas, verdadeiramente. Contando estrelinhas no céu. You´re mine. A parafina da vela derretendo e Caetano não pára de lembrar ... A tua presença mantém sempre teso o arco da promessa.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Rachelines

"Ti amuuuuuuuuuuuuuuuuu, cara”, ela vem toda fofoleta, pulando no colo e abrançando forte: “eu sou meio assim mesmo, Felícia, apeeeeeeeeeerto porque amo muito”, ela fala com uma vozinha única. A Rachelines é a Rach, essa loirinha encantadora, um girassolzinho. Não tem papas na língua e tem uma qualidade que eu admiro muito: a capacidade de criar intimidade. Eu adoro que ela fica amiga dos meus amigos, entra no clima, dança Michael, come churrasco, me mostra rockzinhos modernos e... topa dormir mais cedo na praia. Nossa “garotinha” que inventa expressões carinhosas, apelidinhos, não faz cara feia quando a gente pede um cigarrinho e se emociona com as coisas prosaicas. Amo isso. Ela não economiza afeto e não mente: sente de verdade. Quer coisa mais deliciosa do que uma pessoa que tem muito amor e não se poupa disso? Haja generosidade. A gente viaja juntas, combina encontrinhos em casa e sempre acabamos embriagadas de vinho e de risadas. Porque ela é doce, é companheira e sabe segurar a onda das amigas malucas. E quando pira, pira de verdade. Perde as estribeiras mas nunca a carinha iluminada de girassol. Nós duas segurando e balançando a bandeirinha da neurose. É o patrimônio da patota, toda colorida, toda charmosa, a “garotinha” querida dos pais. Os amigos homens agradecem, mas a gente não divide com qualquer um. Ah... porque girassol sabe muito bem virar para a luz!

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

And I say no, no, no

Não sou de ficar comentando notícia porque esses assuntos me cansam um nani. 10 vezes a mesma tecla. Mas tenho que falar aqui que eu estou horrorizada com a história da menininha chinesa que foi trocada pela mais bonitinha. uuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh para a China. Vaia grande mesmo. Gente, já pensou o trauma dessa menina? O que a mãe vai dizer para ela? Os anooooos de análise para reconstruir esse ego? O complexo, a idéia de beleza, reconhecer as próprias qualidades etc e tal. E a outra? Que vai achar que é uma celebridade pro resto da vida: eles construiram uma monstrinha e nem sabem disso. A tal da “bonita” vai achar que ela está no mundo pra isso mesmo: dublar e mostrar a carinha de princesa. Abaixo a perfeição da chinesinha!

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Querida Natalinda,
Entrevistei a Zlata Filipovic. Logo que eu cheguei a menina de olhos verdes e profundos deu uma risadinha simpática. Óbvio, boa européia que é, fui dar um abraço e ela me estendeu a mão. Foi lá na Cia das Letras mesmo e foi na minha frente que ela experimentou pela primeira vez, água de côco. Acho que ela não gostou muito, mas foi educada, claro -- disse que achou “interesting”. Falamos de violência, do país dela e da paz que parece tããããããão longe. Me contou que mora na Irlanda e que adora os irlandeses. Disse que tinha conhecido lá em Dublin uma jornalista brasileira linda, super fofa . “Ah... Zlata, é a Nataly”, eu falei, achando graça na coincidência. “ Yes, that´s her, we were supposed to do a trip together but she had to go back to Spain”. Aí contei todo seu drama, que vc estava trabalhando, que tinha um projeto secreto e tal. Ela entendeu, mas me disse que vc combinou de ir junto com ela para o Machu Picchu. Eu disse que quero me juntar a vcs, posso? Tímida e inteligente, ela falou do trabalho que faz na ONU, ah... falou dos absurdos de viver numa situação de guerra. A gente não tem idéia do que é isso, né? Faltar água e luz e ter perigo de bombardearam a sua casa a qualquer momento. Mas rapidamente ela recuperou o lado menina, quando a fotógrafa chegou. Interrompeu a entrevista porque queria passar rímel “ estou viajando há 13 horas”, se justificou ela, toda vaidosa, com um lenço lindo que eu queria roubar pra mim, ups! Ela estava animadíssima para ir pro Rio: “ Nataly told me that there is a nice house of samba there”. Eu disse que sim, mas que aqui em SP a gente tem coisas muito legais tbm. Depois fiquei sabendo que a Tamaza e a Migalinha levaram ela lá no Genésio. Boa escolha, com aquela caipirinha a europeiazinha deve ter ficado só no sapatinho. Ainda assim, ela tem uma tristezinha no olhar que eu não consegui traduzir. Coisa de história, sabe? Coisa que nem a gente, com a nossa super- senbilidade- tabajara, consegue capturar. Mas tá valendo, bora desvendar essa história e sacudir a tristeza?
Loby you.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Roland Barthes

"Devo continuar? Wilhelm, amigo de Werther, é o homem da Moral, ciência certa das condutas. Esta moral é de fato uma lógica: ou isto ou aquilo; se escolho (se marco) isto, então, de novo, isto ou aquilo: e assim por diante, até que, dessa cascata de alternativas, surja enfim um ato puro - puro de todo arrependimento, de todo tremor. Amas Carlota: ou tens alguma esperança, e então ages; ou não tens nenhuma, e então renuncias. Tal é o discurso do sujeito 'sadio': ou, ou. Mas o sujeito amoroso responde (é o que faz Werther): tento me esgueirar entre os dois membros da alternativa: quer dizer: não tenho nenhuma esperança, mas mesmo assim... Ou ainda: escolho obstinadamente não escolher; escolho a deriva: continuo"

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Mini-azeitona


Sobre as olimpíadas

A-do-ro. Essa neura me contagia completamente. Fico vidrada na televisão, ainda mais com essa história de ser na China ... são 24 horas de piruetas, braçadas chutes e pedaladas. Chegou da balada? Oba! assistir a ginástica olímpica. Acordou mais cedo no sábado? Oba! Bora ver a reprise -- porque that´s what olímpiadas is about: ver e rever 400 vezes o mesmo salto, os comentários, as câmeras lentas etc e tal. Agora, obviamente, panda que sou, não aguento ver os caras se estribuchando, me dá um apeeeeeeerto. O coração vira uma azeitona. Aprendi no jogo do Corinthians que essa coisa de aflição é bom. Então aqui vão algumas coisa que fugiram à minha compressão nesse primeiro final de semana de olimpíada:
1) A ginástica Olímpica.
Essa ginástica é da pesada. As meninotinhas brasilieras super fofoletas com aquele técnico que só aperta a mão delas e fala um frio :“valeu a tentativa”. Aiiii não, moço. Abraça elas, diz que elas foram bem, sabe? A outra pobrezinha quase arrancou um naco da mão, chorosinha - louca por um colo - e ele lá todo posudo. Humpf!
2) A chinesa fofoleta.
Gente, uma chinesinha que ganhou o levantamento de peso. Como a gente imagina uma levantadora de peso? No mínino, uma não-panda. Mas ele é uma pandinha total. De xucas no cabelo deu uns pulinhos e agarrou o técnico que nem uma macaquinha. Embrulha.
3)O Judô
Não entendo essa luta. Ué, derrobou, ganhou, não? nãaaaaao. Não basta derrubar a pessoa, tem que virar ela no chão. Torci pra uma argentininha guerreira super peque que acabou levando a medalha de bronze, toda descabelada a coitada, hermana é hermana né ?
4) O tal do Phelps
Outra coisa que eu não consigo entender: o tal do Phelps. O cara é um monstro. É todo dia a mesma coisa, ele chega lá sussegadão, i-pod na orelha ( o que escuta o maior nadador do mundo, minutos antes de se jogar na água?), e faz aquilo com a maior naturalidade do mundo. Ganha e quebra todos os recordes como quem toma uma coca cola num parque. Tenho certeza que ele passou os últimos 4 anos na água e não tem idéia do que se passa no mundo out-water. Não deve nem saber quem é Barack Obama.Ouvi dizer que a envergadura dele é maior do que a altura. Imagina ganhar um abraço do Phelps? dá pra dar duas voltas na minha cinturinha.

***

E então estou lá no sábado de manhã namaiorpreguiçadouniverso, assistindo sem parar: do futebol feminino pra natação, pra ginástica pro voley de praia e pensando : “ Marilia, vc deveria descer e correr um pouco na esteira, afinal, vc não quer ser uma couch potato”. Mas a preguiça me dominava e a câmera mega-ultra- surround- sound pegando os detalhes dos músculos dos atletas, as expressões mais caricaturais... me puxava para continuar no sofá. Até que, algumas meias-horas depois, me peguei assistinho basquete entre China e EUA. Eu estava literamente envolvida no jogo, vibrando e sofrendo, então pensei comigo mesma: “ Por dióoooos!Você não gosta de basquete e não tem nenhuma ligação forte com esses países, desce sua preguiçosa!”. Fui, corri e tal, mas minha cabeça não desligou do “dream time” nenhum minutinho, “será que eles estão ganhando? E o chinesão de 2 metros e cacetada? continua arrasando?” Foi nesse momento que eu percebi que eu não sou normal mesmo, ou que esse espírito olímpico é uma adicction total.
Ahhh mais lindo mesmo é ver a hora das entregas de medalha. Sorrisinho, sorrisão, abraço pra mãe e pro pai. Flores, pulinhos contentes, alívio e muito beijos. Os mais fortões, podem reparar, não se aguentam no podium e abrem a boca a chorar. Continuo achando que deveria ter medalha para a equipe mais alegre, afinal, humor não é um esporte dificílimo? Essa, a gente ganharia de longe, tocando pagode e comendo pastel. Ouro pra nós.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Querida Natalinda,
Pós-gastritesciumetícias, essa semana tive duas experiências incríveis. A primeira foi na segunda-feira. Eu já tava toda saltitante porque a Beth ( my piscológist) voltou de viagem e eu ia contar todos os dramas contemporâneos e tal. Mas eis que quase 7da noite, me chama a chefe na sala e fala com aquele jeitinho que só as chefes têm: “ Marilia, vc não quer ir assistir o Marcelo Gleiser falar na mpm?” Puuuuuuuuuuuuuuuuuts. Adeus terapia, adeus esteira, sauna, saladinha e cama. Tasca eu, no maior mega-mal-humor, ir na MPM, plena segundona ver um físico falar para publicitários. Mas, inesperadamente, foi incríiiiivel! Para ser sincera, já tinha visto uma palestra dele, quando eu tinhas uns 15 anos, no Santa Cruz. Na época, tinha pavor de física mas adorei. Te digo que segunda, ele fez exatamente a mesma palestra. E foi igualmente interessante. Não tem como não ser. O cara fala de galáxias, de estrelas, de viajar para o futuro, para o passado na velocidade da luz, origem da vida, dos sentimentos. Ah... não tem quem não se sinta completamente hipnotizada. Além do que, ele é lindo e charmoso. Eu aproveitei que tava com o carro do jornal e tomei um prossequinho, fiquei lá, nesse mundo gothan-project-ambiente-bom gosto que é o mundo do “advertisement”. No fim, fui trocar umas palavras com o bonitão. Ele me disse: “manda um beijo pra Nataly. Diz pra ela que estou pesquisando sobre aquele mistério que falamos da última vez e que sim, é possivel viajar para outras galáxias”. Recado dado!A segunda coisa linda foi ontem lá no Sesc Pompéia. Uma aula-show do Wisnik, Paula Morelenbaum e Arthur Nestrovski. Sobre quem, quem? O poetinhaaaa! Sim, ele. Bom, nem preciso te dizer que me debulhei em lágrimas. Já na primeira música a Marilinha aqui ficou toda emotiva e chorosa. O que se seguiu foi um show lindo, intimista e com muito humor. O Wisnikão arrasou. No final fui dar uma bitoca nele e ele não me deixou esquecer: “ Fiquei sabendo que a Nataly não é mais loira, é verdade?” “Pois é Zé Miguel, ela tá au naturel”, respondi, eu. Ele sorriu um sorriso cúmplice, me deu um abraço e nós três: Eu, Jxulis e Re fomos parar na mercearia.
Ainda bem que a vida tem dessas coisa, né Nataloka?
Saudades
Beijos da Mazi

terça-feira, 5 de agosto de 2008

A resposta da Natalinda amada, celosa!

Marilinhaaaa!
Só vc mesmo pra me salvar del agujero negro de celos en el que me metí.
Que bom que vc me entende, que entende essa força obscura que sobe em espiral "gastritando-nos", até vazar pelos olhos em forma de vergonha. E quem inventou esse sentimentozinho pequeno, hein? Por que diabos a gente sente isso? Mas com todos os seus exemplos ilustres, me sinto mais amparada pela humanidade, porque é o que vc disse, quando ele vem, a gente se sente só no mundo. Mas Mazola, faltou la reina de los celos: Medéia. Essa chegou ao extremo. Cega de ciúmes porque o Jasão a trocou pela filha do Rei de Corinto, vinte anos mais jovem, (o don juan ainda ganhou um reino na faixa) matou a rival e os próprios filhos pra vingar-se. Eu furaria os quatro pneus do velocino de ouro, último modelo do Jasao, mas nada justifica matar os próprios filhos. O ciúmes na Antiguidade pegava pesado, hein?! E que bom que estamos na época dos "Dramas."
Mas eu analiso sim o meu ciúmes Mazola, e ele ataca em várias frentes. Por exemplo:

*O ciúme prolixo.
*O ciúme novidadeiro.
*O ciúme Eva, ou Pandora.
*O ciúme socialista-utópico ou o ciúmes A Namorada.
*O ciúme geográfico.

O Prolixo.
Modalidade de ciúme que se manifesta com o namorado econômico. Com aquele que mede com colherinha de chá as palavras, os elogios, a demonstraçoes de afeto, as opiniões, tudo. E eis que de repente, magicamente, é tomado pelo espírito Fidel. Fala muito, durante horas. O comandante está aberto, sensorial (toca as pessoas, é mole?). Aí é quando a flecha preta do Caetano se me clava en la garganta. "- E por quê comigo não? - Por quê nao pergunta pra mim? Por quê está assim com eles e comigo não? E olha que eu sou a namorada hein?!". Esse é o momento da surpresa, do susto. Logo a flecha preta começa a derreter seu veneno e fico agressiva. E Irônica. E sarcástica. Me meto na conversa, dou respostas mal-educadas, ou polêmicas, deixo-o sem graça. E depois, no minuto seguinte, quando ele volta a ficar mudo, me arrependo. É horrível.
O ciúme novidadeiro
Me mordo de ciúmes quando vejo que alguém (hembra), novo na áera, lhe desperta o interesse. O sorriso aberto, as expressões que cantam, a postura "pronta pro novo", como se se preparasse pra uma viagem, os olhos que piscam repetidamente, maravilhados pelo que vêem pela primeira vez. E, eu, automaticamente represento a mesmice, o dia-a-dia e fico desinteressante. E olha que sei que nao sou desinteressante, mas tbm sei que por muito avant-garde que seja, sua alma novidadeira já nao se interessa por mim. Muito frustrante.
O ciúme Eva, ou Pandora.
O ciúme Eva, me denuncia, é o pior. É coisa de louco mesmo, Marília. O ciúme Eva, ou Pandora, consiste em nao aceitar porquê a vida foi tao injusta, e não nos apresentou (eu e o amado) antes. O ciúme Eva ou Pandora não suporta, a simples lembrança, menção, presente, fotografia velha, ou qualquer coisa que possa ser usada como documento histórico e comprove que antes de mim, houve um outro amor. Ainda que esse tenha sido quando o querido ainda nao tinha os dentes caninos e nem pêlos debaixo das axilas. Nao me interessa. Eu gostaria de ser a primeira mulher, a única, a verdadeira. Faço tábula rasa das outras namoradas. A vida se divide em A.N e D. N. E agora, sou louca o quê?
O ciúmes socialista-utópico ou o ciúmes A Namorada
"Todos los animales son iguales, pero algunos son más iguales que otros." Os namorados que nao leram até o final o livro do George Orwell, nao sabem que vc não é igual a todos os animais da granja. Os namorados socialista-utópicos gostam de dar o mesmo tratamento, à namoradas, amigos recién hechos, porteiros e familiares. Minha alminha totalitária mandaria todos para o paredão de fuzilamento. Àquele que nao sabe reservar uma cadeira, estrategicamente melhor posicionada em uma mesa pra sua amada, ou poupá-la de esforços como carregar uma simples sacola de supermercado, nao merece o privilégio da nossa companhia. Porque nao sabem valorizá-la. Nao sabem o difícil que é encontrar alguém tao sublime e perfeito como nós. Não sabem discriminar A Namorada, em meio a massa infame. Somos diferentes, somos especiais, somos A Namorada.
O ciúmes Geográfico.
Esse é o mais injusto. Porque transforma a mais paradisíaca das cidades no retrato de um filme da 2a Guerra. Não importa como seja, quantas estrelas tenha no guia Michelin, vc nunca irá pra lá, e sempre vai falar mal do lugar mesmo sem conhecê-lo. Bagur, na Costa Brava, por exemplo, a pérola do mediterráneo, que alguma vez funcionou como cenário da descoberta de um amor, é agora um lugar detestável. Uma prainha sem-vergonha, sem onda, cheia de pedra, aquela chatice toda que é o mediterâneo, sempre igual. É uma vila atrasada, que só tem vida no verão. E vida artificial, simulacro de Caribe com seu mojitos ridículos pra enganar gringo.

Tá vendo Marilinha, sou uma ciumenta analítica, e agora me dá licença que vou buscar minhas pastilhas "acalma suco gástrico", que lembrar todos esses ciúmes, que deixou transtornada. Tengo celos del aire que respiras. ¿Qué puedo hacer yo? Alguma idéia?

LOBBY YOU
Nataly

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Sobre o ciúme

Querida amiga ciumenta,
"Tengo celos del aire que respiras..." é o que diz a música do grupo corpo. Aqueles dois bailarinos se entrelaçando, ela dependurada no pescoço dele e no fundo a música latente, gritando uma angústia absolutamente incontrolável. Lembra aquilo que o Roland Barthes falou no "Fragmentos de um Discurso Amoroso"? “Como ciumento, sofro quatro vezes: porque sou ciumento, porque me reprovo em sê-lo, porque temo que o meu ciúme magoe o outro e porque me deixo dominar por uma banalidade. Sofro por ser excluído, por ser agressivo, por ser louco e por ser comum” Isso pra mim resume tudo. É horrível, para quem sente principalmente. Agora, acho que não é uma coisa sussa, que a gente controla e tal. Quando vem, é força que corrói, imaginação que voa, medo que brota lá no fundo da alma. Sei bem como é essa sensação, vc não se reconhece, pensa assim: "quem é essa mulher maluca?"... e o pior : quando esse sentimento HORROROSO toma conta da gente... estamos só no mundo. Não tem com quem dividir, porque dá vergonha, é feio... mas não tem como reprimir. Se a gente reprime rola aquele lance de retorno do recalcado. Vem, em momentos piores com muito mais força. Caetano já diria: "O ciúme lançou sua flecha preta e se viu ferido justo na garganta". Ok então, se tem que lidar com isso, lidemos. Só precisa tomar cuidado para que o ciúme não seja parte da nossa velha e conhecida "autosabotation". Ser feliz é uma escolha e já diria o poetinha que " o ciúme é o perfume do amor". A gente sabe que ciúme de verdade não tem nada de perfumado. A coitada da Carmen não foi assassinada porque o sarjentão não se aguentou? E aquele filme: "Te doy mis ojos"? O cara quer a alma da mulher. E ela gosta dele, mas não adianta. É força que brota de dentro. Nem o nosso amado Francisco ficou de fora e traduziu direitinho o ciúme feminino: "Quis morrer de ciúme, quase enlouqueci". A gente enlouquece, é verdade. Só não percebemos que essa é uma guerra contra a gente mesma. A gente sofre e leva o outro junto com a gente pro buraco. Não é motivo de vergonha, é humano, oras. Mas tem que cuidar do seu ciúme, como se fosse uma doença. Prestar atenção nos momentos que ele vem, reparar se é sério ou não, repensar as razões dos vôos levantados e ... ás vezes, abrir mão desse sentimento. Como? Não sei. Mas tem que achar a sua maneira de abrir mão do ciúme, necessariamente escolhendo ser feliz. E vai dividir com seu homem, conversar com ele o porquê de disso. Será que ele não te dá segurança? Será que as coisas não estão delimitadas? Afinal, se vcs estão juntos e vc se muere de celos, a culpa não é só sua, é um sintoma da relação. E pra fechar, ninguém melhor do que o rei Roberto que fala TUDINHO dessa maluquice: "Meu ciúme, desconfia de você/Me machuca quase sempre/O coração/Quer saber aonde é que/Você vai/Quer saber da sua vida/Toda vez que você sai é sempre assim/Imagino alguém querendo".

quarta-feira, 30 de julho de 2008

De tudo, muito

Quando a gente era pequena, a minha mãe ia te servir o prato e perguntou: "O que vc quer, Júlia?" E você respondeu: "De tudo, muito".
Ah... não dá. Não dá pra esquecer, não dá nem pra guardar num baú escondido. Porque é muito. “ De tudo, muito”, palavras suas, minha irmã. Muito amor, muito afeto, muita intensidade de sentimento. Nós duas cantando Chico Buarque na Faria Lima, chorando em brigas homééééricas, comendo bolo de rolo no sofá da sua casa. Abraços fortes de quebrar a costela. Uma blusinha emprestada, um vestido emprestado, calça, saia, (menos sapato!!), cinto, bolsa. Dois corações emprestados. Confissões arrancadas à forcéps, de ambas. Escondendo e escancarando- contraditórias, nós. Porque é “de tudo, muito”. Vc me carregando no colo, feito um urso coala. Nós duas fazendo o exercício do espelho no teatro e nos debulhando em lágrimas. 800 vezes noviça rebelde. Seu pai tocando a música que, ele fez pra você no piano, logo de manhã. Você me consolando via e-mail na Espanha. É “muito”, Ju. Muitas ondinhas rechadas de desejos de renovação em reveillóns regados de bobagens deliciosas. Bo-bo-le-ti-nha, tá na cozinha FAZENDO CHOCOLATE PARA MADRINHA. Pequenas mágoas, sempre jogadas num canto qualquer na alma, debaixo das nossas risadas genuínas. “ De tudo muito”. Cinemas no Iguatemi. Perdões: pedidos e recebidos com dificuldade. Defeitos jogados na cara, e aceitação de amor. Mas sempre, sempre, aquilo que é inquestionável: somos irmãs. Não é só pela história, não. Mas pela fidelidade convicta, ciúme que escapa nas alfinetadas. Pela saudade que, de tempos em tempos, apunhala o coração . “Muito”, sempre. Acendendo velas na Barra do Una, com o Henrique pequenininho, enterrando coisas e fazendo pactos de amizade no sítio, no melhor estilo “Agora e Sempre” que vimos 900 vezes. Os primeiros amores, eu certinha - você perdida. Mais amores, vc certinha - eu perdida. Andando juntas. Mirando os caminhos moldados aos seus pés, mesmo que de longe. Longe, como naquele filme, “ A história sem fim” que a gente viu, 400 vezes, juntas. “ De tudo muito”. Festinhas e festonas. Juninas, na sua Vila, de música no Gracinha, da união em tempos de colegial. Nossos pais juntos, indo buscar a gente de pijama na praia da Baleia. É porque é “de tudo muito”, que eu não posso viver sem a minha irmã. Porque eu amo ver você cantando Roberto Carlos toda espontânea. Porque eu adoro quando a gente toma vinho e conversa sobre as banalidades mais intimamente ridículas. Porque eu amo nossos cafezinhos na Cristallo e o jeito incoerente e forte que é esse laço que une a gente. Amo que eu sou pequena e você é grande. Adoro que a gente não economiza nos sentimentos, nem nas delicadezas: você chegando no meu aniversário de 14 anos com um ursinho e um balão desses que eram carérrimos. É de “tudo muito”. E sempre vai ser. Como dois e dois são cinco, a gente tá ligada por uma via que não é racional, assim sinto eu, pelo menos. É por isso e por muito mais que eu só desejo o que vc merece no seu aniversário: saúde, amor e sucesso. O mundo é “muito” é “tudo” e é seu. beijos da irmã que te ama.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Top 10 de coisas irritantes

1- Bolinhas de ar no esmalte
2- Cd riscado na música preferida
3- Telefone que toca quando vc está com a bolsa na mão para sair do trabalho
4- Ficar sem água em casa
5- Esquentar a comida no microondas e perceber depois da primeira garfada que ainda está fria
6- Perder um brinco
7- Fome
8- Frio
9- Sono
10- Não se agüentar e dar uma de mulherzinha

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Carinho não é ruim

A Cia das Letras vai relançar toda a obra do Vinícius de Moraes. Como tbm já to nesse clima Bossa -Nova fifty years, não ia dar pra não fazer uma homenagem para o poetinha, né ?
É... porque nós, incoerentes que somos, amamos e odiamos ele. A gente ama, porque ninguém tem taaaanto mel nas palavras. Sensibilidade até o último fio de cabelo. E odeia, porque além de ser o autor da famosa frase absurda: “as feias que me desculpem, mas o mundo é das bonitas”, ele amava de verdade só aquele copinho de whisky.
Todo mundo já namorou o Vinícius né? O “monstro da delizadeza”, nénão, Nata?
A minha história com ele começou na adolescência, com o livro de sonetos. Decorei três: do amor total, de fidelidade e da separação. É impressionante como cada coisa tem seu tempo. Amor-total era lindo. Recitava o poema na ponta da língua: “amo-te tanto meu amor, não cante o humano coração com mais verdade”. O da fidelidade, é típico de quando a gente se apaixona pela primeira vez: “ Que não seja imortal, posto que é chama/ Mas que seja infinito enquanto dure” -- básico. Virou frase nas orelhas dos cadernos de escola. Aí vem a perda e aquela coisa melodramática de quando vc tem 15 anos: “De repente, não mais que de repente”. E o pior, culpa do Vinícius, é que a gente acredita nessa história de não-mais-que-de-repente. Mó-balela, nada é de repente. Mas enfim... Passado os sonetos, ganhei do Fe, meu irmão-amado, a antologia poética e vou elegendo até hoje, meu “Vinícius" do momento. Teve a fase do “para viver um grande amor” -- bem carioca mesmo. Com direito a molejinho, cervejinha, misturinhas e afins: "... é preciso muita concentração e muito siso, muita seriedade e pouco riso — para viver um grande amor” -- Ah poetinha, me engana que eu gosto. Sério? Não. Essa não era a graça dele. Acho que o que pega é quando a gente lê “Para uma menina com uma flor” e ele faz uma descrição liiiiiinda da namo, esperando as malas na esteira do aeroporto. Convenhamos: um homem, que acha a namorada sexy, na fila da mala do aeroporto é, no mínimo, apaixonante. Depois a descoberta das músicas. Ele, yalorixá de xangô na Bahia. Se apaixonou pela décima vez, largou tudo e foi embora atrás da Yansã morenona. Ou a canção que fez para a primeira filha: “menininha do meu coração, eu só quero você a três palmos do chão”. Junto com Toquinho rodando o globo cantando “Na tonga da mironga do kabuletê”. Fazendo todo mundo se questionar o que raios era essa reza esquisita.
Mas nos últimos anos continuo com o mesmo Vinícius na cabeça. O panda. Sim, o poetinha tbm tem uma faceta panda. É o meu preferido: “Mensagem à poesia” ele diz, com açúcar nas pontas dos dedos: “digam-lhe que me foi dada/A terrível participação, e que possivelmente/Deverei enganar, fingir, falar com palavras alheias/Porque sei que há, longínqua, a claridade de uma aurora”. Não é só namoro não, é história de amor, mesmo.
Canta pra subir, “saravá” pra todos nós.

terça-feira, 22 de julho de 2008

Vem ouvir esse segredo aqui, vem.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Sobre o choro-canção

Foi um dia lá na Puc mesmo, no Xingu, que a conversa surgiu. A gente sentou no bar, e uma das meninas tava meio borocochô, contando que tinha chorado o dia todo. Então a Letícia perguntou: “Vocês já choraram no trabalho? ”, Nossa! Foi uma confissão geral. Cada uma com uma história mais absurda e dramática. A Nilds por exemplo, me contou que tem épocas em que ela dá uma choradinha diária mesmo -- tipo um cigarrinho -- ela sai da sala, chora um nani, e fica pronta pra próxima. Já minha amiga-linda-overseas, chorava no computador. Na frente de todo mundo, lendo os e-mails e se lamuriando das angústias. Eu, particularmente, acho que nunca chorei no trabalho. Vá lá -- talvez tenha deixado escapar unas lagrimitas de desabafo. Mas nada drama queen. Não é porque eu não choro, não. É que meu lugar preferido é o carro. Aicomoébomchorarnocarro!!! Saiu da terapia, coloca Chicão no som e manda bala: “ quando olhaste bem nos olhos meus e o teu olhar era de adeus”... ah... lá vem a cachoeira de lágrimas. Aí o fulano do carro do lado olha pra vc e se sensibiliza, com aquele olhar: “ não aguento ver uma mulher chorando”, dá uma satisfaçãozinha!! Chorar no banho é gostoso tbm. Acende uma velinha, chora aquele choro contido do dia inteiro e depois relaxa com essências de flores. Porque tem choro que é pra ser dividido: aluga as amiga, chora as pitangas e pronto. Mas tem choro que é coisa íntima, é tu com tu mesmo e fim de papo.

***
E não é que estamos final de semana passado, eu a Naná, assistindo uma comédia romântica bem boboca, levinha, só pra distrair. De repente... eu não aguentei, saiu. Foi um chorinho manso, sem pensamentos embutidos, e meu deu uma vergonhinha: “Marilia, onde já se viu? Chorar em comédia romântica?”pensei, eu. Dali uns segundos comecei a ouvir um snif snif. Era a Nanas, na outra ponta do sofá, toda debulhadinha em lágrimas. Esses choros de comédia românticas são muiiiiito bons . São do tipo de choro que vem seguido do riso -- um dos melhores. É... porque tem aquele choro que é mais tímido , o que escapa no telefone, os soluços de tirar o ar. Tem os mais punks : choro de ciúme que corrói : tão dolorido que quase não sai. E o choro de saudade -- esse é difícil porque é todo misturado: raiva com vontade de ficar perto. E tem o choro de samba né? O marido da minha irmã, que é francês, não entende por exemplo, como a gente pode cantar uma música triste se saculejando toda. Eu expliquei: é que o sambinha embala a melancolia, embala o consolo: tem o maestro Tom “Chora flauta, chora pinho /Choro eu o teu cantor /Chora manso, bem baixinho/Nesse choro falando de amor". A Clara Nunes: “molhei o pano da cuíca com as minhas lágrimas”. E o clásssssssico do Aragão: “ Pode chorar, pode chorar, mas choooooooooooooooooora”. A-do-ro. Porque a gente é incoerente assim : riso e choro, tudo na mesma sopa. E será que essa não é mesmo, a graça de todas coisas?

terça-feira, 15 de julho de 2008

Re Racy

Ela faz aniversário hoje. A gente se conheceu falando versos de shakespeare. E RACHANDO de rir. Porque não tem não rir com ela. Eu lembro bem, a cena era para ser dramática: A Renata interpretando o próprio shakespeare deveria dizer, fruto de uma crise de inspiração, “a minha pena quebrou”. Essa era a fala, mas vc acha? Não saía de jeito nenhum... começava a cena e as garagalhadas já rolavam soltas. Daí nasceu essa história de amor. As vezes longe fisicamente, mas sempre perto, on the left side of the heart. Linda. Olhinhos de lince. E panda. Ah... ela é panda sim. Se alguém chora, ela chora junto. Foram muitos segredos trocados nas cochias. Muitos cigarros-desabafitos na laje da produtora que depois, por um presente da vida, a gente se reencontrou. E balada no natal - Nós duas, dancing on the moon na noite sagrada no namata café. Só com ela. E almoço que dura 4 horas rindo tanto que a barriga até dói - só com ela. Tardes cheias meninices. Engraçada, espirituosa e debochadinha -- mas ai de quem fizer qualquer sopro de maldade com as amigas dela. Ela me protege, sempre. Ela “joga junto”, como se diz no teatro. É uma moreninha cheia de Sweet Words guardadas. Sempre com um risinho que quebra o pó das tristezinhas alheias que as vezes, a gente tem.

Mais um que vai embora

Não sei dizer o momento exato. Talvez tenha sido alguns minutos depois no nosso esquisito encontro marcado no metrô Barceloneta. Dois desconhecidos. Vc com uma camista do Brasil e uma pedrinha pendurada no pescoço. Ou talvez, quando um hiponga naquela mesma praia – esquisita também – ofereceu que vc me desse de presente uma tatuagem de hena. Vc disse que eu era sua irmã, e depois, meio sem graça me ofereceu a tatuagem. A gente mal se conhecia. Eu não aceitei, obviamente, a situação era muito esquisita. A lo mejor tenha sido quando estávamos nós quatro dentro de um barquinho/pedalinho no parque de la ciutadela, tão pouco íntimos e já dividindo emoções baratas. O Nilton chorando o fim de um namoro, reticente. “Namoramos 6 meses, mas dormi na casa dela todos os dias” se justificava, ele. Mas pensando melhor, acho que foi quando ouvi vcs contarem tão genuinamente a história da noite em que vcs quase morreram de frio numa cabine telefonica em Paris. Eu ri sem parar. A gente ri um com o outro, Otávio. Pode ter sido também quando vc, timidamente, tentou me convencer a “alterar as minhas percepções” e eu não quis. “Vc é muito certinha, Peque”, me disse vc sob um sol escaldante em Ocata. Não sei dizer. Muitos vinhos rosés. Um jogo da verdade na terraza do apartamento e vcs dois brigando sem parar.
As duas peques. Os meninos do Santa.
Eu penso, mas ainda não consegui definir o momento. Talvez já aqui no Brasil, de volta à realidade, nós naquela casa na Praia do Rosa. Todos desconhecidos. Vc me pedindo pra testar seu walk talk, uma invasão de “ bichos” voadores. O Celinho cozinhando a ceia de ano novo enquanto a Kiru e a Nataly preparavam a decoração com velas e flores. Cangas amarradas, trilhas nas praias e Seu Jorge cantando "Tive Razão". Tudo muito esquisito. Não sei dizer. Acho que foi o aviso de uma amizade que ia nascer. E ser sempre assim, meio esquisita. Veja bem: não menos especial, mas esquisita. Uma amizade fiel. Vc sempre nos meus aniversários. Eu sempre tentando te convencer a falar seus segredos e vc nunca falando, seu ostrinha. Depois vieram os jogos do clube. As meninas ali sentadas, meio sem entender nada, os ciúmes das namoradas, as viagens para Iporanga. Um pouco esquisito, enfim. Uma cervejinha, o Rodrigo agregando todos com o maior carinho e a maior verdade. A gente se cutucando: eu dizendo que você é muito racional e você puxando a minha orelha por me “envolver demais”. Existem as memórias lindas e aqui tá a prova disso. Dessa nossa amizade esquisita que permanece até hoje, aos trancos e barrancos, intacta. Pra vc, meu beijo mais sincero e minha saudade antecipada.
Da pequetita.

Ele merece - by maga mestra Clarice

Um Homem
Sua inteligência absolutamente fora do comum de tão grande, a princípio me deixou embaraçada. Tive que me habituar ao jargão da grande inteligência. É normalmente sério, mas tem um sorriso--- não, não vou dizer que o sorriso ilumina o rosto todo. Mas, enfim, é a verdade. Ele não tem medo do lugar-comum, o tal não-engajamento o leva à atmosfera de sua inteligência. Esta muitas vezes usa sofismas, que são a astúcia de quem pode. Entendo-o não com a cabeça, que não alcançaria a sua, mas com a minha pessoa inteira. Aliás ele é uma pessoa inteira. Seus olhos muito negros não se desviam: ele não tem medo de olhar os homens no profundo dos olhos. Dá vontade de sorrir com ele. Se eu soubesse. Voltando ao homem: quando ele diz até amanhã, sabe-se que o amanhã vira. Ele tem um ligeiro mau gosto na escolha dos objetos de adorno que compra. Isso me dá ternura. Ele é inconsciente que eu o vejo tanto, não tantas vezes, mas tanto.

domingo, 13 de julho de 2008

saudade do jeito libriano.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Sandroca

Ela é minha companheira de mio. Explico: é difícil achar, hoje em dia, manhosas de verdade. Digo, genuinamente manhosas, não do tipo "falseta", que fazem manha só para conseguir qualquer bobagem. É manha inerente, que tá no sangue. A Sandroca é manhosa como eu. Quando a gente se encontra é tanto mel derramado, que as pessoas perto não agüentam. Uma miação só. Ela é toda pequenininha mas é arretada! Iansã danada, não tem quem coloque essa aí na linha. Mas a Sandroca engana, viu. Bebe? sim. Chora? horrores. Ama? sem um pingo de medo. Mas sabadão de manhã, ela tá lá na aula, inteira. É responsável, profissional, dona do próprio nariz. E não deve nada pra ninguém. Estufa o peito de coragem e vai. Euzinha não me atrevo a brigar com ela, porque quando baixa a raiva nessa maluquete... sai de baixo. Mas é doce, carinhosa e toda feminina. Foi a Sandroca que me ensinou o que são as verdadeiras "músicas de amor". Ela me puxa a orelha pra não cair nas armadilhas mais óbvias dos cafajestes. É... porque essa aí, esbanja charme. Chega toda agitadinha, pernocas de fora, explodindo auto-confiança. Ela tem tatuada no pulso uma flor linda, coisa de mulher decidida, forte. A gente troca doçuras, ela me passa notinhas e me dá abraços apertados. Eu faço carinho no cabelo dela quando ela chora e escuto as mazelas de menina aventureira e intensa. Temos fases mais distantes, é verdade, mas a razão é nobre: tanto mel junto, nem nós mesmas damos conta.

terça-feira, 8 de julho de 2008

As doçuras dele

Querida Natalinda,
Quando fiquei sabendo que o Cees Noteboom vinha pra Flip, quase tive um colapso. Lembra de como eu amei o livro dele? Tá sempre na minha cabeça.Quando me dá uma saudadezinha da Espanha, a primeira coisa que eu faço é pegar o livro e dar uma olhadela. Bueno. Estamos lá em Paraty, depois de noitadas e muitas “maria Isabel”, com a entrevista dele marcada pro domingo, último dia. Nata, me deu um pânico. “ E se ele me achar uma tonta? Inexperiente? Burra? ”. A gente é fogo né? Sempre precisa de um colo jornalístico. Mas aconteceu uma coisa que foi recorrente nessa edição da FLIP. Uma coisa meio mágica. Eu chamo isso de “sentimento -nena”. Explico. Quando eu e a Nanas estávamos aí, os catalães grossos, apressados e neuróticos, ficavam tomados por um grande sentimento de ternura quando viam duas meninotas viajantes, sabe? Luego venían a decir: “Buenos días, nenas” “Como puedo ayudarte, nena?” “Hola Nenitas!”. Isso contou super a favor na nossa viagem. Voltando a Paraty, dei sorte de a fotógrafa que foi com a gente ser uma “nena” tbm. 1,50 de altura, fofa e coisa e tal. Então andava eu e ela pra baixo e pra cima e as pessoas acabavam por se sensibilizar com a gente. O mesmo aconteceu com o Cees. Na hora em que ele me viu, toda meio-nena, desarmei o vovô. E a conversa correu maravilhosamente bem. Logicamente ele me perguntou de vc. Disse que pensou “On that beatiful and brave girl” quando escreveu Paraíso Perdido. Aí quando eu contei que vc estava morando da Espanha... ele sorriu um tipo de sorriso que só os escritores sensíveis têm. E me disse que vai para a casa onde ele escreve “ numa ilha perdida na Espanha”. Ele convidou nós duas: “Fale com a Nataly e apareçam lá em outubro para comer e beber conosco”. Depois conversamos durante meia hora. Ele me contou das viagens, das histórias engraçadas, dos casamentos. Você acredita Nata, que quando ele era jovencito, se apaixonou por uma menina do Suriname e passou meses trabalhando de marinheiro em um navio só para conquistar o sogrão e pedir a mão dela em casamento? Dessa história nasceu o segundo livro dele que chama: “Prisioneiro apaixonado”. Olha que buuuuniiii!!! No fim, me disse: “é uma pena que tenhamos que terminar a entrevista”. No autógrafo do meu livro, desenhou uma florzinha - coisa de nena. E disse para a Joana, da Cia das Letras: “Nossa, ela é tão novinha e já é tão importante”. Ah... se ele soubesse...
:)
Saudas.
Amote querida
Besote.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

As doçuras dela

Querida Natalinda,
Entrevistei a Maga-mestra portuguesaaaaa!!!!!!!
Nata, ela é demais. Por mil e um motivos.
Em primeiro lugar: ela é peque que nem a gente. Miudinha. Engraçada e delicada. Mas não é nada afetadinha - tipo ex-nerd- ela é gente do bem, mesmo.
Foi lá na Pousada da Marquesa. Ela estava com uma blusa de florzinhas azuis, combinando com seus olhinhos pequenos. Eu um pouco com medo dela ser estranha demais, excêntrica, ou simplesmente muito chata. De cara, perguntou a assessora se eu era a “Rapariga que tem a avó potuguesa”; eu ri tímida e disse: “Não, Inês. Essa é a Nataly, mas ela me mandou algumas perguntas por e-mail porque está lá na península Ibérica”. Ela me olhou então, com candura. Ah... acho que é coisa de raíz. Foi um papo gostoso. Não me deu nenhuma resposta óbvia. Ela não é nada óbvia, Nata. O que só me fez ficar mais encantada ainda pela baixinha portuguesa. Falamos sobre ser jornalista e escritora, sobre o processo de pesquisa dela e sobre religião. Ela adora o Brasil e acha a gente demais. Adorei. Porque eu tbm acho.
Quando perguntei se o amor era um “susto esplêndido”, como diria Clarice, ela olhou pra baixo, sorriu pro chão e concordou: “nem sempre susto é uma coisa boa, né? pode ser apavorante, ás vezes”. Suave, me acalmou com relação aos trângulos amorosos: “a vida é cíclica e muitas vezes esses trângulos são interessantes”. Ufa! Sou normal, pensei eu.
Antes de terminar a entrevista te mandou um recado: “Diga a rapariga Nataly para passar a me visitar em Lisboa. Vou me contentar muitíssimo”.
Por mim, ficava a tarde inteira lá. Mas ela tinha compromissos. Acendou um cigarro, pegou a bolsa e foi embora. Buni. Peque. Sem aquele ar -deprê- Virgínia Woolf.
Pra vc ver Natallinda... as vezes as expectativas são superadas!
:)
Beijos com amor.
Mazi

terça-feira, 1 de julho de 2008

Pré Paraty

Querida natalinda,
Estou de malas (quase) prontas para ir pra Flip. Entusiasmada com o desafio e ao mesmo tempo, um pouco melancólica de não poder dividir isso com vc. Com a Natalouca longe, Paraty não vai ter nem 1/5 da graça. Foram dois anos de muita risada, lembra?
A gente correndo no metrô, quase perdendo aquele ônibus. Depois cantando juntas Caê de SP até Paraty. Non stop.
A Pousada Bananeiras com aquela senhorinha doida de tudo.
Nós duas zonzas de sono enquanto a Paula -- na maior ressaca do mundo -- se recompunha em minutos.
Nós e as nossas “mini auto-sabotations” em busca de qualquer coisinha que houvesse significados.
Falando dos chapéus das “peruas intelectuais”, bailando com o Ishamel Beah ou com soninho na palestra do nobel Coetzee.
Correndo atrás de uns, correndo de outros.
Falando horas sobre as cadenas, discutindo as pessoas “livres”, o povo da ECA que relativiza tudo...
Não vai ter graça, Nata. Definitivamente.
Mas tudo bem, vc vai estar lá, me soprando ternurinhas da armadilha terrestres, né? Seguro que sí, cariño.
Beijo recheado de saudade.
mazi

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Coisas que mulheres detestam ouvir

*O que você fez no cabelo?
*Dá para falar mais baixo?
*Essa saia é muito curta
*Prefiro esmalte branco
*Agora não dá pra falar
*Nossa! Pra quê tanto nervosismo?
*O telefone chamado está desligado ou fora da área de serviço
*Imagina, isso é coisa da sua imaginação
*Amor, não ouvi o telefone tocar
*Desculpa mas você é muito intensa
*Preto eu não tem, mas tem vermelho, azul e branco
*O problema não é você, sou eu
*Ué, você está com ciúme?
*Preciso da minha liberdade
*Preciso de tempo
*Preciso de espaço
*8,9 ... 10. Agora mais 10 abdominais!
*Comédia romântica não
*A fulana? Imagina, ela é só minha amiga
*Domingo é dia de almoçar na minha avó, lembra?
*Mail Delivery Subsystem - Delivery Status Notification
*Sempre te disse que você está trabalhando demais
*Gorda? Imagina... adoro suas bochechas.
*Estou confuso
*Pra que Victoria Secret´s ? Creme é tudo igual
*Desculpa só temos o tamanho G
*Não aceitamos visa Electron
*Aquele seu amigo te dá mole
*É que você é muito pequenininha
*É que você é muito ingênua
*Depois eu te conto
*Você demora demais para se arrumar
*Não

Ps: esse post foi inspirando num blog argentino.

sexta-feira, 27 de junho de 2008

carta de Mãe XV

Mande as fotos e fique feliz. Uma vez voce tinha 13 anos e veio com o seguinte discurso:
-Voce ,mãe, voce não me entende.Eu nem sei direito quem eu sou!!!!
E eu respondi:
-Sabe sim! Seu nome é Marilia.Voce é filha do Isaac e da Ana e....vai estudar matemática!!!!
Voce foi e tirou nota boa! VIU????? Psicologia da faxineira do Freud.Basta de melancolia!!!!! Besitos amorosos

mumunhas

Eu fui ingênua de achar que você não ia perceber. Fui encostando naquela parede, toda encolhidinha. Mas você veio. Me abraçou. Deu um beijo na minha testa e perguntou daquele seu jeito: “Tá tudo bem aqui dentro? ” segurando a minha cabeça. Por isso que eu sempre digo: quero a sua receita.

... como se fosse brincadeira de roda...

Aniversário de pai

Ele me manda e-mails com links de notícias internacionais. Me liga pra dizer bom-dia, e me cobra responsabilidades das coisas chatas. "Para você aprender sozinha". Ele é médico e não liga quando exagero meus sintomas. Ele sabe tudo de tudo. É o homem mais culto do mundo. Conhece literatura, sabe todas as datas da segunda guerra. Quadrinhos, banalidades, música clássica. É apaixonado pelo sorriso da Elis. Tem fidelidade ao povo judeu. Ele é meu pai amado. É sensível e carinhoso. O melhor pai do mundo. Ele resolve coisas chatas: coisas de carro, de banco e de documentos. Ele me mima quando eu peço e sempre acerta meus presentes. Ele é muito exigente mas me ensina a ser paciente e solidária. Ele é meu daddy Ike. Meu pãpi. Atende meus amigos sem cobrar. Mas não aceita erro de português. Não suporta humilhação e se irrita com ingraditão. Ele tem senso de humor e sensibilidade. Me leva à galerias de arte e me ensina a gostar do que é bom. Mas detesta frescura, não gosta de restaurante caro e nem ter horário para fazer suas coisas. Ele sabe de Borges e de Woody Alen. Adora mexer e descobrir sites de coisas interessantes, “Filhinha, não tem algum amigo seu que entenda de internet?”, me pergunta sempre. É carismático e unânime, meu pai. Modesto e fotógrafo de mão cheia. É curioso e bagunçado. É meu pãpi. Ele me escuta falar sem parar e nunca reclama do meu mal-humor. Friorento, bravo e eloqüente. Me conta histórias lindas que até hoje eu acredito e acho que vou acreditar pra sempre.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Gente...

... perdi minha LEVEZA por aí. Alguém viu ela vagando? Debaixo dos lençóis, nos porões, perdida em alguma esquina?

Mudança de casa IV

499 caixas, 800 sacos de roupa, sapatos, livros e luminárias depois...
... estou viva, renovada e satisfeitérrima.

Mumunhas

Vc me chamava de fulôzinha. Sua flor. Muitos cadeados, para fechar qualquer pedacinho de alma que tivesse ali, dando sopa no ar. “Sentimento a gente não pode sair por aí, oferecendo para todo mundo”, me dizia você, austero e com aquele ar de dono da verdade. Eu nunca liguei para nada que vc reclamasse de mim. Sentimento não é algo que a gente regula, como um despertador ou intensidade de água de chuveiro. Vem de dentro, é coisa divina. É avaro quem economiza sentimento. “Não entendo porque você tem que ser tão simpática sempre, com tudo mundo”. “Eu sou simpática”, eu te dizia, calma e cheia de amor. O Cd do Cartola tocando e nós dois com suspiros cansados. Versos e Trovas. Palavras nas pontas dos dedos. Pés nos travesseiros e travesseiros nos pés. “A ambiguidade promete salvação", já diria Roland Barthes. Depois, vieram os colares arrebentados e choros escapados em pequenos soluços. Pétalas de Yemanjá abençando a renovação. Eu gostava das doçuras, de quando, bem lentamente, você encostava sua mão no meu queixo e sussurrava : “fulôzinha”. Depois vinha cheio de convicção citando Vinícius: “Quando vc vai compreender, que o ciúme é o perfume do amor ? ”. Eu não compreendi e nem você. Mas sobraram aquelas partituras, as claves de sol, debaixo dos nossos telhados velhos. E isso, meu querido, é canção. É canção.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Da curvinha


Já falei das duas aqui, mas recebi essa foto hoje e me inspirei. Eu sempre digo que tem uma amiga pra cada hora e ocasião. Tem umas que não adianta vc querer ir pra balada e outras não são boas de ouvir a gente chorar as pitangas. Mas essas duas aí são meus amores. São racionais, escutam meus desabafitos homéééééricos sem reclamar e ainda por cima são boas de pista e de samba. A Bebel é do tipo que eu conto as coisas quando to pronta para ouvir a verdade. Ela não é “colo fácil” não... Dá bronca, me tira das nuvens e puxa a orelha quando não faço o que é melhor pra mim. Mas é doce, incentivadora, quando a verdade tá ao meu favor, ela fala também. Minha escorpianinha amada equilibra meu jeito dramalhona. A Táami é minha oxumzinha linda. Fala a mesma língua que eu e no matter what, ela me dá razão. Eu adoro isso. Tem horas que tudo que vc quer ouvir é: to do seu lado -- certa ou errada --tamos juntas. Ah... não dá. É muito amor. É muita energia boa junta, por isso tantos elogios e tantos abrazotes. Porque é de verdade e pra sempre.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Sobre profissões I

Desde de pequena eu queria ser atriz. Completamente convicta. Decidi isso aos 4 anos, quando participava de uma espécie de Balé alternativo que a gente podia “ser o que quiser”, segurando tules coloridos. E foi esse sonho maluco que eu sustentei até ... os 19 anos de idade. Isso mesmo. Durou muito tempo o meu desejo de viver outras vidas que não a minha. Logicamente rendeu um preju pro meu pai que pagou anos a fio de aulas de teatro, livros e mumunhas sem fim. Tem uma história clássica na minha casa. Fizemos, quando eu tinha 14 anos, a montagem da novela de Louisa May Alcott, “Adoráveis Mulheres”. E eu aluguei meus pais para me ajudarem a decorar meu texto ( eu estava super emocionada porque tinha sido escolhida, para além da minha personagem, ser a narradora da peça). Aí estava eu lá, me achando a Winona Ryder, encima do sofá com o texto na mão, declamando super alto: “ Era verão em mil novecentos e bolinha, em Massachussets, (pausa) mas pera, Pai, onde fica Massachussets?”. E a risada começou e nunca mais parou. Ainda vieram a Catarina de Shakespeare e 3 anos em que eu me achava uma menestrel completa. Uma formulinha extremamente viciante que aprendemos quando entramos, todas as amigas juntas, naquele teatro. A vida -- a minha vida -- se resumia ( à parte das recuperações de física e matemática), a dançar, cantar e ter a certeza que o mundo era repleto de neo-hippies ocidentais. Eu aprendi a manusear lanternas, malabares, e outras pirotecnias. Quando dormia, sonhava com as cenas da peça e minha rotina era feita de ensaios de final de semana, de roupas largas e cabelos soltos. Churrascos, cantorias e muita, mas muita, risada. Além da prática, tinha ao investimento na teoria. Coisa de filha de intelectual. Aí comecei minhas leituras: A primeira foi o Eugênio Kusnet, que tinha seis lições de intrepretações. Depois veio a trilogia do Stanislavski, um pouco de Brecht e Nelson Rodrigues. Me apaixonei pela peça “A tempestade” do Shakespeare e também pela delicadeza de Tchekhov. Mas eu não parei por aí. Virei uma ratinha de teatro. Fazíamos o programa completo: íamos e eu meu pai, assistir alguma coisa “com texto bom”, dizia ele. Harold Pinter, Bernard Shaw e ... Chico Buarque. Depois meu pai me levava para comer em algum lugar bem típico do centro. Eu me encantava com aquela vida, acontecendo de verdade. Fomos na Familia Mancini, comer um bauru no ponto chic, novidades sem fim, pra mim, é claro. Um dia eu desencanei, me desiludi, sei lá, mas isso é papo pra outro texto. Disso tudo me restaram tesouros maravilhosos: A Kiru, minha irmã linda que brilha nos palcos e continua me proporcionando essa vivência onírica. Uma biblioteca de teatro gigante, que é o meu xodó. Vira e mexe, pego um livro ou outro para relembrar alguma doçura. E uma última coisa: a sensação de uma estréia no palco. Nada minha gente, nem textos elogiadíssimos, nem o abraço mais sincero, nem um MBA international surrond sound, se compara ao friozinho na barriga que dá quando abre aquela cortina. Dizem que é a deusa do teatro que paira pelas cochias soprando brilhinhos nos atores. Eu? Ah ... eu acredito.

terça-feira, 17 de junho de 2008

Mudança de casa III

Com caixas até o último fio de cabelo e sem encontrar nada no meu já antigo apartamento, acho que o mais difícil de jogar fora são as cartas. Desde sempre. Papel e mais papel. Mas não é só papel né? Tem um montão de palavras ali. Difíceis de esquecer. Mesmo que não faça o menor sentido guardar... ah. Não consigo! Cartão de coração, carta de quando fui viajar, de quando eu voltei. Recadinhos adolescentes, confissões, brigas horríveis... cartas gigantescas trocando faíscas e discutindo sentimentos sérios. De gente que eu nunca mais vi e de gente que até hoje me faz feliz. Postais do mundo todo. Carta de quem já morreu de saudades. Hoje tá tudo no computador. Quando muito, a gente recebe uma doçura via SMS. Muito diferente de pegar aquela cartinha que de tanto reler, o envelope até rasgou. Carta de quem foi pra Noruega, de quem tá na Bahia e por lá ficou. Cartinhas com mentiras ? Muitas mentiras. Barracos e declarações de amor overseas. Gratidão e felicitações: feliz aniversário, natal e ano-novo. Não dá pra jogar fora assim... é história. Mumunhas puras.Frases que sueñan como canción. A Ralston: “Peketita põe a mão no coração”, Nataly: “ Sim amiga, é do Penina... eu canto aqui e vc do outro lado da Dutra”; Mamãe: “Essa é a sua viagem mais importante, que seja a mais doce”; Julia: “beijos com amor da sua irmã, Zula”, Pai: “Encontrei a Judy Garland cantando pra você”, Kiru: “ é hora da Mazinha Cinderela”. Ele: “ você com esse jeitinho que não deixa passar nada, princesa”. Dá livro, dá novela ou no mínimo... uma big nostalgia.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Aniversário de irmão

Ele gosta de Keith Jarret e de Marzipã. Me chama de “princesa” e é afetivo. Foi ele quem me levou a primeira vez ao Playcenter e para comer meu primeiro Big Mac. E foi com ele também, que eu peguei a estrada pela primeira vez. É meu irmão mais velho. O Fec. 8 anos a mais e afinidade desde sempre. Ele acompanha minhas entrevistas, me motiva e me protege,sempre. É a pessoa que eu mais confio. É culto e entende de coisas complicadas: de história, política e economia. Mas também sabe fazer reiki e gosta de correr na praia. Ele me responde, com a maior paciência de irmão, o que é uma “medida provisória”. É o maior advogado desse país. Me apresentou o pianista mais incrível e me ensinou a gostar de Milton Nascimento. Adora uma cervejinha e jogar futebol de segunda-feira. É lindo e tem senso de humor. Quando eu fiz 15 anos, me deu de presente a antologia poética do Vinícius de Moraes. Tem interioridade, é sensível e gosta das gravuras da Thomie Ohtake. Meu irmão é um humanista que planta admiração por onde passa. É organizado sem ser careta. Ele é presente sem ser demagogo. É meu irmão.Me liga quando nossos pais viajam, só para se certificar que está tudo bem. Somos irmãos astrais: Mesmo signo, mesmo ascendente, mesma lua e mesmo sol.
E além de tudo ele vai me dar agora o maior presente: uma sobrinha.
Parabéns Fezão.
Beijo

sábado, 14 de junho de 2008

Mudança de casa II -- Segundo Clarice.


"Muitas vezes o que me salvou foi improvisar um ato gratuito. Ato gratuito, se tem causas, são desconhecidas. E se tem consequências, são imprevisíveis. O ato gratuito é o oposto da luta pela vida e na vida. Ele é o oposto da nossa corrida pelo dinheiro, pelo trabalho, pelo amor, pelos prazeres, pelos táxis e ônibus, pela nossa vida diária enfim -- que está toda paga, isto é, tem seu preço.
Uma tarde dessas, de céu puramente azul e pequenas nuvens branquíssimas, estava eu escrevendo à máquina -- quando alguma coisa em mim aconteceu.
Era o profundo cansaço da luta.
E percebi que estava sedenta. Uma sede de liberdade me acordaria. Eu estava simplesmente exausta de morar num apartamento. Estava exausta de tirar idéias de mim mesma. Estava exausta do barulho da máquina de escrever. Eu precisava."

MUDANÇA DE CASA

Mudar de casa é ...
1. Encaixotar
2. Cortar o cabelo
3. Sabe aquela papelada? ... LIXO.
4. É tipo um reveillon em pleno meio do ano.
5. Lacrar.
6. Redefinir a hierarquia dos livros
7. Aprender a fazer risoto de alcachofra.
8. "Nunca mais drink no dancing"

Alguém me dá um help ? :)

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Encontros e desencontros.

... ele liga e eu abafo, mas sabe como é né? Pra quê mexer no passado. Tudo cicatrizadinho, página virada e tal. E eis que eu to lá no Sabiá e o menino me aparece. Senta junto, fica lá, toma chopp, bate-papo. Coitada da Dricoletinha, que teve que aguentar ele falando e eu com aquela cara confusa. Não que ele não tenha nenhuma graça - tem, óbvio. Mas não tem mais nada a ver comigo. Amém. Ele ainda é o mesmo. Quando eu pergunto :"tudo bem?", ele me responde: "na moral", é daquele jeitinho "yo-MTV!"e ainda é gãgous total. Na hora de ir embora me abraçou e disse: "Fica tranquila, a gente vai começar a se ver mais". Mas pera aí... alguém tava tensa com a distância? Euzinha que não. Mas ele é gãgous né? E gãgous que se preze não se conforma com a idéia que a gente não sonha mais com eles.

Nada aconteceu. Alguns golinhos de chopp, um carinho no cabelo e ... de quebra, um convite estranho. Eu disse, tentando desconversar: "ah... vamos ver né" pensando: "cade o contexto?".

Mas a vida tem dessas coisas, enfim...

Segredinhos de irmãs

Ela é 13 anos mais velha. Quando eu era pequena, me levava ao teatro e para conhecer os atores nos camarins. Ela me ensinou a fazer colares de miçanga e a enrolar brigadeiro. É a minha irmã. A Má. Linda, com sorriso de Penélope Cruz e olhos cor de mel. Ela é meu anjo da guarda. Passa horas me escutando falar e me ensina coisas de mulher. Ela é poliglota e uma cidadã do mundo. É chorona e medrosa. Vive me dizendo que eu sou muito mais corajosa do que ela só porque não tenho medo de viajar e nem de cortar meu cabelo. Ela entende de gente. É a melhor psicóloga. Tem aquele olhar de quem sabe de sentimento e a hora certa de dizer as coisas. É ciumenta e não aguenta me ver sofrer, vira uma onça quando alguma coisa me faz chorar. Ela é mulher moderna: é mãe, é profissional, cozinha como ninguém, sabe resolver coisas de adulta sozinha e não perde a doçura no meio dessa bagunça. Me deu de presente um sobrinho, o croissaint da minha vida, mon petit Davi. Ela inventa palavras e expressões próprias. Adora colo e pequenos abraços. Me ensinou o que é "sentimento oceânico" e diferentemente de mim, é uma motorista excelente. Eu morro de orgunho da minha soer. Do jeitinho dela prender o cabelo, sempre elegante. Do bom gosto pra tudo: culinária, roupa, brincos e cacarecos. Foi com ela que eu comprei meu primeiro sapato de salto alto. E é comigo que ela discute tudo, sem esconder nada. Porque eu percebo a minha irmã melhor do que qualquer um. É ela quem junta a família, porque é a filha mais cuidadosa e habilidosa. Eu morro de saudades e divido, todos os dias, minhas coisas com ela em pensamento. Dizem que a fraternidade é vermelha, no meu caso... eu não acredito.

terça-feira, 10 de junho de 2008

Sobre argentinos

Eles são galanteadores. Sabem como ninguém sussurar um “sos preciosa” e esbanjam charme. Mas não é um charminho simples. É coisa séria. Porque eles são sérios. Nossos vecinos proteños são sedutores e amam à moda de Gardel. Quem já foi para Buenos Aires sabe do que eu to falando... você anda na rua e eles olham no seu olho. Um pouco diferente das olhadelas quando a gente anda na rua aqui. “Ah Mazinha, isso é uma visão romântica e idealizada dos argentinos”, me dirão alguns. Pode até ser. Mas não me iludo, não. Sei que eles são machistas, conservadores, orgulhosos e vaidosos até o último fio de cabelo. Mas mesmo assim, uma pitada de ares argentinos não faz mal a ninguém.
***
Então era nossa segunda semana em Barcelona cruzamos um menino no metrô, bem buni. A Nanas timidamente me disse: “tem cara de brasileiro né?” Mas não era. “soy argentino”, nos disse ele, Ignácio. Trocamos algumas informações banais, o tempo do trem parar e a gente descer. Combinamos ali mesmo, numa baldeação gigantesca da estação Passeg de Gràcia , de encontrar o “argentininho” que morava com mais 5 amigos, num bar nas Ramblas. Não demorou nada e estávamos viajando com eles para o sul da França, de carro. A gente não se conhecia, não tínhamos a menor idéia do que nos esperava 4 dias viajando com argentinos desconhecidos, mas a idéia era, de algum modo, fascinante. A tal da côte d´ azur estava mais cinza e fria do que interior da Inglaterra. Passamos por cidadezinhas lindas, que na primavera, devem ficar coloridas, no melhor estilo Brigitte Bardot. Mas era inverno. Invernão mesmo, com direito a capuz, bota e guarda-chuva. Nuestros chicos foram se revelando muito parecidos com a gente. Ignácio(Natcho), Tomas (Tomi), Maximiliano (Maxi) e Nicolaz(Nico). Educadíssimos e irmãos sul-americanos. Todos já conheciam o Brasil, o Rio, o sul, sabiam cantar Tom Jobim, Gil e Timbalada, mas nós... Nós pergutamos qualquer coisa sobre a Patagonia, Tango e Salsa. Não falávamos bem espanhol ainda. A comunicação encrecava direto. Eu tinha dor de cabeça no final do dia de tanto esforço. Aí chegamos a conclusão que era melhor cada um falar a sua língua e quando a gente não se entedesse, cambiava direto para o inglês. Assim funcionou perfeitamente. Foi tudo muito diferente e bizarramente divertido. Nos meses que se seguiram, não mantivemos um contato muito próximo. Acho que foi muito intenso o encontro Brasileiras/Argentinos, para o começo da viagem. Só sei que encontrei por acaso, um deles na praça catalynua, uma semana antes de eu ir embora de Barcelona. Continuei, mesmo depois de 6 meses hablando bien, não entendendo direito o español dele. Trocamos elogios e eu fui embora. Restaram muitas doçuras e amizades deliciosas. Nos falamos até hoje. O Maxi veio ano passado com uma penca de amigos, foram para Maresias e eu apresentei pra ele o que é um “Happy Hour”. “ Tenemos que venir vivir acá, chicos! És un paraíso”, dizia ele pros meninos, com um chopp em cada mão, num boteco qualquer da vida. Tudo isso porque ele estão vindo aí. Los chicos con aciento cantado que quieren salir de marcha por san pablo: “especialmente por la noche”. Ok, e dá pra negar alguma coisa pra esses pibes que llegaram para se quedar? Creo que no.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Mumunhas

Descompassos. Uma garrafa de vinho pela metade. Isqueiro esquecido encima da pia. Beijo e abraços carinhosos. Clave de sol e meias palavras... a gente se ajeita, sempre. Abafa a raiva, abafa a culpa e tome leveza. Beijo no canto da boca. Frasco de perfume no final. Sobra só uma borrifada.E um rastrinho no travesseiro. Última mordida no doce. Pois quando tu me deste a rosa pequenina, as provocações ganharam poder de varinha de condão. Pulseirinha da sorte. música de Chico Buaque no final: "se na bagunça..." Meiguices, sempre. Adjetivos encurralados nas cerquinhas do coração.

Sobre a folga

Já faz um tempo que eu quero escrever um textinho destinado às pessoas folgadas. Não é que eu seja uma mini-Fernanda Young que se irrita com tudo.Pelo contrário. Sou super panda e detesto gente amarga que se irrita com qualquer bobagem. Mas se tem uma coisa que me tira do sério é gente folgada. Gente folgada não olha pro mundo, vive na bolha : “eu -umbigo do mundo” e não tem a menor culpa em dizer: “sou egoísta mesmo”. Eu ouvi isso duas vezes na semana passada, assim, com a maior naturalidade. Sabe gente, ser egoísta não é bacana não... é um defeito. Onde que virou “ok” ser uma pessoa egoísta? É... porque as pessoas têm vergonha em dizer que são preconceituosas, que são avaras, mas egoístas não. É super normal. Isso me deixa incorformada. Gente folgada acha que domina a própria vida e mais... é dono do nariz do vizinho. Opina onde não é chamado, sabe ser incoviniente e espaçoso. Gente folgada não entende o que é gentileza. Lá vai vc, ingênua e fofa, fazer uma coisinha buni, e os folgados de plantão já entendem isso como sua obrigação. Folgados não agradecem, não retribuem e ainda consomem mais e mais. São mini aspiradores do brilho dos outros. Se encostam e acomodam-se na educação e altruísmo de quem valoriza os “pequenos tesouro das armadilhas terrestres”, como diria o Paulo Mendes Campos. Ainda bem que isso não acontece comigo né? A gente sofre um pouco mais do que eles -- os folgados, mas também... acho que se eu só olhasse pro meu umbigo o dia inteiro eu enjoaria rapidinho. Acreditar que você é melhor que os outros deve ser tão enjoativo e pobre. Ainda fico com os tropeços do dia-a-dia que não poucos, mas que definitivamente, são mais autônomos e gratificantes.

terça-feira, 3 de junho de 2008

Gui

Ele é panda também. Atencioso, carinhoso e fiel. “ O caminho é meio tortinho”, ele me diz. Eu concordo. Muitas curvas, poucos freios. O Gui é querido pelos chefes, é workaholic e concentrado. Quando fala no TCC, só fala do TCC, quando o assunto é trabalho, não desvia o olhar; e quando presta atenção em vc, é 100%. Tem boa memória, é espertinho e difícil de driblar. O Gui está sempre bem. Não tem furacão que abale a tranquilidade do surfista da família. Pase lo que pasar, tá ele lá. Santadão, de buena onda, sorriso e com piadas engraçadinhas. “Sussa, Sussinha, Sossegado”, como diria Tom Zé. Ele é um dos poucos que me chama de Marilia e não de Mazinha. E foi ele quem me levou no estádio pela primeira vez. Comigo, ele aprende expressões em espanhol e a lidar com amigas ciumentas. Tem jeitão de irmão mais velho: me dá bronca porque eu não passo protetor solar. É sedutor , tem cara de bom genro, mas coração de malandro. Ele diz que eu sou o xodó dele e eu finjo acreditar. É preocupado e angustiado com tudo. Mas valoriza a família e os vínculos afetivos. A gente gosta de beber vinho e de trocar pensamentos. Ele me conta das viagens e das dificuldades da labuta. Eu conto coisas de mulherzinha e algumas perfumarias. Ele gosta de Siba, de assuntos da América Latina e de praia, sempre. Tem um abraço grande e um jeito próprio de se fazer presente. “Meio tortinho”, é verdade. Mas não deixa de estar lá.
Querida Natalinda,
Ontem fui entrevistar o José Miguel Wisnick. Foi muito legal. É bacana entrevistar gente que não é só culta, mas é também erudita, como é o caso dele. Fomos eu e o Pedro, repórter que trabalha aqui comigo, lá na casa dele, no Butantã.
Ele é bagunceiro, mas o pensamento super ordenado. Assim que a gente entrou, eu contei que tinha estudado na Puc e tal, aí ele me olhou assim, meio contemplativo e disse: “Sabe que eu conheci uma estudante da Puc uma vez? Muito incrível a menina, Nataly”. Eu ri disse que éramos amigas mas que agora vc estava na Espanha, viajando pela Andaluzia. Ele me contou de uma vez que vc foi num camarim do show dele, só para comentar a letra de uma música que ele tinha feito: “carismática e inteligente”, me disse ele. Aí passei uns 15 minutos falando bem de vc e contando nossas aventuras em Paraty para contextualizar o Pedro, que ainda não te conhece. Nata, ele vai lançar um livro pela Cia das Letras sobre futebol. Me lembrou muito o Waltinho, que nas aulas dele, falava de música e futebol, sempre com propriedade, mas nunca sem suavidade, lembra?
Achei ele doce e esquemático. Doce porque tem senso de humor e nenhuma agressividade. Esquemático porque cada resposta era uma aula com começo, meio e fim. Saí de lá toda metidona que ele elogiou minha entrevista com o Wellington Nogueira. Disse que hoje em dia não existe mais debates, que os críticos não querem pensar sobre a cultura, mas falam como se fossem donos da verdade. De novo pensei sobre a delicadeza, e sabe amiga, tem gente como a gente sim. É só treinar o olhar...
beijos com saudades de da nó,
Mazi

segunda-feira, 2 de junho de 2008